The Witcher 3: Wild Hunt – Remastered – Análise
Quando The Witcher 3: Wild Hunt chegou à Nintendo Switch em 2019, a surpresa estava em conseguir transpor uma aventura daquela dimensão para uma consola portátil. Os compromissos na qualidade visual e desempenho eram evidentes, mas explorar o mundo de Geralt sem depender de um ecrã de televisão tinha um apelo difícil de ignorar. Sete anos depois, The Witcher 3: Wild Hunt – Remastered chega à Nintendo Switch 2 em simultâneo com as outras plataformas e volta a surpreender. Desta vez o destaque está na qualidade da adaptação, que preserva a liberdade de jogar em qualquer lado e reduz substancialmente as baixas na componente gráfica da versão anterior.

Remastered reúne a aventura principal, bem como os conteúdos adicionais Hearts of Stone e Blood and Wine, e traz alterações ao combate, à progressão, à interface e às opções de acessibilidade. O resultado interessa tanto a quem chega pela primeira vez como a quem conhece os inconvenientes do original. A dimensão continua a ser impressionante, mas é a redução de pequenas dificuldades na utilização dos sistemas que dá a este regresso uma parte importante do seu valor. O combate combina golpes de espada, movimentos evasivos, sinais mágicos, bombas e preparação através da alquimia. Consultar o bestiário e utilizar recursos adequados a cada criatura faz parte da identidade de Geralt enquanto caçador profissional. Nas dificuldades mais elevadas, essa preparação ganha importância e evita que os confrontos se limitem a repetir ataques. Este “remaster” melhora as animações dos combates, acrescenta finalizações e introduz uma câmara dinâmica que procura enquadrar melhor os adversários. A movimentação de Geralt também recebe ajustes nas transições, na escalada e na passagem de obstáculos. Estas alterações tornam a ação mais coesa, embora ainda se note alguma leveza nos movimentos. O combate beneficia da revisão, mas continua a ser menos convincente do que a escrita e a construção do mundo.
O enredo acompanha Geralt de Rivia na procura de Ciri, a jovem que considera sua filha e que está a ser perseguida pela Caçada Selvagem. O conflito estende-se por um mundo marcado pela guerra, intolerância e miséria, onde os monstros nem sempre são as figuras mais perigosas. Apesar de ser o terceiro capítulo de uma série, a relação entre Geralt e Ciri é um centro emocional suficientemente claro para orientar quem desconhece os jogos anteriores. O enredo continua a ser a grande força da aventura. As personagens têm interesses próprios, ocultam informações e obrigam-nos a escolher entre soluções pouco satisfatórias. Um contrato aparentemente simples pode revelar uma tragédia familiar ou colocar em causa a versão apresentada por quem nos contratou. Estas histórias dão peso às decisões e tornam a exploração mais interessante do que a simples procura de equipamento ou experiência. Velen, Novigrad e Skellige apresentam ambientes muito diferentes, desde povoações devastadas e pântanos até uma cidade movimentada e ilhas de paisagens imponentes. O mundo tem escala, mas também consegue transmitir diferenças sociais e culturais entre regiões. Há atividades mais repetitivas, sobretudo quando tentamos limpar todos os pontos de interesse do mapa, e a utilização dos sentidos de bruxo para seguir pistas torna-se previsível. Ainda assim, a qualidade das histórias associadas aos percursos ajuda a manter a curiosidade.

