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Soccer Kid Collection – Análise

Quando se trata de trazer jogos de outros tempos para a nossa era, é sempre importante considerar se as obras em questão são capazes de se afirmar pelo valor da nostalgia ou se não serão mais do que uma pequena curiosidade que rapidamente cai no esquecimento. Infelizmente Soccer Kid Collection para a Nintendo Switch cai nesta segunda categoria.

Começando pelo próprio nome, Soccer Kid Collection traz apenas dois jogos da série Soccer Kid: a versão de Super Nintendo, que aqui usa o nome The Adventures of Kid Kleets com que foi lançado na América do Norte, e a de MS-DOS, ambas de 1994, e com muito mais semelhanças que diferenças entre elas. De fora ficou o jogo original, que estreou no Commodore Amiga em 1993, e que é considerado por muitas opiniões como a sua melhor versão. A obra do estúdio britânico Krisalis Software e que chegou à Switch numa emulação da brasileira QUByte Interactive (responsável por Street Racer Collection) não se trata de um simulador de futebol mas antes de um jogo de plataformas em 2D, onde o protagonista é uma criança com uma bola de futebol nos pés que tem de recuperar os fragmentos do troféu do mundial de futebol roubado por extraterrestres.

O enredo nunca foi o ponto forte dos jogos de plataformas, e não vamos tratar Soccer Kid Collection como se tivesse de ser um prémio Nobel da literatura. Passemos ao que mais importa: a jogabilidade. Como se junta ação em plataformas típica da década de 1990 a uma bola de futebol? A mecânica, ou pelo menos a sua intenção, é interessante: o nosso protagonista usa a bola como uma arma e como um objeto de apoio para saltar mais alto e apanhar elementos fora de alcance. Os inimigos não podem ser vencidos com um salto, ao contrário do que tipicamente acontece em jogos de plataformas, e usar a bola é fundamental para os eliminar. O desenho dos níveis segue o habitual dos jogos da época: o protagonista vai visitar uma série de locais por esse mundo fora (Inglaterra, Itália, Rússia, EUA, Japão), percorrer níveis com inimigos e bónus, e enfrentar “bosses” no final. Em cada nível vamos usar a bola para atingir inimigos, subir a espaços mais altos, desbloquear obstáculos e apanhar objetos, já que é necessário apanhar onze cromos de jogadores de futebol em cada país visitado para poder recuperar todos os fragmentos do troféu.

No que diz respeito ao desenho dos níveis, estamos perante algo perfeitamente banal. Ruas urbanas, estradas rurais, subsolos, esgotos, telhados, com subidas e declives, nada de invulgar. O problema é que os dois jogos desta coleção obrigam o jogador a dominar a mecânica de uso da bola como arma e como objeto de apoio, e isto é muito problemático. Se a ideia é original e representava algo interessante no seu tempo, ela não funciona bem. É preciso controlar a bola com bastante precisão para atingir os inimigos, uma vez que a vida do protagonista é muito curta, e isso é algo difícil de fazer com o controlo analógico. É menos difícil se utilizarmos o d-pad do Joy-Con da Switch, mas continua a ser uma mecânica muito estranha e difícil de nos habituarmos, além de ser um pouco morosa nos momentos mais tensos. Se falharmos o remate podemos regenerar a bola, mas isto deixa o nosso protagonista completamente vulnerável durante o tempo suficiente para sermos atingidos outra vez. Repita-se isto vezes sem conta ao longo dos níveis e temos aqui a receita para uma experiência repetitiva e frustrante.

Logo no primeiro nível fica-se com a impressão que existe um desfasamento enorme entre a intenção e a realidade quando começamos a fazer face a inimigos que rapidamente nos deixam sem vida e exigem um esforço invulgar para os vencer. E um bom exemplo da forma desequilibrada com que esta mecânica foi implementada encontra-se quando chegamos aos “bosses”. São desafiantes, representam personagens associadas a cada país visitado (em Itália enfrentamos uma caricatura do tenor Luciano Pavarotti, por exemplo), e tornam-se mais duros à medida que avançamos, sem dúvida, mas acabam por ser mais interessantes e menos fatigantes que os inimigos convencionais. A experiência torna-se pouco recompensadora muito rapidamente, e num meio onde já existem tantos jogos de plataformas em 2D, a mecânica utilizada pelos dois jogos desta compilação pode ter uma intenção interessante, mas foi implementada de uma forma que deixa muito a desejar. Soccer Kid Collection inclui uma série de opções e batotas que a QUByte acrescentou aos dois níveis de dificuldade incluídos com os dois jogos originais, e que tornam a experiência mais acessível mas o efeito acaba por ser o de tornar o jogo pouco mais do que um teste, com um desafio muito pouco exigente e que rapidamente se torna aborrecido. Soccer Kid Collection funcionaria muito melhor sob a forma de um “remake” que corrigisse os problemas com as mecânicas de uso da bola. Não seria um clássico ou uma obra-prima, mas faria muito pela experiência.

Junte-se a isto as parcas diferenças entre os dois jogos aqui presentes, já que se tratam duas versões do mesmo jogo. Soccer Kid para DOS acaba por ser o melhor jogo do ponto de vista do desempenho e com vantagem para o ambiente audiovisual, enquanto The Adventures of Kid Kleets para SNES sai prejudicado por um grafismo menos bom e por uma deslocação do ecrã que pode criar confusão quando subimos e descemos. A banda sonora, completamente banal, fica muito abaixo do que se encontra em obras mais emblemáticas da época para PC e SNES. Não se esperam composições orquestrais num jogo de plataformas de 1994, mas as melodias são monótonas e ficam a léguas das bandas sonoras que se ouvem em clássicos da época.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
4 10 0 1
Soccer Kid Collection traz apenas dois jogos extremamente semelhantes entre si e além de um possível apelo nostálgico, a experiência da jogabilidade deixa muito a desejar. Frustrante, repetitivo e pouco recompensador, teria sido uma melhor ideia refazer os dois jogos aqui presentes para criar uma experiência mais próxima do que os jogadores atuais esperam. Infelizmente, Soccer Kid Collection não apresenta bons motivos para se investir nele.
Soccer Kid Collection traz apenas dois jogos extremamente semelhantes entre si e além de um possível apelo nostálgico, a experiência da jogabilidade deixa muito a desejar. Frustrante, repetitivo e pouco recompensador, teria sido uma melhor ideia refazer os dois jogos aqui presentes para criar uma experiência mais próxima do que os jogadores atuais esperam. Infelizmente, Soccer Kid Collection não apresenta bons motivos para se investir nele.
4/10
Total Score

Pontos positivos

  • Algumas opções tornam a experiência mais acessível
  • Mecânica de uso da bola original...

Pontos negativos

  • ...mas implementada de forma frustrante
  • Apenas dois jogos, e muito parecidos entre si
  • Muito poucos elementos adicionais

João Dias

Apreciador de jogos de outras épocas, não diz que não a uma boa obra dos nossos tempos. Diz-se que é por ele que passam os textos antes da publicação, o que significa que é uma espécie de boss final da escrita para os outros membros da equipa.

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