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Stray Gods: The Roleplaying Musical – Análise

Stray Gods: The Roleplaying Musical é um jogo onde grande parte da experiência passa pela componente musical, que é muito relevante para o enredo e o maior ponto de atração do jogo. Infelizmente, a sua execução em geral deixa muito a desejar, e é uma falha difícil de colmatar pelas suas restantes vertentes. O jogador encarna o papel de Grace, uma jovem adulta que se encontra num processo (frustrante) de encontrar um membro novo para a sua banda. Dada a falta de talento gritante dos candidatos, tudo parecia perdido até que uma mulher misteriosa chamada Caliope arrebatou Grace com a sua voz. A interação entre as duas acaba por desencadear uma sequência de eventos que coloca Grace numa trajetória inimaginável para o comum dos mortais.

O enredo de Stray Gods encaixa perfeitamente na estrutura de um “whodunnit” clássico, presenteando o jogador com uma acusação de homicídio da qual vai ter de se defender, bem como resolver o crime rapidamente para evitar consequências devastadoras. Estes acontecimentos são contextualizados nas histórias que precedem figuras divinas da mitologia grega, entidades que também protagonizam a aventura. Apelidadas de “Idols”, tratam-se de interpretações modernas das divindades gregas mais conhecidas, alusões claras aos traços que as caracterizam na mitologia helénica. Por exemplo, Atena é apresentada como a líder dos Idols e a responsável pela sua segurança e integração na sociedade humana. Por outro lado, Perséfone é retratada como uma criminosa influente, dona de um clube noturno apropriadamente chamado de Underworld. A atenção ao pormenor é de louvar, e encontra-se não só na escrita de cada personagem como também numa direção artística cheia de cor.

A jogabilidade não difere do que se encontra habitualmente num “visual novel”, e o jogador passa a maioria do seu tempo a ler diálogos e a realizar algumas escolhas pontuais dentro destes. O título do jogo pode levar os mais distraídos ao engano, e é necessário frisar que não se trata de um RPG nos moldes a que estamos habituados. É uma aventura puramente focada no enredo, com uma interatividade limitada que pontualmente pode afetar a forma como se desenrola. O mesmo acontece no decorrer das sequências musicais, onde as escolhas do jogador influenciam o desenrolar da música e consequentemente, as interações entre Grace e as diferentes personagens. Estes momentos são geralmente bastante divertidos e representam um ponto diferenciador das restantes ofertas no género. No entanto, nem todos os atores escolhidos têm a mesma apetência para o canto e o resultado é uma inconsistência nas prestações vocais que afeta de forma negativa algumas das faixas do jogo. Não é um factor que chega a quebrar por completo a imersão do jogador, mas tendo em conta a importância da componente musical, a escolha de alguns destes atores foi no mínimo estranha.

Visualmente trata-se de uma obra competente e bonita de se contemplar, que coloca modelos de personagens a duas dimensões em cenários a três dimensões que são coloridos num estilo reminiscente de bandas desenhadas. Como já foi referido, o aspeto de cada divindade é expressivo e colorido, mas a falta de animações faz-se notar, particularmente nos números musicais. Pontualmente algumas das falas de personagens diferentes têm um volume demasiado baixo comparativamente ao das outras personagens, o que quebra momentaneamente a imersão sem razão aparente.

Apesar de ter os seus momentos de destaque, todos eles devidos maioritariamente ao facto de Grace ser uma excelente protagonista, o jogo não é particularmente ambicioso em nenhum dos seus parâmetros, acabando por oferecer uma experiência que não consegue justificar o seu preço de venda elevado. É curto e previsível, e a influência que o jogador tem no desenrolar do enredo é muito menor do que o que o jogo propõe inicialmente. Mesmo assim, Stray Gods: The Roleplaying Music é capaz de cativar os apreciadores de “visual novels” que também se interessem por musicais.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
6 10 0 1
Embora a sua execução mediana acabe por mitigar o potencial do seu conceito único, Stray Gods: The Roleplaying Musical apresenta argumentos suficientes para cativar pelo menos os fãs do género a assistir à sua peça. É pena que o preço seja demasiado elevado para o que oferece.
Embora a sua execução mediana acabe por mitigar o potencial do seu conceito único, Stray Gods: The Roleplaying Musical apresenta argumentos suficientes para cativar pelo menos os fãs do género a assistir à sua peça. É pena que o preço seja demasiado elevado para o que oferece.
6/10
Total Score

Pontos positivos

  • Visualmente apelativo
  • Sequências musicais divertidas
  • Interpretação moderna da mitologia grega

Pontos negativos

  • Enredo curto e previsível
  • Interatividade mínima
  • Qualidade de prestações vocais inconsistente

Diogo Caeiro

Insiste diariamente na superioridade da série Metroid Prime. Habitualmente ocupado a salvar o mundo de mais um deus irado, pausando ocasionalmente para redigir a sua próxima crónica.

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