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Pokémon Pokopia Expansion Pass – Parte 1: Bubbly Basin – Análise

Quando em março analisámos Pokémon Pokopia, encontrámos uma das surpresas mais agradáveis dos últimos tempos e um dos projetos mais inspirados da série Pokémon desta década. A combinação entre construção, exploração e simulação de vida não escondia as influências de jogos como Dragon Quest Builders e Animal Crossing, mas mostrava uma identidade própria através do mundo, das personagens e da forma como cada pokémon participava na reconstrução das localidades. Poucos meses volvidos, a Game Freak e a Omega Force dão início ao Expansion Pass com Bubbly Basin, uma nova área quase totalmente submersa que leva a aventura para o fundo do mar. Esta é apenas a primeira de três partes. A segunda chega no final de 2026 com novos pokémon, mobília e acessórios, mas sem uma nova localidade, enquanto a terceira está prevista para 2027 e incluirá outro espaço para reconstruir. Isto significa que ainda não é possível avaliar a expansão como um produto completo. Podemos sim analisar a qualidade de Bubbly Basin, e o que o preço de €34,99 traz neste momento.

Para aceder à nova área é necessário cumprir o pedido “Raise the environment level!” em Bleak Beach e aprender o movimento Dive, introduzido gratuitamente com a atualização 2.0.0. Depois de encontrar Manaphy e dominar esta nova capacidade, Ditto acompanha Popplio até uma localidade submersa que precisa de ser recuperada. A estrutura mantém-se muito próxima da aventura principal onde limpamos o espaço, recolhemos recursos, cumprimos pedidos, construímos habitats e aumentamos progressivamente o nível ambiental até devolver a vida à comunidade. À primeira vista, Bubbly Basin poderia parecer só mais uma região com um aspeto diferente, mas a possibilidade de explorar e construir em todas as direções altera bastante a experiência. Ditto pode nadar livremente, subir, descer e manter-se suspenso a qualquer nível, o que elimina muitas das limitações impostas pela construção em terra. Os novos blocos flutuantes servem de base para estruturas que não precisam de estar assentes no fundo do mar e abrem possibilidades interessantes para quem gosta de criar espaços mais elaborados.

O controlo subaquático funciona surpreendentemente bem. A movimentação é rápida e intuitiva, sem a lentidão associada a níveis aquáticos, e a construção mantém-se acessível mesmo quando estamos rodeados de água. Há momentos em que os blocos e materiais soltos se acumulam à frente da câmara e dificultam a leitura do espaço, mas são situações pontuais que não comprometem o funcionamento geral. A exploração também beneficia da verticalidade. Bubbly Basin apresenta ruínas próximas da superfície, ravinas profundas, túneis inundados e grutas escuras onde é preciso instalar fontes de energia e iluminação. A alternância entre zonas luminosas, cheias de cor e vida, e espaços onde mal se vê o que está à nossa frente dá à região um ambiente muito próprio. As ruínas remetem claramente para Cerulean City e existem referências para quem conhece os jogos originais, incluindo vestígios do ginásio de Misty e da loja de bicicletas. Estes elementos não são usados apenas como nostalgia simples, ajudando também a aprofundar o mistério em torno do desaparecimento dos humanos.

Visualmente, esta é uma das localidades mais interessantes de Pokémon Pokopia. Os corais, a vegetação marinha e as criaturas em movimento tornam o cenário vivo, enquanto as zonas mais profundas apresentam um ambiente quase inquietante. A maior abertura vertical também torna algum aparecimento repentino de elementos mais visível e a câmara pode ficar demasiado próxima em grutas ou construções fechadas, embora a atualização tenha acrescentado opções que atenuam o desconforto provocado pelo movimento. A banda sonora acompanha muito bem esta identidade. Os novos arranjos recuperam melodias da primeira geração, mas apresentam-nas com um tom aquático, sereno e um pouco melancólico. É uma combinação que se adapta ao ritmo descontraído da construção, mas também ao estado de abandono da antiga cidade. Tal como no jogo principal, a música nunca tenta sobrepor-se à experiência, mas é fundamental para lhe transmitir personalidade.

Bubbly Basin adiciona 50 pokémon e 36 habitats, com uma seleção naturalmente dominada pelas criaturas de tipo Água. É uma escolha coerente e permite finalmente dar protagonismo a espécies que não se enquadravam tão bem nas localidades terrestres. Manaphy, Phione, Popplio, Mudkip, Chinchou, Carvanha, Totodile e outras criaturas podem agora nadar e ocupar o espaço de uma forma mais natural do que seria possível no jogo principal. Ainda assim, a concentração num único tipo reduz um pouco a variedade, sobretudo para quem não tiver uma ligação especial a estes pokémon. As novas personagens mantêm o humor e a personalidade que ajudaram Pokopia a destacar-se. Popplio funciona como a principal ligação à localidade, Manaphy assume um papel importante no início do enredo e os restantes habitantes apresentam pequenos conflitos e pedidos que dão vida à comunidade. O enredo pode ser concluído em cerca de quatro horas e não acrescenta revelações com o peso dos fim do jogo original. É curto e relativamente simples, mas está bem integrado na progressão de Bleak Beach e evita estragar os acontecimentos mais importantes a quem ainda não terminou a aventura. A longevidade depende sempre da forma como cada jogador encara a experiência. Quem se limitar aos pedidos obrigatórios chega rapidamente ao fim desta pequena história. Quem tentar encontrar os 50 pokémon, criar todos os habitats, explorar as grutas, recolher receitas e desenvolver a localidade terá facilmente muitas horas adicionais pela frente. A construção de algumas estruturas continua a exigir períodos de espera e o ritmo continua deliberadamente lento, mas Bubbly Basin apresenta uma progressão mais concentrada e menos dependente de tarefas repetitivas do que algumas regiões do jogo principal.

