Top Starbit – Os melhores jogos Nintendo DS (10 ao 1)

A Nintendo DS foi, em várias maneiras, uma consola revolucionária. Formulada de forma a ser ainda mais apelativa e intuitiva para as massas que nunca antes pensaram em tocar num videojogo que fosse. A aposta da Nintendo apresentou um risco elevado, principalmente devido à desacreditação do público nela quando quando anunciado que a consola portátil da Sony iria arrebatar por completo a portátil da Nintendo no que tocava a poderio técnico.

No entanto, foi preciso ver para acreditar, e a verdade é que se verificou exatamente o contrário. Enquanto a Playstation Portable, a proposta da Sony para o mercado portátil, acumulou vendas superiores a 80 milhões de unidades em todo o mundo, a Nintendo DS conseguiu quase o dobro, com cerca de 154 milhões vendidas. Trata-se assim da consola portátil mais vendida de sempre, e a segunda geral mais vendida, ficando apenas atrás do fenómeno que foi a Playstation 2.

No caso dos seus jogos, a relação quantidade/qualidade do catálogo da Nintendo DS não é nada menos que impressionante. Com mais de quatro mil jogos publicados e com vendas de software superiores a 800 milhões de unidades, reduzir uma quantidade astronómica de jogos aos cinquenta melhores da consola não foi tarefa fácil.

Tentando englobar todos os géneros disponíveis e apenas um título por série principal, este é o top dos cinquenta melhores jogos para a consola segundo o Starbit.


#10 –  Elite Beat Agents

Produtora: iNiS
Editora: Nintendo
Data de lançamento: 13 de julho de 2007

Elite Beat Agents é um jogo difícil de descrever. É excêntrico, absurdo e divertidíssimo ao mesmo tempo, com uma premissa base tão estranha que é impossível a qualquer jogador ficar indeferente.

Controlando uma claque masculina, o objetivo passa por ajudar vários cidadãos com problemas (alguns tão caricatos como o penteado de cada uma das personagens principais) através da produção de uma animada coreografia de dança para o prazer visual dos desafortunados que precisam de ajuda.

A jogabilidade consiste em concluir diferentes jogos de ritmo com o objetivo de alcançar sempre a pontuação máxima. Fazer girar círculos, clicar em pontos no momento exato e deslizar a stylus de um ponto para outro são essencialmente tudo o que se faz nestes minijogos ao ritmo do leque musical do jogo enquanto os “Agents” dançam consoante os momentos que o jogador acerta. É de facto algo bastante simples mas o humor envolvido, a sensação viciante e natural que provoca e a busca pela melhor pontuação possível não deixam que se torne aborrecido ou menos divertido nem por um único segundo. Cada novo dilema é previamente ilustrado como se se tratasse de uma tira de banda desenhada e estes momentos são responsáveis por muitas gargalhadas ainda antes de começar a ação propriamente dita.

Tratando-se de uma adaptação para o mercado ocidental de um jogo lançado apenas no Japão (sob o título Osu! Tatakae! Ouendan!), Elite Beat Agents é um sincretismo muito bem executado entre cultura japonesa e cultura ocidental, fazendo uso do melhor dos dois mundos de forma a criar uma experiência única e incrivelmente divertida, capaz de ser desfrutada por todo o tipo de jogadores.


#9 – Chrono Trigger

Produtora: Square Enix, Tose
Editora: Square Enix
Data de lançamento: 6 de fevereiro de 2009

Outro clássico que dispensa apresentações, Chrono Trigger foi originalmente lançado para o Super Famicom (SNES) a 11 de Março de 1995 no Japão e conquistou imediatamente a crítica e os jogadores, tornando-se num dos jogos mais vendidos do ano naquele país, apesar de ter saído já no final de vida da consola.

Muitos consideram-no o melhor JRPG e consequentemente, um dos melhores jogos de sempre e com razão, sendo que esta versão portátil apenas realça os elogios rasgados que já se lhe fizeram. Tratando-se de uma conversão muito fiel do original, foi-lhe adicionada uma dose de conteúdo novo apenas disponível na conversão de 1999 para a PlayStation, incluindo ainda duas novas áreas, um novo final e ainda uma arena de combate para monstros apanhados durante o jogo principal. A tradução foi também revista e melhorada e aproveitando igualmente todas as capacidades únicas da Nintendo DS como o ecrã tátil, esta é indiscutivelmente a versão derradeira de Chrono Trigger.

