Gamescom 26 – Metaphor: ReFantazio

Dois anos depois de uma estreia muito bem recebida e galardoada nos The Game Awards 2024 com os prémios de Melhor Direção Artística, Melhor Narrativa, e Melhor RPG, Metaphor: ReFantazio da Studio Zero chega em breve à Nintendo Switch 2 pela mão da SEGA, e foi possível experimentar uma demonstração desta versão no stand da Nintendo na Gamescom 26. As semelhanças com os jogos mais recentes da série Persona são imediatas, o que não é uma surpresa. Metaphor: ReFantazio junta assim mecânicas de exploração, combates por turnos, e interação social com as outras personagens, incluindo desenvolvimento de relações em resultado das escolhas que fazemos nessas interações e consequentes influências no enredo.
Se à primeira vista a apresentação da informação e do enredo pode parecer demasiado extensa, sobretudo no caso de uma demonstração curta como esta ou para quem não conheça séries como Persona ou Shin Megami Tensei, rapidamente entramos no esquema e compreendemos sem problemas o que se espera do jogador. Os menus são semelhantes ao que se encontra nas séries já mencionadas, e destacam-se claramente face ao que se encontra noutros jogos do mesmo género. Tal como na série Persona, a passagem do tempo e o ciclo dia e noite são cruciais, algumas tarefas e missões têm de ser cumpridas dentro do tempo estipulado e o jogador tem de fazer escolhas e determinar prioridades. Já o universo do jogo é inteiramente novo, e ReFantazio conta a sua própria história, com espaços e personagens originais.

Imagem: SEGA
Pelo que vimos na Gamescom 26, Metaphor: ReFantazio na Switch 2 exibe um ambiente visual que fica aquém do que se encontra no jogo de 2024 lançado nos outros formatos, sobretudo a nível das cores, do pormenor e qualidade das texturas, e de alguns modelos de personagens, o que desilude um pouco quando já vimos o que a Switch 2 é capaz de fazer nesta dimensão, que também se explica por esta versão ser uma adaptação do jogo saído em 2024, e não de uma versão nova. Ao mesmo tempo, quando nos encontramos em combates esta acaba por ser uma preocupação menos fundamental. A fluidez da experiência depende do que estiver a acontecer no ecrã. Nos momentos em que o jogo está cheio de objetos em movimento e onde acontece muita coisa ao mesmo tempo, a fluidez parece descer para algo próximo dos 30 fotogramas por segundo, enquanto em momentos menos exigentes o jogo torna-se mais fluido. Ao mesmo tempo, a redução da qualidade visual comparada com as outras plataformas torna a exploração e os momentos fora dos combates menos vibrantes e menos interessantes de se ver. A experiência decorreu num ecrã de televisão, pelo que não pudemos apurar sobre o desempenho do jogo no ecrã da consola.
Quanto à jogabilidade propriamente dita, tudo parece estar devidamente enquadrado e bem implementado. Depois de sermos apresentados às mecânicas, é relativamente simples iniciar a navegação pelos espaços, explorar masmorras e participar em combates. Os inimigos mais fracos podem ser eliminados com um ataque em tempo real, como se se tratasse de um jogo de ação. É com os inimigos mais poderosos que devemos combater em grupo e utilizar habilidades em equipa – que vão ser cruciais contra inimigos mais poderosos, como acontece com o “boss” disponível nesta versão. Além dos típicos ataques físicos com armas, também temos os clássicos ataques mágicos que incluem o uso de elementos naturais e que podem atingir vários inimigos (ou partes de um inimigo de grandes dimensões, como acontece com o “boss” nesta versão). Fora dos combates, a exploração das masmorras e as interações com as outras personagens são interessantes e mantêm-nos motivados. Durante esta experiência foi mesmo preciso optar várias vezes entre saber mais sobre o enredo e o desenvolvimento das personagens, e avançar para os combates.
O jogo deixa uma impressão globalmente positiva, ainda que um pouco arrefecida pela qualidade visual abaixo do que se poderia fazer na Switch 2. Temos aqui um RPG cheio de história e com relações para desenvolver, com um enredo dinâmico influenciado pelas escolhas do jogador, e com um sistema de combate motivante e acessível. Metaphor: ReFantazio chega à Nintendo Switch 2 no dia 12 de novembro.

Apreciador de jogos de outras épocas, não diz que não a uma boa obra dos nossos tempos. Diz-se que é por ele que passam os textos antes da publicação, o que significa que é uma espécie de boss final da escrita para os outros membros da equipa.

