Super Mario Bros. Wonder – Nintendo Switch 2 Edition + Vamos ao Parque Belabel – Análise
Quando em novembro de 2023 analisámos Super Mario Bros. Wonder para a Nintendo Switch desfizemo-nos em elogios, e dissemos que se tratava de uma maravilha de Mario. Agora temos em mãos Super Mario Bros. Wonder – Nintendo Switch 2 Edition + Meetup in Bellabel Park (ou Vamos ao Parque Belabel na tradução para português), talvez o nome seja demasiado longo mas o que realmente importa é o que se encontra por trás do nome: trata-se de uma versão revista e aprimorada do jogo original, e que conta com conteúdo adicional.

Começando pelo mais óbvio, podemos dizer que se trata de uma nova versão mais bonita, com um desempenho superior, e que mantém tudo o que fez do original uma marvilha. As mecânicas de jogabilidade são as mesmas, e este continua a ser um dos melhores jogos em 2D da série Super Mario, agora com um visual atualizado para a Nintendo Switch 2 graças a uma resolução mais elevada e um desempenho mais competente com uma fluidez de sessenta fotogramas por segundo. Não se trata de um salto de gigante, mas porta-se bem e satisfaz os olhos de quem gosta de um belo Mario em 2D, da sua profusão de cores e das suas animações. O ponto alto de cada nível – o Efeito Fenomenal que nos permite apanhar uma Flor – não muda, e continua a apresentar secções que têm tanto de mágico como de psicadélico. Embora seja sempre bom voltar a pegar nestes níveis, seria melhor se esta nova edição nos oferecesse mundos inteiramente novos e originais, com a mestria a que a Nintendo sempre nos habituou.
Se é verdade que não temos mundos novos, isso não quer dizer que a experiência a solo não tenha algumas diferenças em relação ao original. Em cada mundo vamos ter a oportunidade de enfrentar um dos sete filhos de Bowser num combate singular e que funciona como um “boss” de bónus. Os combates nunca são extraordinariamente difíceis mas encontram-se muito bem desenhados e encaixam perfeitamente na filosofia e universo Mario. Se em matéria de destreza e coordenação de movimentos, o combate com Iggy Koopa é o mais desafiante para os menos experientes, no que diz respeito à originalidade das mecânicas e apresentação, o combate com Morton Koopa Jr. é o que mais se destaca. Estes combates com os Koopalings são muito bem integrados no enredo do jogo – sim, o enredo parco mas presente que inseriu estas participações dos filhos de Bowser na componente do Parque Belabel, um novo espaço que além dos combates com a prole de Bowser nos traz ainda uma série de minijogos e desafios, a solo e em multijogador, e que é uma das grandes atrações desta versão de Wonder para a Nintendo Switch 2.

É justamente nos minijogos que a vertente multijogador mais se afirma. Não sendo muito plausível centrar um jogo de plataformas em torno de uma experiência multijogador, esta versão de Wonder para a Switch 2 optou antes por pedir emprestado um pouco da fórmula à série Mario Party. Seja em multijogador local (incluindo em GameShare) ou online, é possível entrar numa série de minijogos que apesar de não serem extraordinariamente originais, são suficientemente divertidos para uma experiência com amigos – e aqui a palavra “amigos” é usada simultaneamente num sentido afetuoso e técnico, já que é necessário ter os códigos de amigo para jogar online. É também possível percorrer os níveis do jogo com assistência cooperativa de outro jogador, representado por Luma e que faz recordar uma vertente semelhante em Super Mario Galaxy. Tal como no original, os mais pequenos e menos experientes podem jogar sem sofrer danos mas agora isso é permitido a todas as personagens, enquanto no original só podia ser feito com os Yoshis e com Nabbit (ou Coelharápio na tradução portuguesa). No que diz respeito às personagens, esta versão ainda dá as boas-vindas a Rosalina, que se junta ao elenco.
Quem prefere jogar a solo vai encontrar desafios adicionais no referido Parque Belabel, a que acedemos quando visitamos o Toad Brigade Training Camp. Não se tratam de níveis no sentido habitual, mas sim de dezenas de dezenas de desafios onde temos de cumprir um objetivo específico como chegar ao fim do percurso dentro de um limite de tempo ou eliminar todos os inimigos dentro de um limite de tempo curto. A dificuldade destes desafios cresce à medida que avançamos e no final, vamos poder combater contra versões mais poderosas dos filhos de Bowser. Trata-se de uma adição bem-vinda, que dá mais um toque à componente a solo desta versão Switch 2 de Wonder e que contribui para uma experiência mais divertida, sobretudo para quem já conheça os níveis suficientemente bem.
Posto isto, como é que esta versão Switch 2 de Super Mario Bros. Wonder se sai? O jogo-base mantém-se, com algumas alterações bem-vindas que o tornam visualmente mais bonito (sem o refazer de alto a baixo), mais acessível para quem não tiver experiência de jogos de plataformas em 2D, e com desafios e minijogos divertidos. Por outro lado, e tendo como base um jogo com menos de três anos que foi um sucesso de vendas, a experiência pode trazer pouco de novo e o conteúdo adicional, embora bem-vindo, acaba por ser um bónus que pouco toca no núcleo da jogabilidade. Sim, os minijogos em multijogador e os desafios a solo, bem como os combates com os Koopalings, são divertidos e merecem atenção. Mas Super Mario Bros. Wonder não é um “party game” nem um conjunto de minijogos, seria ainda melhor que esta versão contasse com novidades mais ambiciosas a nível do desenvolvimento do jogo, e que estas estivessem ligadas ao núcleo da experiência. Mundos novos, com um desenho e níveis inéditos, assentariam que nem uma luva e seriam uma melhor forma de justificar o preço de venda do Pack de Melhoria. Quem não conhece o original pode aqui aceder a tudo, incluindo ao original para Nintendo Switch, que também é possível jogar a partir desta versão – tudo ao preço de um jogo para Switch 2, obviamente.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Continua a ser um belíssimo jogo de plataformas 2D
- Novas opções de acessibilidade para os menos experientes
- Desafios adicionais interessantes
Pontos negativos
- Poucas alterações substanciais a solo
- Sem mundos novos
- Minijogos competentes mas esperava-se mais

Apreciador de jogos de outras épocas, não diz que não a uma boa obra dos nossos tempos. Diz-se que é por ele que passam os textos antes da publicação, o que significa que é uma espécie de boss final da escrita para os outros membros da equipa.

