One True Hero – Análise

One True Hero é um jogo de plataformas que se desenrola num mundo de três dimensões, sem pudor em esconder as suas inspirações e as suas limitações. O inicio do jogo é esclarecedor do que nos aguarda ao longo da aventura: vemo-nos surpreendidos por diálogos inteligentes e com humor mordaz, mas acompanhados de uma direção artística e execução gráfica muito próximas das que se encontravam nos primeiros tempos dos jogos a três dimensões. O humor repleto de sarcasmo encaixa no estilo visual e realça uma abordagem “nonsense”.

No entanto, a opção gráfica autodepreciativa seguida por One True Hero acaba por sofrer sistematicamente de erros que desviam a atenção do jogador. Nos momentos em que funciona o jogo é surpreendentemente belo e o motivo desta opção gráfica percebe-se muito melhor, mas teria de ser feito muito trabalho prévio ao lançamento para traduzir as intenções de forma eficaz. A jogabilidade é intuitiva mas mais uma vez, a execução das suas mecânicas acaba por deixar a experiência longe do que seria de esperar. A mecânica do salto entre paredes, por exemplo, torna-se demasiado complexa, uma vez que mantém a liberdade total de movimento da personagem e isto leva a que a trajetória seja extremamente irregular e imprevisível. Se as mecânicas de jogo são introduzidas de forma gradual e a um ritmo equilibrado, a locomoção apresenta problemas estruturais, enquanto o sistema de combate é competente. A implementação da funcionalidade “rumble” foi feita de forma desequilibrada e não traz nada à experiência a não ser mais um fator de distração, mas felizmente pode ser desativada.

Os níveis são bastante simples e sem grandes elementos de destaque, acabam por ser memoráveis apenas pelas piores razões. Onde One True Hero mais se destaca é no enredo descomprometido e que se baseia numa série de lugares-comuns dos jogos de plataformas. O nível de desafio é bastante alto, não devido a quebra-cabeças desafiantes e adversários difíceis mas sim à falta de coesão, que torna difícil e frustrante tirarmos partido das suas mecânicas, ainda que estas sejam intuitivas. As falhas do jogo acabam por se sobrepor aos seus pontos fortes, apesar de este ser um jogo cheio de potencial que uma atualização poderá melhorar de forma definitiva. No seu formato atual é uma experiência difícil de recomendar.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
4 10 0 1
One True Hero traz consigo uma panóplia de ideias ótimas e é marcado por uma sátira irreverente aos clássicos de plataformas, mas sai bastante prejudicado por uma execução que fica muito longe dos jogos em que se inspira. As escolhas visuais não foram felizes e são uma fonte constante de distrações enquanto as falhas técnicas tornam a jogabilidade mais frustrante. Uma atualização futura poderá torná-lo uma aventura mais atrativa mas como se encontra, One True Hero não é uma experiência de todo recomendável, principalmente tendo em conta o preço alto.
One True Hero traz consigo uma panóplia de ideias ótimas e é marcado por uma sátira irreverente aos clássicos de plataformas, mas sai bastante prejudicado por uma execução que fica muito longe dos jogos em que se inspira. As escolhas visuais não foram felizes e são uma fonte constante de distrações enquanto as falhas técnicas tornam a jogabilidade mais frustrante. Uma atualização futura poderá torná-lo uma aventura mais atrativa mas como se encontra, One True Hero não é uma experiência de todo recomendável, principalmente tendo em conta o preço alto.
4/10
Total Score

Pontos positivos

  • Jogabilidade intuitiva
  • Personagens interessantes
  • Sátira bem feita

Pontos negativos

  • Ambiente visual
  • Falhas técnicas muito comuns
  • Níveis pouco atrativos
  • Funcionalidade "rumble"

Sérgio Mota

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.