Gamescom 26 – MOUSE: P. I. For Hire – entrevista com Mateusz Lechowski e Mateusz Michalak da Fumi Games
MOUSE: P. I. For Hire é um FPS surpreendente que utiliza “sprites” em 2D baseados num estilo de animação da década de 1930 e reminiscentes de personagens da Disney, e cuja ação decorre num mundo em 3D e com um enredo e estilo audiovisual inspirado no cinema “noir” que foi imensamente popular em meados do século XX. O Starbit analisou MOUSE: P. I. For Hire para Nintendo Switch 2 em maio deste ano, e ficámos positivamente impressionados com a experiência. Na edição deste ano da Gamescom tivemos a possibilidade de realizar uma entrevista livre com Mateusz Lechowski, “designer” narrativo, e Mateusz Michalak, CEO e co-fundador do estúdio polaco Fumi Games que desenvolveu o jogo, e foi possível ter uma conversa bastante interessante sobre o jogo, as influências, o desenvolvimento, e as particularidades da Nintendo Switch 2.

Imagem: Fumi Games
Se o que mais sobressai quando olhamos para MOUSE: P. I. For Hire é a estética, é inevitável perguntarmo-nos: porquê esta escolha, e houve algum motivo em especial para desenhar as personagens de forma semelhante às personagens Disney nos anos 30? “Nós já sabíamos que queríamos fazer um jogo com um aspeto muito próprio, e uma estética baseada na animação é uma boa forma de o conseguir“, dizem os dois responsáveis.
“Por outro lado, tivemos de procurar por alguém que fosse especialista neste estilo de animação [nota: animação “rubber hose”, estilo muito utilizado nas primeiras década do século XX], o que foi algo difícil uma vez se trata de um estilo que nunca foi comum na Polónia, e nós queríamos fazer o jogo com este estilo. Quanto às personagens serem semelhantes às da Disney, isso também está relacionado com a entrada desta versão de Mickey no domínio público. Já o ambiente ‘noir’, duas das nossas grandes influências nesse aspeto foram a banda desenhada Blacksad e o filme Quem Tramou Roger Rabbit?, não necessariamente a nível da estética mas a nível da inspiração no estilo policial ‘noir’. Aliás, uma das armas mais perigosas no jogo dispara um produto químico que dissolve os inimigos e no jogo, chama-se ‘dip’, justamente em referência ao químico utilizado no filme Roger Rabbit para eliminar personagens animadas.” Surpreendentemente, MOUSE: P. I. For Hire nem sempre foi pensado a preto e branco, “as primeiras imagens conceptuais que fizemos eram em tons de sépia, só mais tarde optámos por realizar o jogo a preto e branco.”

Imagem: Fumi Games
A Fumi Games foi criada a partir de um estúdio de animação, Fumi Studio, fundado em 2009, e cujos trabalhos “são sobretudo curtas metragens e animações promocionais, a produção de jogos é inteiramente independente do trabalho de animação e tem as suas próprias equipas“, o que não significa que os talentos não são influenciem mutuamente. O desenvolvimento de MOUSE: P. I. For Hire durou aproximadamente três anos e meio. “O nosso objetivo nunca foi fazer um novo Call of Duty ou centrar a experiência no realismo, mas sim fazer um jogo que se destacasse imediatamente quando olhamos para ele. A opção que seguimos não só permite implementar ideias para a jogabilidade de forma mais livre, como também confere ao jogo uma longevidade menos dependente da qualidade dos gráficos“, afirmaram os dois membros da equipa, “daqui a alguns anos, as pessoas vão olhar para o nosso jogo, e vão achar que ele ainda tem um aspeto interessante, sem sinais de envelhecimento, e esse foi justamente um dos nossos objetivos, criar uma experiência memorável“, acrescentam.

Imagem: Fumi Games
Tratando-se de um jogo que saiu em todos os formatos contemporâneos, é sempre relevante perguntar: que desafios encontraram no desenvolvimento para a Nintendo Switch 2? “Não houve obstáculos significativos, o único desafio que encontrámos foi a memória do sistema. Atualmente e devido à subida dos custos, os fabricantes querem reduzir as despesas com o hardware, e como consequência temos de trabalhar com algumas especificações que não são ideais. O nosso jogo tem cerca de 55 mil sprites e fotogramas de animação, desenhados e pintados à mão. Otimizar tudo isto para correr na Nintendo Switch 2 com o mínimo de problemas foi o desafio mais importante, mas conseguimos fazer a compressão de cerca de 92% dos sprites e fotogramas, e o jogo corre de forma suave.“
Outro elemento que se destaca em MOUSE: P. I. For Hire é a banda sonora, inconfundível com o estilo visual que o jogo segue. “Não demos instruções precisas para cada momento. Contratámos um músico, Patryk Scelina, que tem experiência em composição de música para filmes e jogos, transmitimos-lhe as ideias mais importantes, e o resultado foi um excelente fundo musical que encaixa muito bem com a experiência. Fazer música para jogos não é exatamente a mesma coisa que fazer música para filmes, uma vez que existe sempre um aspeto mais dinâmico e contextual, mas a banda sonora funciona muito bem e estamos muito contentes com o resultado.“
Quanto ao futuro próximo, “estamos a trabalhar num DLC para o nosso jogo, e temos mais de 15 anos de experiência na Fumi com que podemos contar para novas ideias. Ainda não sabemos se nos nossos projetos futuros vamos revisitar ou alargar o universo de Mouseburg.“
O Starbit agradece a Mateusz Lechowski e Mateusz Michalak pela disponibilidade, e à PlaySide Studios pela organização desta entrevista.

Apreciador de jogos de outras épocas, não diz que não a uma boa obra dos nossos tempos. Diz-se que é por ele que passam os textos antes da publicação, o que significa que é uma espécie de boss final da escrita para os outros membros da equipa.

