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Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration – Análise

Rise of the Tomb Raider continua a ocupar um lugar especial na fase moderna de Lara Croft. Lançado originalmente em 2015, foi o capítulo que pegou nas ideias do jogo de 2013 e lhes deu outra escala, com mais exploração, melhores túmulos, zonas maiores e uma Lara já menos preocupada em sobreviver ao próximo minuto e mais próxima da aventureira que todos conhecem. Mais de uma década depois, Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration encontra finalmente espaço na Nintendo Switch 2, numa conversão da Aspyr que inclui a aventura completa e todo o conteúdo adicional.

O enredo decorre cerca de um ano depois dos acontecimentos de Tomb Raider. Lara continua marcada pelas descobertas feitas em Yamatai e pela obsessão do pai por fenómenos que a ciência não conseguia explicar. A procura por respostas leva-a à Sibéria, onde tenta encontrar Kitezh, uma cidade perdida associada à Fonte Divina e ao segredo da imortalidade. No caminho surge a Trindade, organização disposta a eliminar tudo e todos para chegar primeiro ao artefacto. Não é uma história particularmente complexa, mas funciona bem como motor para a aventura. Lara está mais confiante, mais preparada e já assume verdadeiramente o papel de exploradora, embora continue longe daquela figura quase invencível dos jogos clássicos. A relação com o legado do pai também ganha importância e ajuda a dar um lado mais pessoal a um enredo que, por vezes, recorre demasiado aos lugares comuns das sociedades secretas, civilizações perdidas e artefactos capazes de mudar o destino da humanidade.

É na jogabilidade que Rise of the Tomb Raider mostra porque continua tão agradável, passados tantos anos. A estrutura junta exploração, escalada, combate, ação furtiva e “puzzles”, mas oferece muito mais liberdade do que o primeiro capítulo desta trilogia. Existem espaços bastante amplos que funcionam como centros de exploração, com caminhos secundários, animais para caçar, recursos, documentos, relíquias e desafios escondidos. Não chega a ser um mundo aberto, nem precisa de ser. A vantagem está precisamente em conseguir transmitir escala sem perder demasiado o foco da campanha. Lara também dispõe de mais ferramentas para se movimentar pelo cenário. O arco continua a ser uma das peças mais importantes do equipamento, não apenas em combate, mas também na exploração, enquanto as novas capacidades permitem alcançar pontos anteriormente inacessíveis. O jogo convida a revisitar certos locais com equipamento adequado, embora nunca transforme essa estrutura na sua principal prioridade.

Os túmulos opcionais são provavelmente uma das maiores melhorias em relação ao jogo anterior. São mais elaborados, mais bem integrados no mundo e apresentam “puzzles” suficientemente interessantes para obrigar a observar o ambiente antes de avançar. Água, mecanismos, contrapesos e elementos físicos do cenário são utilizados para construir desafios que dão finalmente ao nome Tomb Raider o peso que merece. Entrar num destes túmulos quase nunca parece uma tarefa secundária descartável. A exploração também é recompensada com novas habilidades, equipamento e informação sobre o mundo. Descobrir documentos aumenta a compreensão de determinadas línguas, encontrar peças permite melhorar armas e os recursos recolhidos são usados na criação de munições e outros objetos. Há muitos sistemas a funcionar ao mesmo tempo, mas raramente chegam ao ponto de transformar a experiência numa lista de tarefas interminável.

O combate mantém a base do jogo de 2013, mas oferece mais possibilidades. Lara pode usar pistolas, espingardas, armas automáticas e o arco, ao mesmo tempo que fabrica munições especiais e utiliza elementos do próprio cenário. A ação furtiva continua a ser uma opção, permitindo esconder-se na vegetação, distrair inimigos, escolher alvos isolados e limpar um espaço sem disparar constantemente. Quando tudo se transforma num tiroteio, o resultado continua competente, mas menos especial. As armas cumprem a sua função e há variedade suficiente para alterar a abordagem, embora os encontros mais longos revelem uma certa rigidez na mira e no movimento. Na versão Nintendo Switch 2, a ausência de controlos por movimentos durante os disparos também é uma oportunidade perdida, sobretudo numa consola onde essa opção faria bastante sentido. Existe controlo em modo rato através dos Joy-Con 2, mas a solução não é particularmente cómoda para sessões mais longas.