Os novos materiais e objetos também podem ser utilizados nas localidades anteriores. Há conjuntos inspirados em conchas e corais, elementos que fazem lembrar um templo japonês, novas peças de vegetação e a possibilidade de construir um submarino Sharpedo que pode ser decorado como uma base secreta. A introdução de melancias e de novas formas de cultivar debaixo de água traz variedade, embora o verdadeiro impacto esteja na liberdade oferecida pelos blocos flutuantes e pela construção tridimensional. É importante separar estas novidades do conteúdo gratuito da atualização 2.0.0. Dive, a construção subaquática e várias das melhorias de qualidade de vida estão disponíveis para todos os jogadores, mesmo sem o Expansion Pass. Entre as alterações mais relevantes encontra-se o Portal Pod, que permite aceder ao mesmo armazenamento em diferentes localidades e resolve uma das maiores fontes de frustração do jogo original. Passou também a ser possível transferir vários objetos de uma só vez, mover-se com o menu de movimentos aberto, recuperar mais facilmente habitats reconstruidos e ajustar com maior precisão a colocação de portas e janelas. Estas alterações tornam Pokémon Pokopia melhor, mas não devem ser contadas como parte do valor do conteúdo pago. O Expansion Pass dá acesso a Bubbly Basin, aos novos pokémon, habitats, receitas, mobiliário, vestuário e às duas partes que serão lançadas futuramente. Inclui ainda uma receita com padrões de Ditto e, para compras realizadas até 31 de agosto de 2027, um código para 30 unidades de Pokémetal raro. São extras simpáticos, mas não devem ser a razão para comprar o passe.

É precisamente no preço que surge a maior dúvida. Bubbly Basin é uma excelente expansão, mas as cerca de quatro horas de duração do objetivo principal e a nova localidade não justificam por si só um preço de €34,99. O valor pedido só pode ser avaliado quando conhecermos a dimensão das restantes partes. Como não existe a possibilidade de comprar cada conteúdo em separado, o jogador está a pagar antecipadamente por material que ainda não foi lançado. Para quem continua a passar dezenas de horas a construir e completar habitats, a primeira parte já oferece uma base muito promissora. Para quem terminou a história e apenas pretende regressar durante algumas horas, faz mais sentido aguardar.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
8 10 0 1
Bubbly Basin expande Pokémon Pokopia de uma forma natural e inteligente. A exploração subaquática é fluida, a construção ganha uma nova dimensão e a localidade apresenta uma excelente direção artística, 50 novos pokémon e conteúdo suficiente para ocupar muitas horas. O enredo é curto e a fórmula continua muito próxima do jogo principal, mas esta primeira parte percebe exatamente o que faz de Pokopia especial e oferece uma das suas melhores regiões. O problema está menos na qualidade e mais na forma como o conteúdo é vendido. Por €34,99 estamos a comprar três partes, mas só uma pode ser avaliada neste momento. Bubbly Basin deixa uma excelente primeira impressão, embora ainda não seja suficiente para garantir que o passe completo vale o preço. Para os mais dedicados é uma recomendação fácil; para todos os outros, esperar pelas próximas duas partes é mais sensato.
Bubbly Basin expande Pokémon Pokopia de uma forma natural e inteligente. A exploração subaquática é fluida, a construção ganha uma nova dimensão e a localidade apresenta uma excelente direção artística, 50 novos pokémon e conteúdo suficiente para ocupar muitas horas. O enredo é curto e a fórmula continua muito próxima do jogo principal, mas esta primeira parte percebe exatamente o que faz de Pokopia especial e oferece uma das suas melhores regiões. O problema está menos na qualidade e mais na forma como o conteúdo é vendido. Por €34,99 estamos a comprar três partes, mas só uma pode ser avaliada neste momento. Bubbly Basin deixa uma excelente primeira impressão, embora ainda não seja suficiente para garantir que o passe completo vale o preço. Para os mais dedicados é uma recomendação fácil; para todos os outros, esperar pelas próximas duas partes é mais sensato.
8/10
Total Score

Pontos positivos

  • Exploração subaquática fluida e bem implementada, e liberdade de construção
  • 50 novos pokémon e 36 habitats
  • Banda sonora e referências aos jogos originais

Pontos negativos

  • Enredo curto
  • Alguns problemas de câmara e aparecimento de elementos

Sérgio Mota

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.

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