Empregrando um combate que combina ação em tempo real com decisões por turnos, todas as mecânicas nele envolvidas demonstravam como Chrono Trigger se encontrava à frente do seu tempo e como continuara a ser genial volvidos quase quinze anos desde a sua génese. O enredo é simples mas fantástico, com os temas de viagens no tempo e a relação entre personagens raramente vistos mesmo tantos anos depois, o que diz imenso da sua relevância no panorama dos videojogos.

O grafismo continua muito apelativo e a banda sonora mantém-se ainda hoje como uma das melhores de sempre. Se ainda não o jogaram, a Nintendo DS é o melhor formato para o fazer.


#8 – Castlevania: Order of Ecclesia

Produtora: Konami
Editora: Konami
Data de lançamento: 6 de fevereiro de 2009
Ver também: Castlevania: Dawn of Sorrow, Castlevania: Portrait of Ruin

Castlevania: Order of Ecclesia é um título sem piedade com o jogador, oferecendo um desafio avultado que pode mesmo deixar frustrados aqueles que não estão habituados nem à série, nem a jogos do género. Trata-se de um jogo que não é fácil mesmo para os fãs mais acérrimos da série mas que todos devem jogar, independentemente deste pormenor. Um jogador menos experiente vai morrer mesmo muitas vezes aqui mas não deixem que isso vos impeça de pelo menos espreitar Order of Ecclesia. É uma combinação quase perfeita de ação, exploração e sistemas de RPG e o jogo mais forte do seu género na consola.

Controlando Shanoa, a única mulher como protagonista principal em toda a série, a missão é eliminar Drácula, depois do anterior do desaparecimento do clã Belmont. Empregando o Glyph System, que consiste na captura dos chamados “glyphs” que concedem à protagonista uma certa arma ou magia com a qual o combate é efetuado, o combate é diferente dos seus antecessores na forma como abandona armas e poderes fixos em favor de os variar constantemente e incentivar a exploração em busca de “glyphs” diferentes ou de nível mais alto que aquelas já possuídos, mecânica que vai de encontro ao núcleo daquilo que Castlevania representa.

Abandonando também a fórmula de uma única área que o jogador explorava (normalmente um grande castelo), Order of Ecclesia adota parcialmente uma estrutura por níveis, dividindo-se em várias áreas distintas (em vez de as unificar, como acontecia anteriormente). Pode parecer uma decisão estranha mas acaba por funcionar bastante bem, dada a variedade das mais de quinze áreas diferentes a explorar.

Tecnicamente é irrepreensível, com um grafismo e banda sonora do melhor que a Nintendo DS ofereceu em todo o seu ciclo de vida. A sua longevidade é também vastíssima, com vários finais e modos de jogo que mantêm o jogador agarrado por muito tempo.


#7 – Phoenix Wright: Ace Attorney − Trials and Tribulations

Produtora: Capcom
Editora: Capcom
Data de lançamento: 3 de outubro de 2008
Ver também: Phoenix Wright: Ace Attorney, Phoenix Wright: Ace Attorney – Justice for All, Phoenix Wright: Ace Attorney – Apollo Justice

O advogado mais famoso do mundo dos videojogos recebeu um novo impulso ao ver a sua trilogia inicial (lançada apenas para o Game Boy Advance no Japão) adaptada à Nintendo DS e desta vez com direito a lançamento mundial.

Trials and Tribulations, a conclusão da primeira trilogia da série, é o melhor exemplo de como este género de jogos pode ser envolvente e divertido, partindo de um esquema de controlos simples mas eficaz e contando com um enredo que deixa o jogador colado ao ecrã da consola do início ao fim, como numa montanha-russa de qualidade que só vai para cima até acabar a viagem.

Cada caso é único e memorável, com a sua própria história, personagens e situações caricatas que tornam cada um divertido e interessante. Para além disto e tal como nos dois jogos anteriores, todos eles revelam uma trama maior que acaba por culminar num último caso que vai fazer cabeças girar de tanta reviravolta e revelação. Momentos sérios e humorísticos convivem perfeitamente em cada caso, apoiados por uma escrita e tradução irrepreensíveis, trazendo vida a uma jornada épica e divertida além de todas as suspeitas.

Phoenix Wright: Ace Attorney − Trials and Tribulations é um testamento ao potencial do género e um exemplo formidável do que é possível realizar dentro dos seus parâmetros, estando aqui presente uma aventura que tem tanto de carismática como de genial e que ninguém vai querer perder na Nintendo DS.


