Deathbulge: Battle of the Bands – Análise
Antes de ser um RPG, Deathbulge era uma banda fictícia criada por Dan Martin para uma série de tiras humorísticas publicadas na Internet. A adaptação para videojogo poderia ter-se limitado a aproveitar as personagens e o tipo de humor da obra original, mas a Five Houses procurou integrar a música em praticamente todos os elementos da experiência. Deathbulge: Battle of the Bands foi lançado originalmente para PC em 2023 e chega agora à Nintendo Switch acompanhado pelas alterações da atualização 2.0. Entre as novidades encontram-se um modo fácil, melhorias técnicas e a Mad Zone, uma área opcional destinada a quem já domina os sistemas de combate.

A aventura começa quando Faye, Ian e Briff inscrevem a banda Deathbulge numa competição musical. O contrato que assinam permite-lhes utilizar a música como arma, mas inclui uma condição sórdida: para vencer o concurso, as bandas concorrentes terão de se eliminar umas às outras. Sem grande interesse em assassinar músicos rivais, o grupo parte à procura de uma forma de fugir ao acordo. Esta procura conduz as personagens por diferentes localidades, áreas perigosas e encontros com bandas tão excêntricas como o próprio trio. Faye, Ian e Briff são o principal motivo pelo qual o enredo funciona. As suas personalidades entram frequentemente em conflito, mas existe uma amizade convincente por trás das provocações e das decisões absurdas. O jogo consegue aproveitar essa relação para criar situações cómicas, sem impedir que a história assuma ocasionalmente um tom mais sério. O humor encontra-se presente em quase todas as conversas, desde trocadilhos, referências à cultura pop, comentários dirigidos ao próprio jogador e situações que desafiam a lógica. Nem todas as piadas resultam e alguns diálogos duram mais do que deveriam, mas a escrita mantém uma personalidade constante. Esta dependência do texto torna mais evidente uma das limitações da versão Nintendo Switch: Deathbulge: Battle of the Bands está disponível apenas em inglês. Quem não tiver conhecimentos suficientes do idioma vai ter dificuldades em acompanhar não apenas o enredo mas também as descrições das habilidades e várias explicações essenciais do sistema de combate.

O mundo é povoado por mais de uma centena de personagens secundárias, muitas delas com retratos próprios e pequenos acontecimentos associados. Os diálogos podem mudar após determinados momentos do enredo, o que incentiva a regressar a locais visitados anteriormente. As personagens não estão aqui só para povoar os cenários, elas têm curtas histórias que evoluem com o progresso da banda. A exploração segue uma estrutura tradicional, dividida entre localidades, lojas, zonas labirínticas e missões secundárias, aqui chamadas “Side Gigs”. Os adversários estão sempre visíveis, os encontros não são aleatórios e podemos assim escolher entre iniciar um combate ou tentar passar sem sermos detetados. Cada elemento da banda tem também uma habilidade utilizada durante a exploração. Estas capacidades permitem movimentar-se mais rapidamente, afastar inimigos ou criar oportunidades para atravessar espaços. Não alteram profundamente a aventura, mas dão alguma utilidade individual às personagens fora dos confrontos. As “Side Gigs” merecem atenção porque podem oferecer habilidades, equipamento e outros benefícios importantes. Muitas apresentam ainda personagens e situações próprias, funcionando como conteúdo verdadeiramente complementar em vez de simples tarefas criadas para tornar o jogo mais longo.

É durante os combates que Deathbulge: Battle of the Bands mais se afasta de outros RPG por turnos. As personagens e os inimigos deslocam-se numa barra temporal dividida em compassos. Quando um marcador chega ao final, a respetiva personagem pode executar uma ação. A passagem do tempo não serve apenas para determinar a ordem dos turnos. Diferentes efeitos podem ser colocados nos segmentos da barra, alterando o que acontece quando uma personagem os atravessa. Alguns recuperam recursos ou aceleram o movimento, enquanto outros provocam danos, atrasos ou limitações temporárias. Esta mecânica obriga a pensar para além do ataque seguinte. Por vezes, a melhor decisão não é utilizar a habilidade mais poderosa mas manipular a posição dos marcadores, evitar uma zona negativa ou preparar um efeito que será ativado mais tarde. A banda apresenta-se em combate com um dos seus membros na posição frontal. Essa personagem recebe a maioria dos ataques dirigidos a um único alvo, enquanto os dois que se encontram atrás recuperam mais rapidamente o recurso necessário para utilizar habilidades. Podemos alterar esta formação a qualquer momento e colocar um elemento mais resistente à frente antes de um ataque. Esta combinação entre turnos e decisões em tempo real cria confrontos mais ativos do que é habitual no género. Também torna os primeiros momentos algo confusos, já que nem sempre é fácil acompanhar tudo o que está prestes a acontecer.

