AnálisesSwitch 2

EA Sports FC 27 – Análise

A relação entre o futebol da EA e as consolas Nintendo já conheceu dias bastante piores. Durante demasiado tempo quem jogava na Nintendo Switch recebia versões secundárias, enquanto PlayStation e Xbox avançavam com novos modos, tecnologias e mudanças na jogabilidade. Essa diferença começou finalmente a desaparecer com EA Sports FC 24 e, na Nintendo Switch 2, a série já oferece praticamente o mesmo conteúdo das outras plataformas atuais. EA Sports FC 27 continua esse caminho, mas chega também num momento em que já não basta dizer que a versão Nintendo é completa. A Switch 2 tem capacidade para mais e, depois de FC 26, havia sobretudo uma questão por resolver: quando é que a EA vai finalmente levar o futebol aos 60 fotogramas por segundo? A resposta, infelizmente, continua a ser ‘este ano, ainda não‘.

Dentro de campo, as alterações não transformam completamente o que conhecemos de FC 26, mas tornam os jogos mais agradáveis. Há uma maior sensação de controlo sobre a bola, os melhores jogadores distinguem-se mais pela capacidade de acelerar, proteger a posse ou executar movimentos em espaços reduzidos e os colegas procuram linhas de passe de forma mais natural. Continua a existir aquele ritmo muito próprio da série, onde algumas transições acontecem depressa demais e determinadas partidas podem transformar-se numa sucessão de ataques, mas há um equilíbrio melhor entre velocidade e construção. Quando duas equipas semelhantes se encontram, existe agora mais espaço para trabalhar uma jogada em vez de apenas procurar o jogador mais rápido junto à linha. A defesa também exige mais atenção. Ficar apenas com um médio a fechar espaços enquanto a inteligência artificial trata de tudo o resto já não é uma solução tão segura e isso acaba por beneficiar o jogo. Trocar rapidamente de jogador, antecipar um passe ou escolher o momento certo para atacar a bola passa a ter mais importância. Há naturalmente situações menos conseguidas, sobretudo quando uma animação interfere com uma entrada ou um guarda-redes decide ter um daqueles momentos difíceis de explicar, mas no geral existe uma maior sensação de responsabilidade. Quando se sofre um golo depois de abrir demasiado espaço entre um central e um lateral, é mais fácil perceber onde esteve o erro. Não estamos perante uma simulação radicalmente diferente, nem seria razoável esperar isso de uma série anual, mas são pequenas alterações que tornam as partidas menos automatizadas. E mantém-se a separação entre simulação e competitivo para partidas mais pausadas e táticas ou mais rápidas e intensas.

Fora das quatro linhas, The Grounds é a principal novidade. A ideia passa por criar um espaço mais social onde a personagem do jogador pode participar em formatos diferentes de futebol, incluindo partidas reduzidas e atividades associadas ao Clubs. Há claramente uma tentativa de dar à série um local onde se possa entrar para jogar algo mais descontraído, sem a estrutura tradicional de onze contra onze. A ideia funciona e traz variedade, sobretudo quando se joga com amigos, mas na Nintendo Switch 2 existe uma questão importante. Sem “cross-play” com as outras plataformas, o sucesso deste tipo de modo depende muito da dimensão e atividade da comunidade Nintendo. O Ultimate Team continua a ocupar grande parte da experiência online. A Galeria FUT é uma das alterações mais interessantes porque passa a dar algum significado às cartas que já passaram pelo clube, mesmo depois de serem vendidas ou utilizadas noutros processos. É uma ideia simples, mas ajuda a transformar a coleção numa espécie de registo da época em vez de desaparecer tudo assim que uma carta deixa o plantel. Mantém-se um problema: o mercado da versão Switch 2 continua separado, o que significa menos jogadores, menos cartas em circulação e uma economia que pode portar-se de forma diferente das outras plataformas. Para quem vive praticamente dentro do Ultimate Team, é uma limitação que pesa mais do que qualquer diferença gráfica.

Curiosamente, é na Carreira que a versão Switch 2 acaba por fazer mais sentido. O mercado de transferências está mais interessante, e contratar um jogador deixou de parecer apenas uma sequência previsível de menus. Há maior concorrência entre clubes, mais elementos a considerar nas negociações, e uma sensação de que construir um plantel exige um pouco mais de atenção. Não é a remodelação profunda que se pedia há anos, mas há trabalho suficiente para tornar uma nova época mais interessante. E aqui desaparecem também algumas das desvantagens do online. Não importa quantas pessoas estão ligadas ou qual é o tamanho do mercado. Basta pegar na consola e continuar a época. É precisamente nessa utilização portátil que EA Sports FC 27 encontra um dos seus maiores argumentos. Uma Carreira encaixa muito bem em sessões mais curtas, seja para completar duas jornadas, ajustar o plantel ou avançar algumas semanas. A mesma lógica aplica-se a partidas rápidas ou a pequenos momentos no Ultimate Team. Há algo que continua a funcionar muito bem na possibilidade de ter uma experiência de futebol desta dimensão numa portátil, sem receber uma versão claramente reduzida.

