Melhores jogos de 2025
O ano de 2025 marcou um momento importante para a Nintendo. Entre a chegada de uma nova geração e um alinhamento de lançamentos particularmente consistente, foi fácil ter a sensação de estar a ver uma consola a construir a sua identidade logo no primeiro ano. E ao mesmo tempo, a Nintendo Switch original continuou a ter vida própria, graças a jogos e relançamentos que mantiveram a consola relevante para muita gente.
Houve variedade suficiente para cobrir vários perfis de jogador: competição rápida e acessível, aventuras de exploração com escala e ambição, regressos com peso histórico e “indies” que voltaram a mostrar que boas ideias e boa execução valem mais do que orçamento. No fundo, 2025 foi um ano em que o catálogo se mostrou equilibrado, com propostas que funcionam tanto em sessões curtas como em maratonas.
Nesta seleção reunimos os 10 melhores do ano, os jogos que pela relevância, qualidade e presença ao longo dos meses, nos parecem representar melhor o que 2025 teve de mais forte.
Absolum
Produtora: Dotemu, Guard Crush, Supamonks
Editora: Dotemu
Data de lançamento: 9 de outubro de 2025
Análise Starbit
Absolum inspira-se nos “beat ’em ups”, nos “brawlers” e nos “roguelites”, reunindo alguns dos melhores elementos daqueles géneros numa experiência repleta de ação, e com uma temática de fantasia. O combate dinâmico e variado dá aos jogadores todos os incentivos para experimentarem diferentes combinações e estilos, e a exploração e progressão estão estruturadas de forma a tornarem-se muito viciantes, muito rapidamente. Quando jogado em multijogador cooperativo então, tudo ganha outra vida: a coordenação, as sinergias e a gestão do caos tornam cada sessão diferente, e justificam aquele impulso muito característico de “só mais uma vez” antes de desligar.
Ball X Pit
Produtora: Kenny Sun and Friends
Editora: Devolver Digital
Data de lançamento: 9 de outubro de 2025
À primeira vista parece um conceito simples, mas bastam poucos minutos para se revelar bem mais viciante do que o esperado. O que torna Ball X Pit num jogo tão fácil de pegar e difícil de largar é a forma como alterna ação direta com progressão significativa, fazendo com que cada tentativa nos deixe convencidos que estamos a aprender e a ir mais longe. As combinações de melhorias e os pequenos desvios de estratégia entre sessões criam variedade suficiente para manter o interesse durante muitas horas, sem depender apenas da sorte para nos dar momentos inesquecíveis. E quando o desafio começa a apertar, o jogo tem o cuidado de recompensar o domínio do jogador em vez de recorrer a picos de dificuldade injustos. No fim, fica como um daqueles “indies” que se mantém instalado, pronto para uma sessão rápida, que raramente acaba por ser assim tão rápida.
Donkey Kong Bananza
Produtora: Nintendo EPD
Editora: Nintendo
Data de lançamento: 17 de julho de 2025
Análise Starbit
O arranque de uma consola ganha outra força com exclusivos de alta qualidade, e Donkey Kong Banaza é um dos melhores exemplos. Uma aventura de plataformas que aproveita bem o peso e a dimensão física de Donkey Kong, mostrando toda a sua personalidade em níveis desenhados para manter o jogador em movimento e ao mesmo tempo, incentivar a exploração com muito propósito. A interação com o cenário e o cuidado na distribuição de segredos dão ao jogo uma cadência muito própria, e a variedade ao longo da campanha evita que tudo se resuma a uma ideia repetida. Sem precisar de reinventar o género, Bananza afirma-se pela forma eficaz e viciante como equilibra descobertas, desafio e diversão imediata, sobretudo em sessões portáteis onde, quase sem darmos por isso, já estamos a jogar mais uma vez.
Fantasy Life i: The Girl Who Steals Time
Produtora: Level-5
Editora: Level-5
Data de lançamento: 18 de maio de 2025
Análise Starbit
Se o início é algo lento, a imersão no mundo de Fantasy Life i: The Girl Who Steals Time rapidamente nos faz esquecer isso. Graças à quantidade de opções e de vidas diferentes que podemos viver e desenvolver num mundo simpático e acolhedor, onde as tarefas, as personagens e o nosso desenvolvimento fluem de forma perfeitamente natural, vai demorar pouco para sentimos uma ligação capaz de nos agarrar ao jogo durante muitas horas. O equilíbrio entre as tarefas, a ação, a personalização e a forma acessível com que tudo se desenrola fazem desta uma obra muitíssimo bem pensada para quem gosta de experiências descontraídas e acolhedoras, sem esquecer os seus objetivos e tarefas, e um sentido para as ações do protagonista. The Girl Who Steals Time faz tudo isto muito bem, e funciona de forma particularmente exímia enquanto experiência portátil.
Hades II
Produtora: Supergiant Games
Editora: Supergiant Games
Data de lançamento: 25 de setembro de 2025
Quando uma fórmula já é tão afinada, o risco de uma sequela é mexer demasiado ou mexer pouco. Em Hades II, a sensação é de um crescimento bem medido com mais opções, mais nuances e mais espaço para experimentar, mas sempre com a mesma clareza e ritmo que fazem do original um caso sério. A variedade continua a ser um motor fundamental, e a forma como cada sessão ganha contexto narrativo ajuda a manter a motivação para lá da simples procura por mais poder. O combate continua rápido e dinâmico, e o jogo recompensa tanto a improvisação como o domínio, permitindo que cada jogador encontre o seu estilo sem sentir que há um único caminho certo. No conjunto, Hades II funciona em sessões curtas mas acaba, inevitavelmente, por nos roubar muitas horas.