A campanha principal mantém um bom equilíbrio entre momentos tranquilos e grandes sequências cinematográficas. Avalanches, estruturas a ruir, fugas impossíveis e confrontos de grande escala continuam presentes, mas Rise of the Tomb Raider sabe dar mais espaço à exploração do que o seu antecessor. Essa alternância ajuda bastante o ritmo e impede que o jogo se transforme numa sucessão simples de cenas de ação. Visualmente continua impressionante tendo em conta a idade. A neve da Sibéria, as ruínas enterradas, as grutas e os grandes espaços naturais mantêm um excelente ambiente, e a direção artística consegue muitas vezes esconder as limitações de uma produção criada há mais de dez anos. Os modelos das personagens também continuam convincentes e o trabalho no cabelo de Lara marca presença nesta adaptação. Na Nintendo Switch 2 o jogo apresenta-se a 30 fotogramas por segundo tanto no ecrã da consola como na televisão. O desempenho é geralmente estável, mas a opção pelos 30 fps é difícil de compreender. Não prejudica seriamente uma aventura onde a exploração ocupa grande parte do tempo, mas os combates e os movimentos rápidos da câmara beneficiariam claramente de uma maior fluidez.

A edição é também bastante completa. Além da campanha principal, inclui ainda Baba Yaga: The Temple of the Witch, Cold Darkness Awakened, Blood Ties, Lara’s Nightmare, Endurance e Endurance Co-op, juntamente com equipamento, armas e outros conteúdos adicionais. Blood Ties merece atenção especial por permitir explorar a Mansão Croft e aprofundar um pouco mais a história familiar de Lara. Esta quantidade de conteúdo também ajuda na duração. A história principal pode ocupar aproximadamente quinze horas, mas explorar túmulos, completar desafios e procurar objetos leva facilmente a experiência para lá das vinte horas. Quem quiser limpar praticamente tudo e dedicar tempo aos conteúdos adicionais vai encontrar bastante mais para fazer.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
8 10 0 1
Rise of the Tomb Raider continua a ser uma das melhores aventuras da fase moderna de Lara Croft. Os túmulos são excelentes, a exploração continua recompensadora e a combinação entre ação, furtividade e "puzzles" mantém um ritmo difícil de largar. O enredo é menos memorável do que o mundo que o rodeia, e o combate nunca atinge o mesmo nível da exploração, mas são limitações pequenas perante a qualidade global da aventura. A versão Nintendo Switch 2 é uma conversão competente e muito completa, sobretudo pela possibilidade de jogar tudo em formato portátil. Os 30 fotogramas por segundo sabem a pouco, mas o desempenho mantém-se consistente e todo o conteúdo adicional faz deste um pacote muito atrativo.
Rise of the Tomb Raider continua a ser uma das melhores aventuras da fase moderna de Lara Croft. Os túmulos são excelentes, a exploração continua recompensadora e a combinação entre ação, furtividade e "puzzles" mantém um ritmo difícil de largar. O enredo é menos memorável do que o mundo que o rodeia, e o combate nunca atinge o mesmo nível da exploração, mas são limitações pequenas perante a qualidade global da aventura. A versão Nintendo Switch 2 é uma conversão competente e muito completa, sobretudo pela possibilidade de jogar tudo em formato portátil. Os 30 fotogramas por segundo sabem a pouco, mas o desempenho mantém-se consistente e todo o conteúdo adicional faz deste um pacote muito atrativo.
8/10
Total Score

Pontos positivos

  • Exploração continua excelente
  • Túmulos opcionais muito bem construídos
  • Bom equilíbrio entre ação, furtividade e "puzzles"

Pontos negativos

  • Enredo pouco memorável
  • Combate menos interessante do que a exploração
  • Limite de 30 fotogramas por segundo

Nuno Nêveda

Calorias, nutrientes e Nintendo. Três palavras que definem o maior fã de F-Zero cá do sítio. Adepto de hábitos alimentares saudáveis, quando não anda atrás de uma balança, costuma estar ocupado com as notícias mais prementes e as análises mais exigentes.

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