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Sniper Dan – Análise

Sniper Dan foi um dos jogos que experimentámos na Gamescom 26. Esta produção “indie” do estúdio britânico Denki e que chega à Nintendo Switch e Switch 2 pela mão da Pqube é um jogo onde apesar do nome, não há qualquer ato de violência. Sim, o protagonista é um atirador com uma espingarda própria para a sua função. Não, não vamos matar nem ferir ninguém, muito pelo contrário. Em Sniper Dan o nosso trabalho (sim, trata-se do emprego de Dan) é ajudar as pessoas a resolver pequenos contratempos do dia-a-dia, alguns mais plausíveis do que outros, utilizando a nossa arma.

O jogo apresenta-nos uma lista de objetivos em cada nível e para os cumprir, apenas podemos usar a nossa arma. É preciso ligar o radar do aeroporto mas não há eletricidade? Usamos a espingarda para disparar contra os manípulos do gerador e voilà!, o radar funciona. Dois golfinhos querem brincar com uma bola de praia que foi parar ao cais? Dispara-se contra a bola, ela cai à água e os golfinhos ficam contentes. Um homem quer afinar o seu cavaquinho para fazer uma serenata à janela da sua amada? Disparamos contra as cravelhas e o instrumento fica afinado. Tudo isto tem de seguir um princípio constante: nunca podemos disparar contra pessoas ou animais, caso contrário falhamos o objetivo.

Divertido, sobretudo quando encontramos uma série de objetivos uns atrás dos outros, e a arma é suficientemente precisa para não falharmos a pontaria se nos concentrarmos, mas pode tornar-se frustrante quando demoramos tempo a encontrar o que procuramos. Os objetivos propriamente ditos são apresentados através de descrições muito curtas, algumas mais óbvias, outras mais crípticas. O maior desafio é justamente encontrar o objetivo com base na descrição. Os níveis, cinco se não contarmos com o tutorial, são densamente povoados por pessoas e animais ocupados com os seus afazeres. É aqui que se nota a influência de Onde Está Wally?, e até vemos algumas referências diretas, embora a direção artística seja diferente. As pessoas e animais encontram-se em situações cómicas e absurdas, e observar os acontecimentos pela mira da nossa arma revela todo o tipo de coisas sem sentido. Percebe-se imediatamente que a criação do jogo provocou umas valentes gargalhadas no estúdio.

Cada nível está dividido em três dias, os objetivos mudam a cada dia e se regressarmos depois de sairmos do nível muitos dos objetivos mudam de sítio, o que ajuda a evitar que se torne repetitivo. Os pontos de reputação e dinheiro que recebemos dependem do desempenho. Se terminarmos cada dia dentro do tempo sugerido, sem falhar objetivos e sem usar pistas, recebemos uma pontuação máxima. Com mais pontos de reputação, desbloqueamos os próximos níveis, compramos pistas para usar em objetivos difíceis, e compramos minijogos. Com o dinheiro, que também se encontra escondido sob algumas caixas, arbustos, montes de palha, etc., compramos artigos como mobiliário de escritório, fatiotas para o nosso atirador, figurinhas, e melhorias para a nossa arma. Não são indispensáveis, mas é útil poder aumentar a capacidade de “zoom”, recarregar mais depressa, e aumentar o número de munições que podemos usar antes de recarregar. Para não ser demasiado rotineiro, após cumprir alguns objetivos temos de resolver emergências. Estas incluem roubos de melancias, um guindaste portuário descontrolado, ou pianos no meio de uma pista de aterragem. Tudo isto resolve-se, obviamente, com tiros. No final do terceiro dia e após cumprirmos os objetivos de cada nível temos até um “boss”, incluindo uma gamba gigantes e uma homenagem ao Donkey Kong original que se estreou nas “arcades” em 1981.