A progressão é uma das mudanças mais relevantes. As capacidades passam a estar organizadas numa estrutura de árvore com relações diretas entre habilidades, substituindo a necessidade de gastar pontos numa categoria para alcançar os níveis seguintes. Isto torna mais claro o caminho até às capacidades pretendidas para desenvolver uma especialização. Continua a ser necessário equipar as habilidades nos espaços disponíveis, pelo que desbloquear uma capacidade não significa beneficiar automaticamente dela. O equilíbrio das habilidades e das suas combinações também foi revisto. Para quem já conhece o sistema anterior, existe uma razão concreta para voltar a olhar para as possibilidades de desenvolvimento de Geralt. As salvaguardas do jogo original são compatíveis, mas os pontos relativos às habilidades são repostos para redistribuição. É uma consequência compreensível da reorganização, e permite adaptar uma personagem existente à nova estrutura.
Há também melhorias menos vistosas mas com impacto considerável. Apanhar objetos sem desmontar de Roach reduz interrupções, enquanto a possibilidade de agrupar objetos próximos numa única janela simplifica a exploração. O sistema de alteração visual do equipamento permite ainda escolher a aparência sem sacrificar atributos, pelo que uma boa peça não tem de significar má estética. As opções de acessibilidade merecem igualmente destaque. É possível ignorar o peso dos objetos, impedir o desgaste do equipamento ou retirar o limite de oxigénio debaixo de água. A configuração Bard’s Ballad reúne opções destinadas a simplificar a experiência para quem prefere concentrar-se na aventura. A vantagem está na possibilidade de ajustar estas escolhas, preservando os sistemas que interessam a cada jogador e reduzindo os que apenas colocam obstáculos ao seu ritmo.

Na Nintendo Switch 2, a evolução visual face ao jogo original é substancial. Vegetação, texturas, sombras e efeitos de luz dão maior consistência aos cenários, enquanto as personagens estão menos condicionadas pela definição mais baixa. O trabalho artístico beneficia bastante com esta melhoria. As florestas, os interiores e as povoações têm mais pormenor e transmitem melhor o ambiente de cada região. Mas ainda se notam limites, a reconstrução de imagem através de DLSS apresenta um resultado mais limpo, mas a imagem ainda se apresenta um pouco desfocada e podem surgir artefactos em movimento. No ecrã da consola veem-se menos pormenores à distância mas a diferença em relação ao original é suficientemente grande para fazer desta a opção mais interessante.
Os comandos aproveitam várias funcionalidades da Switch 2. É possível apontar usando os controlos por movimentos, bem como controlar a câmara com a funcionalidade de rato dos Joy-Con 2. Há também gestos para ações como lançar sinais, utilizar consumíveis ou chamar Roach. Todas estas são alternativas opcionais. O ecrã tátil tem uma aplicação particularmente natural na navegação pelos menus e pelo mapa, estendendo-se também a Gwent. Num RPG em que consultamos regularmente missões, equipamento e localizações, isto facilita a interação. É também possível aceder a conteúdos criados pela comunidade através da integração de mod.io, o que alarga as possibilidades de personalização, embora dependa da disponibilidade e compatibilidade de cada mod com a plataforma. Para utilizar as salvaguardas feitas no jogo para a Switch original é preciso instalar as atualizações.
A inclusão dos DLC é outro dos grandes argumentos desta edição. Hearts of Stone apresenta um enredo mais concentrado, focado em Olgierd von Everec e num pacto cujas consequências vão muito além do que parece estar em causa. Blood and Wine leva-nos até Toussaint, uma região de vinhas, cavaleiros e paisagens luminosas que esconde os seus próprios horrores. A diferença de escala e de ambiente entre ambas traz variedade e prolonga a aventura com conteúdo que merece ser descoberto. Entre a campanha, as expansões, os contratos, as histórias secundárias e Gwent, há conteúdo que vai além das cem horas. A banda sonora continua a dar uma identidade forte às regiões e aos confrontos, enquanto as interpretações das personagens ajudam a sustentar os diálogos mais longos. Quem tiver The Witcher 3 na Switch pode obter gratuitamente esta edição para Switch 2, que é descarregada separadamente e tem o seu próprio ícone no menu da consola. Para 2027 está previsto o DLC Songs of the Past, que será vendido separadamente.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Enredo e personagens memoráveis, e com dois excelentes DLC incluídos
- Progressão e interface melhoradas, e opções de acessibilidade
- Grande evolução face ao original e atualização gratuita
Pontos negativos
- Imagem menos definida no ecrã da consola
- Algumas quebras de fluidez

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.

