Fitness Boxing 3: Your Personal Trainer – Nintendo Switch 2 Edition – Análise
A série Fitness Boxing faz parte de uma filosofia com quase vinte anos de jogos da Nintendo que usam controlos por movimentos para criar uma jogabilidade mais física, onde se incluem Wii Fit e Ring Fit Adventure. Fitness Boxing 3: Your Personal Trainer é o terceiro jogo de uma série que se baseia em movimentos que recriam uma experiência semelhante ao boxe, e foi lançado originalmente para a Nintendo Switch em 2024. O jogo regressa nesta Nintendo Switch 2 Edition. Não se trata de uma experiência inteiramente nova mas de uma versão melhorada com uma resolução mais alta, fluidez superior e algumas funcionalidades exclusivas. As diferenças técnicas não transformam o jogo, mas fazem desta a forma mais completa e agradável de o jogar. A base mantém-se bastante simples: seguramos um Joy-Con 2 em cada mão e acompanhamos os movimentos de um instrutor virtual executando diretos, “jabs”, ganchos, “uppercuts”, bloqueios e esquivas ao ritmo da música. Os movimentos surgem no ecrã como num jogo de ritmo, e devem ser realizados no momento certo para conseguir melhores classificações.

A jogabilidade é intuitiva e compreende-se rapidamente, mesmo por quem nunca tenha experimentado um jogo da série. Ainda assim, a qualidade do exercício depende muito do empenho do jogador. É possível limitar os movimentos a pequenos gestos dos pulsos e obter classificações positivas, uma vez que os Joy-Con detetam o movimento e o momento em que este acontece. O jogo nem sempre distingue corretamente um gancho de um direto ou avalia a posição do corpo. Quem executar os movimentos de forma completa tem aqui um treino cardiovascular capaz de fazer suar bastante. Quem procure apenas uma pontuação elevada consegue enganar o sistema com alguma facilidade. Antes de começar, o jogo recolhe alguns dados básicos e permite escolher objetivos, duração, intensidade e zonas do corpo a trabalhar. A modalidade “Daily Workout” assume-se como o centro da experiência, e cria uma sessão adaptada às opções escolhidas. É possível selecionar entre intensidade ligeira, regular ou elevada, incluir alongamentos e excluir movimentos que possam causar mais dificuldades.
A estrutura funciona bem porque elimina muitas das decisões que normalmente antecedem um treino. Basta iniciar o jogo, seguir o programa proposto e concluir a sessão. Para quem tem pouco tempo, o “Quick Workout” permite começar imediatamente sem percorrer menus. Já o “Free Training” dá maior liberdade para escolher exercícios, combinações e duração. As sessões começam normalmente com movimentos mais simples e evoluem gradualmente para combinações que exigem coordenação, ritmo e algum domínio das bases. Quando são executados corretamente os golpes envolvem também a rotação do tronco, a movimentação das pernas e constantes transferências de peso. Há aqui variedade suficiente para semanas de treino, embora algumas sequências comecem inevitavelmente a repetir-se. O jogo regista o tempo de exercício, o número de golpes, uma estimativa das calorias gastas e a regularidade das sessões num calendário. A isto juntam-se missões diárias e semanais, objetivos, pontos de experiência e vários elementos cosméticos para desbloquear. Trata-se de uma progressão simples, mas cumpre a sua função mais importante: criar pequenos motivos para regressar no dia seguinte. Fitness Boxing 3 percebe que o principal desafio não é concluir uma sessão particularmente difícil, mas manter a consistência ao longo do tempo.

Há ainda modalidades destinadas a aumentar a variedade. “Mitt Drills” coloca-nos perante as luvas do instrutor e permite praticar combinações de forma mais direta. “Sit Fit Boxing” adapta exercícios para serem realizados numa posição sentada, o que representa uma opção muito bem-vinda para jogadores com mobilidade reduzida ou que não consigam permanecer de pé durante toda a sessão. Encontramos também exercícios simples, alongamentos e Tai Chi, ainda que estes estejam mais dependentes da honestidade do jogador, uma vez que não existe uma verdadeira avaliação da postura. É possível escolher entre nove instrutores, todos com personalidades, vozes e aparências próprias. À medida que treinamos, desbloqueamos roupas, penteados e interações novas. A ideia cria alguma ligação ao instrutor e dá personalidade a uma experiência que poderia ser demasiado impessoal. Ainda assim, os comentários tornam-se repetitivos e algumas frases surgem de forma pouco natural, o que mostra que foram gravadas separadamente e combinadas durante as sessões. A inclusão de português do Brasil torna a experiência mais acessível, embora continue a faltar uma tradução para português europeu.
É nas funcionalidades exclusivas da Nintendo Switch 2 que encontramos as diferenças mais relevantes. O novo “Advanced Scoring” torna a avaliação mais exigente ao considerar com maior precisão o momento e a velocidade dos golpes. Continua sem reconhecer verdadeiramente a técnica ou o tipo de movimento executado, mas reduz o facilitismo com que a avaliação normal atribui classificações perfeitas. O “Boost Up” é a melhor novidade desta edição. Nesta modalidade a velocidade aumenta de ronda para ronda e pode chegar aos 200 BPM, obrigando o jogador a acompanhar combinações mais rápidas. As primeiras rondas são tranquilas, mas a intensidade cresce de forma evidente e transforma uma sessão acessível num desafio físico bem exigente. “CameraPlay” permite colocar a nossa imagem no ecrã através da Nintendo Switch 2 Camera ou de outra câmara USB compatível. Esta solução funciona como um espelho e pode ajudar a comparar a postura com a do instrutor. No entanto, a câmara não analisa os movimentos nem corrige automaticamente os erros, deixando essa avaliação inteiramente nas mãos do jogador. É uma funcionalidade útil mas menos avançada do que poderia sugerir. Através do GameShare é possível ter quatro jogadores em ligação local com uma cópia do jogo, incluindo utilizadores da Nintendo Switch original. Modalidades como “Score Battle” e “Sudden Death” introduzem uma vertente mais competitiva e descontraída. Não é o maior chamariz do jogo, mas é uma utilização inteligente da funcionalidade, e torna o exercício mais interessante quando partilhado com amigos ou familiares.
Fitness Boxing 3 apresenta uma direção artística limpa, colorida e funcional. Os instrutores encontram-se bem animados e os menus são claros, embora nada seja particularmente impressionante para os padrões da Nintendo Switch 2. A melhoria da resolução e a maior fluidez tornam os movimentos mais fáceis de acompanhar e dão ao conjunto um aspeto mais elaborado. O desempenho mantém-se estável, mesmo nas sessões mais rápidas, algo particularmente importante num jogo dependente do ritmo. A banda sonora inclui trinta temas instrumentais, entre composições originais e versões de músicas populares. O ritmo cumpre bem a sua função e ajuda a orientar os movimentos, mas os arranjos são pouco marcantes e perdem rapidamente o impacto inicial. Num jogo pensado para ser utilizado repetidamente durante meses, uma seleção musical mais extensa e enérgica teria ajudado bastante a combater a sensação de repetição.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Sessões muito personalizáveis e acessíveis
- “Boost Up” aumenta muito a intensidade
- Sistema de progressão é incentivo à consistência
Pontos negativos
- Deteção de movimentos demasiado permissiva
- “CameraPlay” não analisa nem corrige a técnica
- Banda sonora e comentários tornam-se repetitivos

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.

