Rhythm Paradise Groove – Análise
Há jogos da Nintendo sem personagens que reconhecemos imediatamente. Rhythm Paradise Groove para Nintendo Switch, o quinto jogo da série Rhythm Paradise (que começou no Game Boy Advance em 2006), é um deles. Faz parte de uma série de jogos de ritmo desenvolvida entre a Nintendo e a TNX cuja jogabilidade consiste em minijogos onde temos de realizar movimentos de acordo com o ritmo. Não há um enredo, nem um tema dominante a abordar. Há, isso sim, dezenas de minijogos de ritmo, a solo e em multijogador, no primeiro jogo da série desde Rhythm Paradise Megamix para a Nintendo 3DS (2015).

O ambiente visual e a natureza simples e rápida de muitos minijogos podem fazer lembrar WarioWare, mas Rhythm Paradise Groove é menos caótico e mais focado nos desafios do que no absurdo. Alguns dos minijogos são do mais direto e minimalista que existe, onde apenas temos de carregar no ‘A’ a intervalos regulares, enquanto outros implicam movimentos mais elaborados e um encadeamento correto de movimentos no momento certo. Num jogo de ritmo é fundamental que exista uma boa sincronização entre o que acontece no ecrã e o que ouvimos, e em Rhythm Paradise Groove podemos na maior dos casos prestar mais atenção às indicações visuais do que ao ritmo propriamente dito e mesmo assim conseguir uma boa pontuação. Quanto à natureza dos minijogos, incluem situações como apanhar legumes que voam numa cozinha, cortar espíritos com uma espada, ou saltar num para-brisas de um carro evitando o movimento dos limpa-para-brisas. Ninguém diz que têm ser reais ou plausíveis, basta que funcionem, e a grande maioria funciona bem. O jogo tem dezasseis níveis e cada nível tem quatro minijogos, seguido de um “remix” que junta fragmentos de cada um dispostos de forma rápida. O último nível é um conjunto de cinco “remixes”, e é aqui que a confusão se pode instalar em grande e obrigar o jogador a repetir o esforço algumas vezes.

Rhythm Paradise Groove não é demasiado exigente, e na maioria dos minijogos é possível atingir um bom desempenho à primeira, embora um desempenho perfeito seja mais difícil do que parece. Quando o iniciamos, o jogo começa logo por nos avisar ainda antes de aparecer o ecrã de título que pode haver um ligeiro desfasamento no som se estivermos a usar auscultadores sem fios, pelo que se recomenda usar os altifalantes da consola ou o som da televisão (ou auscultadores com fios, claro). A execução dos minijogos decorre sem problema, e em todos eles o jogo responde bastante bem e de forma imediata às ações do jogador, embora existam sempre alguns desafios com que não acertamos imediatamente e que acabam por ser mais frustrantes (como o minijogo de apanhar insetos com uma rede, por exemplo). Dito isto, convém realçar que a melhor forma de jogar Rhythm Paradise Groove não é num ecrã de televisão mas sim como jogo portátil, uma vez que está sujeito a curtos atrasos na transmissão e é por isso que o jogo nos pede para calibrar o comando antes de começar a jogar. Quando jogado como experiência portátil, a ligação ao jogo é muito mais natural e sentimos que a resposta funciona bem melhor. A apresentação, colorida e simples, não nos tenta mergulhar num mundo visual realista ou de desempenho elevado, enquanto a música consiste essencialmente em pop japonesa, simples e animada.

Apesar de os minijogos serem acessíveis e alguns deles bastante divertidos, a verdade é que a solo, Rhythm Paradise Groove torna-se aborrecido depressa demais devido a uma sensação de repetição que se instala quando temos a impressão que andamos a fazer mais ou menos a mesma coisa há muito tempo. Felizmente o jogo conta com outros elementos que trazem variedade à experiência, mais concretamente a componente multijogador e uma modalidade chamada Beatspell. O multijogador funciona apenas a nível local e permite até quatro jogadores, cada um com o seu Joy-Con. O princípio é idêntico ao do jogo a solo: minijogos com base no ritmo da música, mas a execução é diferente. Em multijogador os minijogos são distintos e foram feitos a pensar em vários jogadores, alguns assumem a forma de uma experiência cooperativa, outros funcionam de forma competitiva. A coordenação necessária para os minijogos feitos a pensar em co-op torna-os mais difíceis, enquanto os competitivos são muito divertidos desde o início.
Embora os minijogos na componente multijogador sejam menos (cerca de trinta), esta é uma dimensão mais cativante do que a solo e sem os inevitáveis momentos aborrecidos que se encontram quando se joga sozinho. Beatspell é uma modalidade que nos coloca numa experiência semelhante a um “roguelite”, onde enfrentamos criaturas mais e mais poderosas e temos de as vencer com o ritmo, onde carregamos no botão certo no momento certo para realizar ataques. A cada nível que passamos as nossas capacidades crescem, o que é muito necessário para vencer inimigos mais poderosos, e torna esta vertente num autêntico mini-RPG onde os nossos ataques e defesas dependem da nossa sincronização com o ritmo: um toque no momento perfeito atinge o inimigo com mais força. É interessante e uma boa distração, mas deve ser jogada em doses curtas antes que se torne vítima de um certo aborrecimento devido a alguns combates demorarem demasiado tempo.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Muito acessível
- Simples e divertido
- Componente multijogador é uma grande mais-valia
- Modo Beatspell interessante
Pontos negativos
- Demasiado repetitivo a solo
- Alguns minijogos são menos divertidos
- Desfasamentos entre som e imagem na telvisão e com auscultadores sem fios

Apreciador de jogos de outras épocas, não diz que não a uma boa obra dos nossos tempos. Diz-se que é por ele que passam os textos antes da publicação, o que significa que é uma espécie de boss final da escrita para os outros membros da equipa.