#6 – Grand Theft Auto: China Town Wars

Produtora: Rockstar Leeds, Rockstar North
Editora: Rockstar Games
Data de lançamento: 17 de março de 2009

Depois da série ter dado o salto para as três dimensões, a Rockstar nunca mais olhou para trás. Em poucos anos a série passou para a vanguarda dos jogos de mundo aberto, tornando-se num sucesso junto da crítica e do público e deixando a sua marca na indústria como uma das melhores séries de videojogos de sempre.

No entanto, no meio de tudo isto, um pequeno (grande) jogo surgiu, inicialmente em exclusivo para a Nintendo DS e que prometia aproveitar todas as capacidades da consola para criar uma experiência fora do alcance das versões caseiras. Com Chinatown Wars, a Rockstar demonstrou que não descartara as raízes da série, produzindo um jogo capaz de rivalizar com os capítulos 3D da série sem grandes dificuldades.

Partindo das capacidades únicas da consola, o jogo foi desenvolvido no sentido de criar a experiência mais divertida possível dentro do ambiente da DS. O jogador vai assim realizar uma série de ações no ecrã tátil que têm tanto de divertido como de criativo, desde montar uma espingarda de atirador a desligar um alarme de carros ou cortar o fio correto de uma bomba, tudo isto será perfeitamente natural para o jogador pouco tempo depois de iniciada a jornada de Huang.

É também deslumbrante de um ponto de vista técnico, adoptando uma técnica de animação cel shading (pela primeira vez na série) e uma perspetiva 2.5 D vista de cima, remontando aos tempos de Grand Theft Auto em 2D, enquanto se mantém atual.


#5 – Mario Kart DS

Produtora: Nintendo EAD Group No. 1
Editora: Nintendo
Data de lançamento: 25 de novembro de 2005
Ver também: Diddy Kong Racing DS

Mario Kart DS foi uma revolução na altura em que chegou. À clássica jogabilidade da série juntou-se uma avultada quantidade de pistas e modos de jogo para explorar e disponíveis em qualquer lado e uma componente online completamente funcional.

Pegando no melhor da série Mario Kart e tornando-o ainda melhor, este capítulo apresenta muito provavelmente alguns dos circuitos mais notáveis que alguma vez envergaram o nome Mario Kart. Quer seja nas diferentes competições ou nas arenas de combate, diversidade e qualidade foram as palavras de ordem na sua criação e isso ainda se nota quando jogado nos dias de hoje, o que remete para uma das maiores qualidades do jogo: é intemporal.

Mesmo optando por jogar sem a componente online, a jogabilidade continua praticamente perfeita e percorrer as pistas aqui presentes com todo o leque de personagens disponíveis é tão satisfatório e divertido como era em 2005. Mesmo com vários sucessores lançados entretanto, Mario Kart DS já cimentou a sua posição como um dos pontos mais altos que a série atingiu e é um marco que dificilmente vai ser ultrapassado.


#4 – 999: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors

Produtora: Chunsoft
Editora: Aksys Games
Data de lançamento: 16 de novembro de 2010

Se fosse preciso descrever a experiência de jogar 999 em apenas uma palavra, essa palavra provavelmente seria “inesquecível”. Não por ser o melhor jogo de sempre ou por fazer alguma coisa incrivelmente diferente dos outros mas simplesmente por ter sido uma das melhores histórias que se podem vivenciar.

Cinco minutos é quanto leva 999 a colocar o jogador num estado de ansiedade e intriga enquanto se despacha a resolver o puzzle inicial antes que fique submerso por água, apenas para descobrir que está num local muito longe de casa após abandonar o quarto onde a cena inicial ocorre e deparar-se com outras oito pessoas que se encontram em lençóis semelhantes aos do protagonista.

Combinando a jogabilidade típica de um visual novel com puzzles, o jogador dirige Junpei enquanto ele participa no Nonary Game, um jogo baseado no número nove em que o objetivo é escapar por uma porta escondida que leva os participantes à liberdade.

O ambiente é sempre tenso do início ao fim e a quantidade de reviravoltas no enredo fazem deste um jogo cativante do início ao fim, um que dificilmente se vai largar enquanto não estiver terminado.


