Marvel MaXimum Collection – Análise
A nostalgia vende e o número de coletâneas que apelam a esse sentimento tem crescido no mercado. Para além de serem uma forma muito mais prática de voltar a aceder a estes jogos, chegam normalmente acompanhadas de melhorias que os tornam mais apelativos para o público atual, como funcionalidades online, opções de salvaguarda rápida e outros extras que melhoram a qualidade de vida. Marvel MaXimum Collection segue um caminho algo invulgar, reunindo vários jogos da Marvel lançados ao longo da década de 1990 em plataformas diferentes, sem que exista um critério de seleção claro ou imediatamente evidente.

O conteúdo ajuda a perceber essa filosofia. A coletânea reúne X-Men: The Arcade Game, Captain America and The Avengers em várias versões, Spider-Man/Venom: Maximum Carnage, Venom/Spider-Man: Separation Anxiety, Spider-Man/X-Men: Arcade’s Revenge em múltiplos formatos, e ainda Silver Surfer. O grande trunfo está precisamente em não escolher apenas uma versão definitiva, optando antes por incluir diferentes versões “arcade”, 8-bit, 16-bit e portáteis destes jogos. Mesmo que as plataformas não surjam identificadas pelo seu nome, acabam por ser facilmente reconhecíveis por quem conheça os jogos da época.

O problema é que preservação e qualidade não são a mesma coisa. X-Men: The Arcade Game continua a ser, de forma bastante clara, a estrela do pacote. É o jogo com mais energia, mais carisma e mais apelo imediato, beneficiando ainda de multijogador online até seis jogadores, algo que lhe dá uma nova vida em 2026. Também Captain America and The Avengers e Maximum Carnage continuam apelativos, sobretudo para quem cresceu com esta ação “arcade” dura, exagerada e caótica. A isso junta-se outro fator relevante: várias destas versões originais não são propriamente acessíveis nem baratas no mercado de colecionismo, o que faz com que esta coletânea ganhe valor também pela conveniência e pelo preço. Ainda assim, a coleção inclui igualmente jogos que envelheceram mal, outros que já na altura eram medianos, e alguns que hoje valem mais como curiosidade do que como experiências genuinamente divertidas.

MaXimum Collection permite salvaguardar em qualquer momento, regressar atrás na ação, um menu de batotas integrado, os habituais filtros de aparência CRT, e um arquivo digital com capas, manuais e publicidades dos jogos originais, conteúdos que ajudam a tornar estes jogos mais cómodos e acessíveis do que seriam no seu formato mais simples. Isso sente-se de forma particular em jogos mais duros e frustrantes, como Silver Surfer ou Arcade’s Revenge, onde algumas opções acabam por fazer uma diferença real. No geral, a emulação e a apresentação foram recebidas de forma positiva, mesmo que sem grande deslumbramento. Ainda assim, nem esses extras resolvem tudo.
A maior fragilidade continua a ser a própria seleção de jogos. Não por ser irrelevante, mas por ser demasiado desigual. Há aqui mais valor histórico do que lúdico, e isso torna-se rapidamente evidente. Além disso, o arquivo podia ser mais rico e os manuais e restantes ajudas poderiam estar mais bem integrados na experiência, sobretudo nos jogos com mecânicas menos óbvias. Nada disto arruina o conjunto, mas impede-o de transmitir o mesmo grau de cuidado e consistência de outras coletâneas retro mais recentes.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Coletânea variada
- Inclusão de várias versões do mesmo jogo
- Extras melhoram a jogabilidade
Pontos negativos
- Seleção de jogos muito desigual
- Alguns jogos envelheceram mal

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.