Hollow Knight: Silksong
Produtora: Team Cherry
Editora: Team Cherry
Data de lançamento: 4 de setembro de 2025
Poucos jogos chegam com um peso tão grande e expectativas tão altas, e ainda assim o que mais impressiona é a sobriedade com que tudo se sustenta no essencial do género. A exploração mantém o seu grande apelo de nos perdermos num mundo coerente, cheio de pistas visuais e caminhos que só fazem sentido mais tarde, enquanto a progressão assenta numa mobilidade que traz um ritmo diferente ao conjunto. O combate, exigente, muito exigente, beneficia dessa agilidade e de uma maior ênfase na iniciativa, o que torna os confrontos mais dinâmicos e por vezes, mais tensos. Silksong destaca-se por respeitar o tempo do jogador, recompensado a curiosidade, premeiando a aprendizagem e construindo um percurso onde cada nova ferramenta abre possibilidades reais, em vez de servir apenas como chave para uma porta.
Hyrule Warriors: Age of Imprisonment
Produtora: Nintendo, Koei Tecmo
Editora: Nintendo
Data de lançamento: 6 de novembro de 2025
A escala e o espetáculo fazem parte do ADN de um “musou”, mas o que separa os melhores do resto é a capacidade de dar estrutura ao caos. Em Hyrule Warriors: Age of Imprisonment isso sente-se na forma como os objetivos são claros, as personagens têm espaço para se destacar, e a variedade de missões evita que tudo se reduza a limpar mapas sem grande intenção. A sensação de poder está sempre presente, como se espera, mas o jogo também deixa margem para decisões táticas. Para fãs do género, é um lançamento de grande qualidade, com conteúdo e consistência suficientes para justificar muitas horas. Para quem entrar de forma mais ocasional em Warriors, funciona melhor quando alterna bem entre ação pura e objetivos mais estratégicos, criando pausas naturais para respirar antes de voltar ao combate em grande escala. E o facto de a história fazer parte do universo Zelda traz-lhe um incentivo óbvio: além do espetáculo, há aqui contexto e relevância para quem os fãs da série The Legend of Zelda.
Kirby Air Riders
Produtora: Nintendo
Editora: Nintendo
Data de lançamento: 20 de novembro de 2025
Análise Starbit
Depois de um anúncio inesperado, Kirby Air Riders trouxe o que nos prometia: corridas, sim, mas também ação frenética e colecionismo praticamente interminável. Graças a um comportamento irrepreensível do ponto de vista técnico, o caos de Kirby Air Riders funciona muitíssimo bem, e a quantidade de opções e formas de jogo aqui presentes vão manter os jogadores de olhos bem abertos – seja a solo ou em multijogador, local ou online. É uma verdadeira delícia competirmos nos desafios do City Trial, percorrer as etapas do modo Road Trip que nos mantém sempre na expectativa para o que virá a seguir, e apanhar as centenas e centenas de objetos colecionávels, desbloquear novas personagens e veículos, e entrar em desafios contra jogadores de todo o mundo. Tudo isto num meio extremamente colorido, onde Kirby & Ciª se sentem perfeitamente em casa. Kirby Air Riders é uma belíssima adição ao catálogo da Nintendo Switch 2, e que nos maravilha ao ponto de não a largarmos.
Mario Kart World
Produtora: Nintendo
Editora: Nintendo
Data de lançamento: 5 de junho de 2025
Análise Starbit
A melhor forma de renovar uma série tão estabelecida é mudar sem prejudicar o que a torna universal, e é isso que observamos em Mario Kart World. A componente multijogador continua a ser a alma do jogo, mas a estrutura mais ampla dá um novo contexto à experiência, criando mais razões para voltarmos além da rotação habitual de pistas. O equilíbrio entre a habilidade e imprevisibilidade continua muito bem apurado, e a variedade de modos e desafios ajuda a que a experiência não se esgote tão depressa, quer a solo, quer em grupo. Na experiência online, o jogo mostra-se particularmente eficaz a manter o interesse a médio prazo, e em sessões locais volta a mostrar porque é um clássico moderno: é fácil juntar pessoas, começar em segundos e acabar, inevitavelmente, a dizer “só mais uma vez”.
Yakuza 0: Director’s Cut
Produtora: Ryu Ga Gotoku Studio
Editora: SEGA
Data de lançamento: 5 de junho de 2025
Análise Starbit
Há jogos que se lembram pelos sistemas; outros ficam na memória pelas personagens e pelo tom, e Yakuza 0 é claramente um desses casos. O enredo continua marcante pela forma como cruzou drama e intensidade com momentos inesperadamente cómicos, sem que isso parecesse forçado. Mas foi a cidade que fez o trabalho de fundo: explorar, observar, aceitar missões secundárias, cair em situações absurdas, e sentir que o mundo tinha vida própria para lá do enredo principal. A quantidade de atividades paralelas podia facilmente tornar-se demasiado dispersa, mas o jogo soube usá-las para dar ritmo e variedade, e para reforçar a identidade do universo em que se insere. No final de contas, Yakuza 0 entra em grande estilo na Nintendo Switch 2, contina a ser um ponto de partida excelente, e também um daqueles regressos que se jogam com prazer, mesmo quando já sabemos o que vai acontecer.

O chicote que mantém a máquina a funcionar. Entusiasta pela indústria e com um gosto variado, mas com um especial amor por JRPG, nunca deixa escapar uma boa promoção e por consequência tem uma coleção maior do que alguma vez poderá ter tempo para a terminar.