Alguns combates poderiam igualmente terminar mais depressa. Certos inimigos apresentam comportamentos defensivos ou deslocam-se lentamente pela barra, prolongando batalhas cujo resultado já parece decidido. A personalização permite adaptar os três membros a funções bastante diferentes, já que cada personagem utiliza um “Beat” como ataque básico, três “Mods” que determinam as suas habilidades, e vários “Patches” responsáveis por efeitos passivos, e é possível combinar estilos que à partida não deveriam funcionar em conjunto, e construir personagens muito diferentes dentro da mesma função. Com mais de uma centena de habilidades e dezenas de acessórios, existe espaço suficiente para experimentar várias composições. O jogo incentiva essa experimentação porque alguns inimigos são muito mais fáceis de derrotar quando utilizamos uma combinação de classes, estados e efeitos temporais. A evolução não depende apenas de subir de nível e aumentar valores, a escolha correta das habilidades pode ter mais importância do que alguns níveis adicionais. Alguns adversários obrigam a abandonar estratégias eficazes e a reconsiderar efeitos que pareciam pouco úteis.

Os estados negativos também podem ser aplicados aos “bosses”, permitindo reduzir a sua eficácia, atrasar ações ou criar oportunidades para causar mais danos. Isto evita que todos os confrontos importantes se resumam a utilizar repetidamente as técnicas mais fortes. A dificuldade nem sempre apresenta uma progressão equilibrada. Uma composição capaz de dominar vários combates pode revelar-se inadequada poucos minutos depois, o que incentiva a personalização mas também pode obrigar a passar demasiado tempo nos menus à procura de uma resposta específica. O novo modo de dificuldade fácil reduz a pressão para quem está mais interessado na história e no humor. No extremo oposto, a Mad Zone traz desafios adicionais para jogadores que pretendam continuar a testar as diferentes combinações depois de dominarem a campanha. Os objetos consumíveis utilizam igualmente uma solução pouco habitual: depois de comprada, cada peça mantém-se disponível no inventário e a sua utilização gasta uma reserva comum. Não é assim necessário acumular várias unidades do mesmo artigo, a decisão passa a estar na forma como o distribuímos.
A campanha dura entre quinze e vinte horas, dependendo do número de “Side Gigs” e do tempo dedicado à exploração. O jogo apresenta conteúdo opcional suficiente para justificar alguns desvios, mas termina antes de os seus sistemas se tornarem demasiado repetitivos. Visualmente, Deathbulge: Battle of the Bands mantém o desenho expressivo da BD original. As personagens, os cenários e as animações foram criados à mão, dando à experiência uma apresentação imediatamente reconhecível. A quantidade de retratos, expressões e movimentos é impressionante. As personagens reagem às situações de formas distintas e parte do humor é transmitida apenas pelas animações, sem depender de mais uma linha de diálogo. A banda sonora não se limita ao rock que domina a imagem promocional. As diferentes regiões e bandas utilizam estilos musicais próprios, o que ajuda a separar os locais e a dar mais personalidade aos confrontos. Num jogo construído em torno de uma competição musical, esta variedade acaba por ser uma das suas maiores qualidades. Na Nintendo Switch, a imagem mantém-se nítida e os menus podem ser lidos sem dificuldade no ecrã da consola. Algumas ilustrações apresentam uma definição inferior ao resto da apresentação, mas o desenho artístico continua a funcionar bem, mesmo se jogado como experiência portátil. Durante a exploração e os combates, o desempenho mantém-se estável durante a maior parte do tempo.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Grande liberdade na criação das personagens
- Direção artística expressiva e repleta de animações
- Banda sonora variada e bem integrada
Pontos negativos
- Progressão de dificuldade irregular
- Humor demasiado insistente em alguns momentos
- Sem tradução disponível

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.

