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Splatoon Raiders – Análise

Em busca de tesouro e riquezas, os membros da Deep Cut encontram-se a bordo de um helicóptero em rumo das ilhas Spirhalite, um arquipélago que surgiu recentemente nas Splatlands. Devido a um ataque, Shiver, Frye e Big Man são náufragos numa jangada, juntamente com o Mecânico, a nossa personagem. Com o objetivo de encontrar o tesouro deste misterioso arquipélago e desvendar os seus segredos, o Mecânico junta-se a um dos membros da Deep Cut a bordo de um misterioso robô e partimos à descoberta pelas pequenas ilhas de Spirhalite.

Splatoon Raiders é um título bastante diferente da série principal. Logo à partida posiciona-se como um jogo para um jogador, com bastantes elementos adaptados dos seus modos adicionais anteriores como a Octo Expansion de Splatoon 2 e a Side Order de Splatoon 3, com elementos “roguelike” e sistemas de melhoramento bastantes diferentes do habitual. A progressão é feita ao longo de vários níveis, cada um com o seu tipo de objetivo a cumprir. Desde níveis lineares que encorajam a exploração de um pequeno mapa, mais semelhante a um nível da campanha principal dos seus predecessores, como níveis que precisam do nosso companheiro robô para cavarmos até atingir o nível final. Nos níveis de exploração, a progressão acaba por revelar alguns fragmentos relevantes da história das ilhas, servindo como um tutorial para aprender a lidar com os tipos de inimigos que vamos encontrar pelo caminho. Já os níveis subterrâneos centram-se no combate puro e duro, com o objetivo de apanhar o número necessário de ovos dos Salmonid e avançar para o nível seguinte no espaço de um minuto. Existem também níveis de progressão por caminhos feitos para aprender a usar certas ferramentas ou que apresentam desafios específicos com cada uma, presenteando o jogador no final com um ponto de habilidade que poderá utilizar para melhoramentos permanentes. No entanto, estes níveis encontram-se escondidos, e são apenas acessíveis quando encontramos a bússola de cada nível que nos guia ao local.

A composição dos níveis e a sua progressão formam o foco principal do jogo, reforçado pelos sistemas acompanhantes. O sistema de níveis presente em todos os jogos da série está de regresso, mas em vez de desbloquear equipamento desta vez recebemos pontos de vida adicionais e um aumento dos danos que podemos infligir com as nossas armas. O vestuário, que sempre foi foco para as habilidades, é agora apenas cosmético e acessível através de certas ações. O poder e habilidades encontram-se nas armas que ganhamos aleatoriamente em cada nível, e no novo sistema de ferramentas que substitui os conjuntos que acompanhavam as armas nos jogos anteriores. Podemos personalizar o nosso tanque de tinta entre três tipos distintos, cada um com a sua especialidade, e cada tanque tem acesso inicialmente apenas às suas ferramentas especiais. Desde saltos espetaculares com uma explosão no fim, metralhadoras de tinta que podemos colocar no espaço, e machados que cortam em várias direções, existem ferramentas familiares e novas a descobrir por cada um dos tanques, que com o tempo permitem equipar e personalizar com ferramentas das outras especialidades.

Adicionalmente podemos ainda personalizar cada ferramenta com peças que a tornam mais poderosa, aumentam o alcance, ou mudam a forma como a ferramenta funciona, já que existe um limite de pontos totais para cada ferramenta que pode ser aumentado com os pontos de habilidade. Não são apenas as ferramentas a nosso dispor que nos auxiliam em combate. O robô que nos segue durante a viagem, pilotado por um dos membros de Deep Cut à nossa escolha, também serve de suporte em combate e dispara contra os Salmonid, além de servir de plataforma para saltar quando temos de explorar ou precisamos de limpar uma zona com muitos inimigos, com os poderes únicos de cada membro da equipa que nos ajudam a eliminar inimigos utilizando os ovos de Salmonid que recolhemos como moeda. Com o passar do tempo e com a frequência com que utilizamos cada membro eles podem vir a melhorar os seus poderes ou alterar alguns dos seus efeitos. O mesmo acontece com as armas, embora Splatoon Raiders trate deste sistema muito mais lentamente em comparação. Todas as armas são ganhas de forma aleatória conforme a progressão de cada nível, e a sua raridade aumenta conforme a dificuldade de cada desafio. Durante a campanha principal temos acesso a armas de quatro raridades distintas, cada uma com mais poder e habilidades que a anterior, com a possibilidade de melhorar a arma até cinco níveis acima do seu nível base. Ao completar a campanha principal os portões abrem para todo um mundo novo com estas armas, e desbloqueamos uma nova raridade que a partir daqui se torna a única que realmente vale a pena manter no nosso inventário. Além de ter o maior número de habilidades passivas disponíveis, é também possível trocar essas habilidades, bem como melhorar o nível da arma sem limite acima dos seus cinco níveis iniciais. Splatoon Raiders começa aqui a mostrar a sua forma final.

