SiN Reloaded: Nintendo Switch 2 Edition – Análise
A Nightdive Studios tem recuperado vários jogos de ação que de outra forma dificilmente teriam chegado às consolas atuais. SiN: Reloaded é mais um desses regressos, desta vez a partir de uma obra da Ritual Entertainment lançada para PC em 1998. A chegada próxima de Half-Life acabou por limitar a sua visibilidade, mas SiN tinha ideias interessantes na forma como combinava os confrontos com a exploração e a interação com os cenários. Quase três décadas depois, essas qualidades continuam presentes, acompanhadas por algumas limitações que este “remaster” não resolve por completo.

O enredo coloca-nos no papel de John R. Blade, responsável por uma força de segurança privada na cidade de Freeport. O que começa como uma intervenção num assalto conduz a uma investigação sobre a U4, uma droga capaz de alterar o ADN humano. Pelo caminho encontramos a SinTEK Industries e a sua líder, Elexis Sinclaire, cuja ligação a experiências genéticas explica a presença de criaturas cada vez menos humanas. É um enredo simples, mas adequado a uma aventura onde o protagonista prefere resolver os problemas com uma arma na mão. A relação entre Blade e o seu companheiro J.C., que o acompanha através das comunicações, dá alguma personalidade ao enredo. As provocações e os comentários sobre o que acontece nos níveis mantêm um ambiente próximo dos filmes de ação da época mas o humor nem sempre resulta, e a insistência em algumas piadas torna-se cansativa. Ainda assim, o exagero das personagens combina com o mundo apresentado e ajuda a distinguir SiN de outros jogos do género.
É nos combates que a experiência continua a funcionar melhor. A movimentação é rápida, os inimigos obrigam a reagir constantemente e o arsenal apresenta alternativas suficientemente diferentes para justificar a troca frequente de equipamento. As pistolas, a caçadeira e as armas automáticas dão lugar a opções mais destrutivas à medida que avançamos. A eficácia de cada uma depende da distância e da situação, e encontrar a arma certa para ultrapassar um grupo de adversários dá uma satisfação imediata. O local onde acertamos também tem importância. Os inimigos podem ter proteção em diferentes partes do corpo, pelo que disparar indiscriminadamente não é a melhor solução. O mesmo princípio aplica-se a Blade, cuja proteção depende das peças de armadura apanhadas. É uma mecânica simples, mas acrescenta algum cuidado à escolha dos alvos e à gestão do equipamento, sem comprometer a rapidez da ação.

Os cenários apresentam vários elementos com que podemos interagir. Computadores, câmaras de vigilância e mecanismos têm funções concretas, e vale a pena observar o espaço antes de avançar. Algumas situações permitem abordagens diferentes, enquanto o cumprimento de determinados objetivos pode alterar o percurso da campanha. Esta estrutura dá interesse à exploração e oferece razões para repetir a aventura, sobretudo a quem gosta de descobrir caminhos que deixou passar na primeira tentativa. O problema está na irregularidade dos níveis. Há momentos em que os objetivos são claros e a progressão decorre a bom ritmo, mas também há passagens onde ficamos à procura de um objeto ou de uma interação pouco evidente. Regressar a um local porque ainda existe algo por descobrir faz sentido; já percorrer repetidamente o mesmo espaço sem perceber o que falta fazer é muito menos interessante. Algumas sequências com veículos também interrompem o ritmo e ficam abaixo da qualidade dos confrontos a pé. A Nightdive tentou mitigar parte destes inconvenientes, foram acrescentadas indicações sobre objetos importantes, revistas algumas áreas para diminuir deslocações desnecessárias e ajustado o equilíbrio das armas e dos danos. Estas alterações tornam o jogo mais acessível e menos dependente da tentativa e erro, embora não eliminem todas as situações frustrantes. A dificuldade continua a exigir atenção, sobretudo quando vários inimigos atacam de posições diferentes.
A adaptação aos comandos inclui uma seleção de armas em roda e opções para ajustar os controlos. Na Nintendo Switch 2, os controlos por movimentos permitem corrigir a mira através de pequenos movimentos do comando, uma alternativa útil para quem prefere combinar esta função com os analógicos. É também possível utilizar os Joy-Con 2 como rato, uma opção interessante num jogo originalmente pensado para rato e teclado. Visualmente, as novas texturas, os modelos revistos e as alterações à apresentação tornam SiN bastante mais agradável de acompanhar. Continua a ser fácil reconhecer a origem do jogo, sobretudo nas animações e na simplicidade de alguns espaços. A possibilidade de alternar entre os visuais de Reloaded e os de SiN Gold permite perceber melhor o trabalho realizado, e é um extra interessante para quem tem curiosidade pela versão original. A banda sonora acompanha bem os confrontos e contribui para a energia da aventura. O trabalho de recuperação do áudio também merece destaque, incluindo música com melhor qualidade e diálogos que não tinham sido utilizados no jogo original. As vozes mantêm o tom exagerado das personagens, enquanto as legendas em português facilitam a compreensão da história e das indicações recebidas durante as missões.
A inclusão de Wages of SiN aumenta consideravelmente a dimensão do conjunto. Esta expansão prolonga a história de Blade, apresenta novos adversários e acrescenta armas e missões. A campanha principal pode ocupar dez a doze horas, às quais se juntam aproximadamente cinco a seis horas da expansão, dependendo da dificuldade e do tempo dedicado à exploração. As diferenças nos percursos e os objetivos adicionais ajudam a prolongar esse tempo sem depender apenas da repetição dos mesmos confrontos. Existe ainda uma galeria com ilustrações, vídeos e materiais relacionados com o desenvolvimento e promoção do jogo original. Estes conteúdos têm um interesse particular para os fãs, permitindo conhecer melhor um jogo que durante muitos anos ficou limitado ao PC. Quem já tiver a versão para a Nintendo Switch pode aceder gratuitamente à edição Switch 2.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Combate rápido e arsenal variado
- Cenários com vários elementos interativos
- Diferentes percursos incentivam a repetição
- Expansão Wages of SiN incluída
- Legendas em português
Pontos negativos
- Progressão pouco clara em alguns níveis
- Sequências com veículos menos conseguidas
- Humor torna-se repetitivo

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.