#3– Ghost Trick: Phantom Detective

Produtora: Capcom
Editora: Capcom
Data de lançamento: 14 de janeiro de 2011
Ver também: Advance Wars: Days of Ruin

A vida como um fantasma não é pêra doce, especialmente quando não temos recordações de quem fomos numa vida passada mas nada que impeça Sissel de descobrir toda a verdade sobre a sua existência e o como e o porquê de já não se encontrar vivo.

Variando entre exposição de história e puzzles, Sissel e Lynne, detetive que Sissel salva de um assassino no início da aventura, usam as suas habilidades únicas para salvar pessoas em perigo enquanto se descobre mais sobre o passado de Sissel e se desvenda o propósito de nunca mais ter acordado como humano mas sim como fantasma.

O diálogo é humorístico e bem construído, o enredo é cativante e com vários momentos imprevisíveis e os puzzles são extremamente criativos, requerendo bastante pensamento fora do normal em conjunto com as habilidades especiais de Sissel para a sua resolução.

A componente técnica é também de topo, com cenários ricos e variados, contando com animações espectaculares das personagens, tornando esta aventura na portátil uma que tão cedo não se esquece.


#2 – Pokémon Heart Gold/Soul Silver

Produtora: Game Freak
Editora: Nintendo
Data de lançamento: 26 de março de 2010
Ver também: Pokémon Diamond/Pearl/Platinum, Pokémon Black/White, Pokémon Black 2/White 2

Dois dos jogos mais celebrados da sua geração marcaram presença onze anos após o seu lançamento original e não poderíamos ter ficado mais gratos por isso. Esta versão conta com gráficos atualizados, uma vasta quantidade de conteúdo novo e ainda interação total com todos os jogos Pokémon para a Nintendo DS, trazendo a segunda geração de novo para a vanguarda da série (mais que merecida) na altura da sua publicação.

Pouco há a acrescentar, é a mesma aventura de 1999 só que melhor em todos os sentidos possíveis. O combate foi aprofundado de uma forma incrível, o aspeto visual é incomparável, com cores vibrantes e pequenos pormenores técnicos que tornam a aventura ainda mais envolvente para o jogador e há ainda a inclusão do Pokéathlon, um conjunto de dez minijogos que coloca os nossos monstrinhos numa série de eventos desportivos extremamente divertidos onde facilmente se passam umas boas horas sem dar por isso. Escusado será dizer também que toda a componente online foi adicionada, tornando a sua longevidade na altura virtualmente infinita.

Foi e ainda é um pacote incrível, mesmo seis anos depois de ter entrado pela primeira vez nas nossas consolas, tratando-se de um caso de pura nostalgia em formato jogável. E caso ainda não estejam convencidos da sua qualidade, o Pokémon continua fielmente a seguir o jogador para onde quer que comece a próxima aventura.


#1 – The World Ends With You

Produtora: Square Enix, Jupiter
Editora: Square Enix
Data de lançamento: 18 de abril de 2008

Aquele momento em que Testuya Nomura se dedicou a produzir outra coisa que não Kingdom Hearts originou não só um dos melhores jogos Square Enix de memória recente mas também o direito a declarar-se como o suprassumo do seu catálogo.

Passado numa Shibuya alternativa, The World Ends With You segue a história da participação de Neku Sakuraba e outros participantes no Reapers’ Game, um jogo apenas acessível àqueles que já não estão entre nós e que requer o sacríficio do elemento mais importante durante a vida de cada jogador. Este jogo tem como objetivo conceder aos vencedores uma nova vida ou a opção de ascender a uma existência espiritual mais elevada conhecida como Reapers.

Tomando também partido de todas as capacidades da consola, a jogabilidade usa os dois ecrãs da consola de forma a tornar os combates mais dinâmicos e frenéticos, algo não muito comum na consola e uma particularidade que o torna único e praticamente impossível de replicar num sistema que não a Nintendo DS.

O caraterístico e apelativo aspecto visual, juntamente com a banda sonora que incorpora elementos de rock, música electrónica e hip-hop assentam que nem uma luva ao espírito jovem e moderno do jogo, é um testemunho perfeito de que se deve constantemente apostar em boas ideias, já que o jogo representa um dos melhores JRPGs alguma vez criados e ocupa com distinção o pódio de excelência da portátil.

Diogo Caeiro

Insiste diariamente na superioridade da série Metroid Prime. Habitualmente ocupado a salvar o mundo de mais um deus irado, pausando ocasionalmente para redigir a sua próxima crónica.