Disgaea Mayhem – Análise
Disgaea Mayhem é um jogo que não deveria fazer parte da série que lhe dá nome. E dizemos isto em todos os aspetos possíveis, já que na grande maioria da sua apresentação, Disgaea Mayhem leva-nos a crer que poderia ser uma continuação da série de RPGs táticos por turnos, com todos os sistemas que conhecemos incluídos no seu conjunto. Infelizmente, é aqui que o verniz estala e começamos a perceber como esta obra saiu mal.

O protagonista é o mercenário N.A., a nossa única personagem jogável, que é contratado pela Princesa do Netherworld, Tichelle, para descobrir quem comeu o seu pudim. Partimos então para uma aventura pelo Netherworld em busca dos patifes, num percurso dividido em episódios distintos, culminando em cada um dos generais que pertencem ao exército da Princesa. Cada episódio está separado em vários mapas de combate, tal como os jogos originais da série, com a diferença que neste caso trata-se de um jogo de ação com um mapa semi-aberto. Disgaea Mayhem é algo muito mais próximo do que se encontra nos jogos da série Dynasty Warriors, por exemplo, onde temos grupos de inimigos que temos de vencer e que não são muito desafiantes, até chegarmos ao objetivo principal.

Infelizmente é aqui que acabam as comparações a Dynasty Warriors. Seria magnífico dizer que Disgaea Mayhem consegue equiparar-se a algo que tem décadas de desenvolvimento iterativo, mas nem se consegue aproximar de algo semelhante ou de qualidade reconhecida. Durante toda a campanha principal não existe mais nenhum objetivo em cada mapa além de derrotar um número especifico de inimigos, para depois termos o mesmo objetivo um pouco mais à frente, até culminar na vitória. A única exceção a esta regra ocorre durante os mapas finais, com a batalha contra o “boss” da zona, e que decorre num formato de um contra um. A escassez de variedade na travessia do mapa e a falta alarmante de objetivos mais substanciais e mais interessantes leva a que cada episódio seja um aborrecimento tremendo para o jogador. Para uma campanha que demora perto das quatro horas para terminar e com muito pouco a fazer depois disso, a variedade apresentada é muitíssimo parca.

Parte desta falta de criatividade no desenho dos mapas e nos momentos de ação, onde se encontram demasiados problemas de deteção de colisões e para manter o alvo no sistema de mira fixa (juntamente com o bloqueio do movimento a usar habilidades ou ataques simples), torna toda a experiência extremamente desagradável de jogar. Mesmo com todas as ajudas de sistemas provenientes dos jogos de táticas como a Dark Assembly, o Item World e o sistema de Magichange, não se consegue aprimorar o que é obviamente uma coisa experimental a ser vendido como produto completo e equiparado aos predecessores. Tudo isto sem termos ainda falado das questões mais evidentes da sua apresentação. Visualmente, Disgaea Mayhem é um jogo bastante pobre e com problemas graves de desempenho, mesmo numa Switch 2, e sem estabilidade na fluidez que muitas vezes cai abaixo dos trinta fotogramas por segundo. A resolução também sofre bastante. Mesmo com a possibilidade de se escolher entre dois modos, um mais baseado na qualidade e outro no desempenho, nenhum dos dois consegue exibir uma resolução suficientemente satisfatória e limpa. Além disso, todo o diálogo momentâneo durante os mapas é apresentado apenas em texto, na lateral do ecrã, mesmo quando deparados com os inimigos principais ou até em momentos de exposição no mapa que poderiam aliviar um pouco os momentos mais parados, embora exista diálogo vocalizado nas secções principais.
É muito infeliz ver que uma série tão elogiada pelas suas ideias originais e mecânicas absurdas está agora representada num jogo tão insípido e vazio de criatividade em todos os aspetos da sua criação. A falta de variedade em objetivos e mecânicas criativas num Disgaea é uma enorme desilusão, ainda mais depois de saber o preço elevado a que a NIS achou que este título deveria ser vendido ao público.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Mantém fiel o espírito da série
Pontos negativos
- Falta de cuidado na apresentação
- Sistemas mal implementados
- Enredo fraquíssimo, mesmo comparado aos outros jogos

O chicote que mantém a máquina a funcionar. Entusiasta pela indústria e com um gosto variado, mas com um especial amor por JRPG, nunca deixa escapar uma boa promoção e por consequência tem uma coleção maior do que alguma vez poderá ter tempo para a terminar.