O conteúdo também continua impressionante. Há centenas de clubes, milhares de jogadores, várias competições e estádios suficientemente reconhecíveis para que grande parte das partidas tenha identidade própria. É fácil dar estas licenças como adquiridas porque a EA construiu esta vantagem durante anos, mas continuam a fazer diferença. Começar uma Carreira num campeonato mais pequeno, contratar jogadores de ligas diferentes e chegar posteriormente às grandes competições europeias continua a transmitir uma sensação de escala que poucos jogos desportivos conseguem reproduzir. A apresentação acompanha essa dimensão. Os grandes estádios têm ambiente, os equipamentos e jogadores mais conhecidos apresentam bastante pormenor e a reação do público continua a ajudar a vender momentos importantes. Naturalmente, nem todos os rostos recebem o mesmo tratamento e basta afastarmo-nos das equipas de maior dimensão para encontrar modelos mais genéricos, mas o conjunto continua a mostrar qualidade. É também uma área onde a Switch 2 consegue manter uma apresentação bastante convincente, especialmente no seu próprio ecrã.

O grande problema continua a ser o desempenho. Os 30 fotogramas por segundo não tornam FC 27 impossível de jogar e, depois de algumas partidas, é perfeitamente possível adaptar-se. Ainda assim, num jogo onde a resposta dos controlos, a leitura de uma animação e a velocidade de uma jogada são tão importantes, 60 fps fariam uma diferença evidente. A Switch 2 já mostrou ter capacidade para experiências tecnicamente mais exigentes, como prova a série NBA 2K, pelo que esta limitação começa a parecer menos uma necessidade e mais uma questão que a EA ainda não resolveu. Quem alternar entre esta versão e outra a 60 fps vai sentir imediatamente a diferença. Isso não significa que a conversão seja má. Os menus estão mais agradáveis, a navegação é rápida e a experiência geral é muito mais próxima do que se espera de uma edição moderna da série. A resolução e o tamanho do ecrã da Switch 2 também ajudam a disfarçar algumas diferenças perante versões mais poderosas. O problema é precisamente esse. Está quase tudo próximo desses parâmetros para que os 30 fps se destaquem ainda mais.

Para quem já passou muitas horas em FC 26, esta é provavelmente a questão mais difícil. A jogabilidade está melhor, a Carreira recebeu alterações interessantes e The Grounds acrescenta algo novo, mas não existe uma mudança tão grande que torne a passagem obrigatória. O modelo anual continua a tornar difícil justificar uma compra todos os anos para quem joga sobretudo offline. Para alguém que vem de uma edição mais antiga, FC 27 é muito mais fácil de recomendar. Há conteúdo para centenas de horas e entre as opções disponíveis na Nintendo Switch 2, continua a ser o pacote de futebol mais completo.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
8 10 0 1
EA Sports FC 27 é uma edição competente e provavelmente, a versão de futebol da EA mais completa que uma consola Nintendo alguma vez recebeu. A jogabilidade apresenta melhorias suficientes para tornar os jogos mais agradáveis, a defesa exige maior participação e a Carreira continua a ser uma excelente companhia para o formato portátil. The Grounds acrescenta variedade e a Galeria FUT é uma boa ideia, embora a ausência de "cross-play" e o mercado separado do Ultimate Team continuem a colocar a versão Nintendo Switch 2 numa posição menos favorável no online. O maior problema continua a ser o desempenho de 30 fotogramas por segundo. Num "hardware" onde já se espera mais, é uma limitação cada vez mais difícil de justificar.
EA Sports FC 27 é uma edição competente e provavelmente, a versão de futebol da EA mais completa que uma consola Nintendo alguma vez recebeu. A jogabilidade apresenta melhorias suficientes para tornar os jogos mais agradáveis, a defesa exige maior participação e a Carreira continua a ser uma excelente companhia para o formato portátil. The Grounds acrescenta variedade e a Galeria FUT é uma boa ideia, embora a ausência de "cross-play" e o mercado separado do Ultimate Team continuem a colocar a versão Nintendo Switch 2 numa posição menos favorável no online. O maior problema continua a ser o desempenho de 30 fotogramas por segundo. Num "hardware" onde já se espera mais, é uma limitação cada vez mais difícil de justificar.
8/10
Total Score

Pontos positivos

  • Jogabilidade mais equilibrada
  • Defesa exige maior intervenção do jogador
  • The Grounds traz variedade
  • Quantidade enorme de clubes, jogadores e competições

Pontos negativos

  • Continua limitado a 30 fotogramas por segundo
  • Ausência de "cross-play" com outras plataformas
  • Mercado do Ultimate Team separado

Nuno Nêveda

Calorias, nutrientes e Nintendo. Três palavras que definem o maior fã de F-Zero cá do sítio. Adepto de hábitos alimentares saudáveis, quando não anda atrás de uma balança, costuma estar ocupado com as notícias mais prementes e as análises mais exigentes.

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