AnálisesSwitch 2

R-Type Dimensions III – Análise

R-Type III: The Third Lightning foi lançado na Super Nintendo na primeira metade da década de 90 e ganhou ao longo dos anos uma reputação que o coloca entre os melhores jogos do género. Trinta e três anos depois, a Tozai Games em parceria com a ININ Games chegou a acordo com a Irem para produzir R-Type Dimensions III, uma reconstrução visual completa do original com novos modos de jogo e a funcionalidade de alternar em tempo real entre os gráficos de 1993 e os de 2026. A proposta é ambiciosa no papel. Na execução, é um “remaster” que acerta onde conta mas que falha em convencer de que justifica plenamente o preço pedido e o alcance do projeto que prometeu ser.

O centro de tudo continua a ser o Force, a cápsula destacável que acompanha a nave e que funciona como arma, escudo e peça tática ao mesmo tempo. É isso que dá à série R-Type a sua identidade. O Force pode ser acoplado à frente ou atrás, pode ser largado para atingir inimigos em pontos específicos ou usado para abrir caminho em secções onde o espaço é mínimo e o perigo chega de todos os lados. Em Dimensions III, estão disponíveis três variantes de Force desde o início, cada uma com um conjunto próprio de três armas que se carregam ao encontrar “power-ups” específicos. A Shadow Force permite disparar para a retaguarda, enquanto a Cyclone Force tem propriedades de escudo quando separada. A escolha antes de cada tentativa tem peso real. Esta mecânica continua a ser a melhor ideia do jogo porque obriga o jogador a pensar constantemente na colocação da nave e no papel daquele apêndice em cada secção. Não é só disparar e fugir. É perceber como sobreviver a um sistema hostil usando a ferramenta certa no ângulo certo. É o único aspeto da jogabilidade que cresceu de forma genuína em relação ao que existia antes, e mesmo assim continua a ser uma expansão contida sobre uma base de 1993 em vez de uma reinvenção.

O jogo distribui-se por seis etapas que a maioria dos jogadores vai passar muito mais tempo a repetir do que a completar. A dificuldade de R-Type III já era conhecidíssima em 1993, e Dimensions III preserva-a sem concessões. O Modo Clássico arranca com três vidas, reinicia a secção atual em cada morte e termina a tentativa por completo quando o limite se esgota. O Modo Infinito retira essa pressão e permite progredir sem o jogo terminar, mas não muda o facto de que sem memorização profunda dos padrões de cada espaço e inimigo, a progressão é lenta e frustrante para quem não cresceu com o original. Para os veteranos da série, esta fidelidade à crueldade original é uma virtude. Para qualquer outro, é o maior motivo para desistir antes de chegar à terceira etapa. O problema é que em 2026, com o catálogo de jogos do género disponível na Nintendo Switch 2, a barreira de entrada desta versão torna-se um obstáculo que poucos vão ter paciência para superar sem que o jogo faça qualquer esforço para os acolher.

A funcionalidade de mudança visual entre o original e a versão modernizada é o argumento forte de Dimensions III e um elemento que, embora utilizado em alguns “remasters”, não é amplamente utilizado. Ver os “sprites” de 16-bit transformarem-se em modelos 3D com iluminação dinâmica funciona como espetáculo e como ferramenta de comparação histórica quando estamos a meio da experiência. O problema é que a versão 3D não é neutra em termos de jogabilidade: a profundidade visual acrescentada pelos novos gráficos dificulta a leitura dos padrões de projéteis em certas passagens, o que torna alguns momentos mais confusos do que no original de 1993. Num jogo onde o “pixel” de diferença entre vida e morte é constante, esta é uma concessão que não devia existir. A versão clássica lê-se melhor, enquanto a versão moderna tem melhor aspeto. A solução lógica seria uma das duas ser objetivamente superior, mas nenhuma o é.

O conteúdo de Dimensions III é onde a proposta mais desilude. Dois modos de jogo, dois níveis de dificuldade, modo cooperativo local para dois jogadores. É o mínimo funcional para um lançamento deste tipo, mas em 2026 fica aquém do que o género oferece habitualmente. Não existem tabelas de classificação online, não existe modo cooperativo online, não existem desafios de pontuação, não existe modo cronometrado, e não existe qualquer forma de medir o progresso contra outros jogadores além da comparação manual. A comunidade deste tipo de jogos é precisamente o tipo de público que mais valoriza estas funcionalidades, e a sua ausência transforma o que poderia ser uma plataforma de longevidade numa experiência que se esgota rapidamente para quem já domina as seis etapas disponíveis. Para uma campanha que um jogador experiente consegue completar em menos de uma hora quando tudo corre bem, a falta de razões para regressar é um problema. Felizmente estão prometidas melhorias para as semanas que se avizinham.

Na Nintendo Switch 2, o desempenho técnico é um aspeto completamente sem reservas. A fluidez mantém-se perfeitamente estável em qualquer situação, incluindo nos momentos de maior densidade de projéteis e efeitos simultâneos, a resposta dos controlos é cirúrgica como o género exige, e a experiência no ecrã da consola não perde nada em relação a um ecrã de televisão. A edição física, para quem prefere o jogo num cartão, está confirmada mas só chega em agosto.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
6 10 0 1
R-Type Dimensions III é um "remaster" que respeita o original sem o saber desenvolver. A funcionalidade de mudança visual em tempo real é uma mais-valia, o sistema de Force com as suas três variantes traz alguma profundidade tática, e o desempenho técnico na Nintendo Switch 2 é irrepreensível. Mas o conteúdo é escasso, a ausência de funcionalidades online é difícil de justificar em 2026, a versão 3D prejudica pontualmente a leitura do jogo, e a dificuldade punitiva sem qualquer esforço de modernização fecha a porta aos que não eram já fãs da série. Para os veteranos de R-Type, é uma compra com o coração. Para os restantes, há razões suficientes para esperar por uma versão mais completa ou por uma redução de preço.
R-Type Dimensions III é um "remaster" que respeita o original sem o saber desenvolver. A funcionalidade de mudança visual em tempo real é uma mais-valia, o sistema de Force com as suas três variantes traz alguma profundidade tática, e o desempenho técnico na Nintendo Switch 2 é irrepreensível. Mas o conteúdo é escasso, a ausência de funcionalidades online é difícil de justificar em 2026, a versão 3D prejudica pontualmente a leitura do jogo, e a dificuldade punitiva sem qualquer esforço de modernização fecha a porta aos que não eram já fãs da série. Para os veteranos de R-Type, é uma compra com o coração. Para os restantes, há razões suficientes para esperar por uma versão mais completa ou por uma redução de preço.
6/10
Total Score

Pontos positivos

  • Sistema de Force com três variantes que acrescentam profundidade tática
  • As seis etapas são fiéis ao original e relevantes para os veteranos
  • Modo cooperativo local para dois jogadores

Pontos negativos

  • Versão 3D dificulta a leitura de projéteis em momentos críticos
  • Conteúdo algo escasso
  • Sem funcionalidades online

Nuno Nêveda

Calorias, nutrientes e Nintendo. Três palavras que definem o maior fã de F-Zero cá do sítio. Adepto de hábitos alimentares saudáveis, quando não anda atrás de uma balança, costuma estar ocupado com as notícias mais prementes e as análises mais exigentes.

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