Além dos objetivos principais “à la” Onde Está Wally?, Sniper Dan inclui modalidades adicionais, como um modo cronometrado onde cada objetivo tem de ser cumprido dentro de um curto limite de tempo (faz lembrar um jogo “arcade” semelhante a Time Crisis, embora em moldes obviamente diferentes), e um modo onde as munições são limitadas e temos de encontrar cartuchos em pontos distintos do nível. Além disto, é também possível receber pedidos de pessoas que deixaram objetos nos níveis que já visitámos. Estes trabalhos contribuem para ganharmos dinheiro e reputação, e se o nível de desafio é interessante, o dinheiro começa a perder a sua importância a partir do momento em que já temos o que queremos. É também possível comprar um máquina fotográfica e tirar fotos de alguns momentos assinalados, bem como minijogos de “bowling”, ténis e hóquei de mesa, que apesar de serem razoavelmente divertidos, não nos trazem pontos adicionais. Os objetos que recebemos e que compramos são interessantes de início mas a partir de uma certa altura tornam-se supérfluos.

Sniper Dan faz tudo isto através de sistemas de controlo distintos. Podemos utilizar o “joystick” analógico para observar o panorama e apontar, mas na versão para Switch 2 é possível usar um dos Joy-Con como se fosse um rato. Este esquema é interessante, e aumenta a sensação de precisão comparado ao esquema convencional. É aliás recomendado que se utilize desde o primeiro momento, já que pode parecer estranho se estivermos habituados aos controlos comuns, exceto nos minijogos. Por outro lado, não inclui controlos por movimentos, o que seria uma excelente opção. Não há enredo nem desenvolvimento das personagens, mas isso pouco importa. Alguns objetivos são bastante simples de encontrar, outros são mais traiçoeiros, e em alguns casos a tradução para português (do Brasil) ajuda a compreender melhor o que se pede. Não é um jogo longo. É possível cumprir os objetivos principais e entrar nas outras modalidades em pouco mais de três horas, mas é um jogo que se recomenda para sessões curtas. Desafiante para o que propõe, mas o colecionismo de recompensas perde o interesse antes de terminarmos todos os trabalhos. Sniper Dan não tem uma componente multijogador, mas é perfeitamente possível de improvisar uma competição a dois (ou mais) em volta de uma consola.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
7 10 0 1
Sniper Dan é divertido e motivante q. b., e sabe apresentar o seu conceito com uma direção artística simples mas que lhe assenta que nem uma luva. Os objetivos vão do acessível ao frustrante, e os controlos são suficientemente precisos para não cometermos demasiados erros. Recomenda-se a versão Switch 2, que dá uma maior imersão à experiência. Por outro lado, as recompensas tornam-se rapidamente repetitivas, e os pequenos desafios têm mais piada do que os ganhos que nos trazem. O jogo é curto, mas sabe bem voltar a pegar-lhe ao fim de uns dias para refrescar a memória. Uma boa opção para quem goste de jogos que não se levam demasiado a sério.
Sniper Dan é divertido e motivante q. b., e sabe apresentar o seu conceito com uma direção artística simples mas que lhe assenta que nem uma luva. Os objetivos vão do acessível ao frustrante, e os controlos são suficientemente precisos para não cometermos demasiados erros. Recomenda-se a versão Switch 2, que dá uma maior imersão à experiência. Por outro lado, as recompensas tornam-se rapidamente repetitivas, e os pequenos desafios têm mais piada do que os ganhos que nos trazem. O jogo é curto, mas sabe bem voltar a pegar-lhe ao fim de uns dias para refrescar a memória. Uma boa opção para quem goste de jogos que não se levam demasiado a sério.
7/10
Total Score

Pontos positivos

  • Conceito bem implementado
  • Desafiante nos pontos certos
  • Controlos da versão Switch 2

Pontos negativos

  • Recompensas pouco interessantes a médio prazo
  • Minijogos trazem pouco à experiência

João Dias

Apreciador de jogos de outras épocas, não diz que não a uma boa obra dos nossos tempos. Diz-se que é por ele que passam os textos antes da publicação, o que significa que é uma espécie de boss final da escrita para os outros membros da equipa.

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