O modo campanha é relativamente simples e dedicado a mostrar a história do arquipélago, mas é depois da batalha final que se abrem as portas para um desafio muito mais ambicioso, com um modo de dificuldade “Extra Picante” em todos os níveis do jogo, bem como recompensas muito mais poderosas e um segredo final por desvendar. Em muito deste planeamento de progressão assemelha-se a jogos como Monster Hunter, ou a outros jogos “roguelite” onde temos uma progressão significativa e permanente, com a repetição de objetivos em níveis de dificuldade acrescidos em conteúdo já existente. Nada disto é para o detrimento do jogo, todo este sistema está equilibrado e feito para funcionar em sessões curtas, seja sozinho ou com amigos.

O modo cooperativo é desbloqueado relativamente cedo na campanha e permite juntar até quatro jogadores para explorar qualquer um dos objetivos, com a exceção dos níveis de habilidades. Isto funciona a nível local ou online, e podemos ainda auxiliar outros jogadores que precisem de ajuda através de um sistema que incentiva este tipo de apoio em troca de recompensas únicas. Neste modo de ajuda não temos acesso a nenhuma das recompensas que os Salmonids inimigos deixam, mas recebemos recompensas específicas pela nossa ajuda na conclusão do nível. Os inimigos aumentam os seus atributos conforme o número de jogadores presente, e se normalmente já seria uma experiência visualmente caótica com apenas um jogador, fica ainda mais caótico com quatro. O único senão disto é a pouca sinergia com as ferramentas diferentes, seria interessante ver algo mais criativo na presença de quatro jogadores se as ferramentas de cada um pudessem interagir com as outras para criar efeitos novos.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
9 10 0 1
Splatoon Raiders adapta a fórmula dos seus predecessores a uma experiência cooperativa excelente, com uma história que aprofunda mais do mundo que conhecemos e introduz muito mais variedade e expressão criativa às habilidades ao nosso dispor. Com uma campanha relativamente curta mas muito satisfatória e todo um novo nível de exigência após a conclusão, Splatoon Raiders mostra que a equipa consegue fazer uma experiência bastante robusta e singular, aumentando a fasquia de qualidade já anteriormente alcançada pelos seus conteúdos adicionais nos jogos anteriores.
Splatoon Raiders adapta a fórmula dos seus predecessores a uma experiência cooperativa excelente, com uma história que aprofunda mais do mundo que conhecemos e introduz muito mais variedade e expressão criativa às habilidades ao nosso dispor. Com uma campanha relativamente curta mas muito satisfatória e todo um novo nível de exigência após a conclusão, Splatoon Raiders mostra que a equipa consegue fazer uma experiência bastante robusta e singular, aumentando a fasquia de qualidade já anteriormente alcançada pelos seus conteúdos adicionais nos jogos anteriores.
9/10
Total Score

Pontos positivos

  • Ótima utilização de Splatoon para o estilo de jogo
  • Imensa variedade de inimigos
  • Extensa personalização de personagem e equipamento

Pontos negativos

  • Visualmente caótico nos níveis mais avançados
  • Demasiada confiança na arbitrariedade do equipamento

André Reis

O chicote que mantém a máquina a funcionar. Entusiasta pela indústria e com um gosto variado, mas com um especial amor por JRPG, nunca deixa escapar uma boa promoção e por consequência tem uma coleção maior do que alguma vez poderá ter tempo para a terminar.

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