Commandos 2: HD Remaster – Análise

Commandos 2: HD Remaster é, como o nome indica, uma versão melhorada do clássico de estratégia desenvolvido pela Pyro Studios e que viu a luz do dia em 2001. A premissa é simples: tendo como base a Segunda Guerra Mundial, controla-se um grupo de soldados que realizam missões de infiltração em bases inimigas. Quem não tenha jogado a versão original vai olhar para este título como se de um jogo inteiramente novo se tratasse. Já os jogadores que tenham pegado no Commandos 2 original vão encontrar aqui elementos capazes de apelar às boas recordações daquela obra.

O jogo consiste em dez missões, todas elas a cumprir em território inimigo. Tratando-se de uma pequena força especial, os soldados comandados pelo jogador estão sempre em desvantagem numérica, mas cada um tem uma aptidão específica que é essencial para o sucesso das missões. Um dos soldados é especialista em engenhos explosivos e é capaz de detetar e desativar minas; outro é especialista em mergulho e pode passar bastante tempo debaixo de água; outra pode usar os seus atributos físicos para distrair guardas inimigos. A variedade de aptidões e especialidades tem de ser utilizada de forma bem pensada para cumprir cada missão e isto leva a que os níveis se assemelhem a um jogo de xadrez, cabendo ao jogador usar estas “peças” da forma certa e nos locais indicados. Entre outros objetivos, vai ser preciso destruir tanques, roubar chaves, descobrir e decifrar informações secretas, e resgatar camaradas capturados.

Como é possível imaginar, o secretismo e ação furtiva são fulcrais. É preciso que os soldados se desloquem de forma dissimulada e neutralizem inimigos à medida que se realiza uma infiltração numa base inimiga, sempre com o devido cuidado para não alertar ninguém. Se o pior acontecer e os soldados da nossa equipa de comandos forem avistados, há sempre o recurso a armas de fogo, granadas, armas brancas e combate corpo a corpo. Pormo-nos a salvo nestes casos em que o alarme dispara não é fácil, já que o sistema mira/disparo não é simples de usar e o mais certo é acabarmos por perder o soldado em questão.

Commandos 2 tem de ser visto como um jogo onde o sucesso depende de tentativa e erro. Por mais que se façam planos, análises do mapa e do comportamento dos inimigos, há sempre alguma coisa que pode correr mal, em qualquer momento. Uma vez que não existem “checkpoints”, é recomendado estar sempre a salvaguardar os nossos avanços e carregá-los quando a missão for por água abaixo. É possível que o jogo tenha sido desenvolvido desta forma para transmitir uma maior sensação de realismo, mas não deixa de ser frustrante quando por descuido nosso, temos de recomeçar do zero – com uns tempos de carregamento tortuosos pelo meio.

Visualmente o jogo não destoa dos seus pares entre os jogos de estratégia em tempo real (RTS). A qualidade em exibição é razoável e os pormenores são nítidos, mas é difícil não ficar com a sensação de que se trata apenas de uma atualização de um jogo com dezanove anos. Em algumas ocasiões os mapas podem deixar-nos desorientados (sobretudo à noite) e a solução implementada para os manobrar não foi implementada da forma mais prática, uma vez que obriga a carregar simultaneamente no botão R e nos botões direcionais. Fica assim a impressão que há algo que não parece estar certo com o esquema dos controlos. Mesmo sem o jogo original como base de comparação, é quase certo que a experiência resultaria melhor com rato e teclado. Destaque, no entanto, para a banda sonora – verdadeiramente exemplar, faz-nos sentir como se estivéssemos a participar num filme da série Missão: Impossível.

Não há como enganar: Commandos 2 é um jogo que obriga à máxima das atenções desde o momento que se começa. Há muitas informações a reter, muitos botões a caregar, muitos locais para investigar e muito mais para o jogador descobrir, o que significa que não é o jogo certo para quem procura uma experiência rápida e descontraída. No sentido inverso, quem procura um desafio mais intenso (difícil de aprender, igualmente difícil de se jogar com mestria) e tiver a paciência necessária para esperar e atacar no momento certo, então tem aqui muito por onde pegar, mesmo que não seja um jogo perfeito e tenha muitas arestas por limar. Mas quem disse que ir à guerra é fácil?

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
Commandos 2: HD Remaster tinha tudo para ser brilhante, mas o tiro saiu ao lado. Existia potencial para muito mais e é visível que mesmo por baixo de todos os problemas relacionados com os controlos, os tempos de carregamento, e o ambiente visual, há uma experiência de jogo bem construída, por vezes extremamente divertida e intelectual.
Commandos 2: HD Remaster tinha tudo para ser brilhante, mas o tiro saiu ao lado. Existia potencial para muito mais e é visível que mesmo por baixo de todos os problemas relacionados com os controlos, os tempos de carregamento, e o ambiente visual, há uma experiência de jogo bem construída, por vezes extremamente divertida e intelectual.
6/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Ação furtiva
  • Música euforizante

Pontos negativos

  • Controlos desnecessariamente complicados
  • Falta de "checkpoints"
  • Tempos de carregamento extensos

Jorge Salgado

Chegou tarde ao mundo da Nintendo mas o problema agora é tirá-lo de lá. Ainda anda com a sua 3DS de um lado para o outro, e é provável que isso não deixe de acontecer até daqui a 50 anos.