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Vampire Survivors – Análise

Dizer que Vampire Survivors é um “roguelike” cria uma ideia limitada sobre o que aqui está. Sim, a obra de Luca Galante, produzida pelo seu estúdio Poncle, segue convenções associadas a um “roguelike” mas não se fica por aqui, o que é surpreendente visto que se trata de um jogo bastante simples mas com muito que fazer. ‘Simples’ porque se formos rigorosos, em Vampire Survivors vamos fazer apenas uma coisa: sobreviver. Depois de escolhermos uma personagem – cada uma com algumas diferenças entre si – somos colocados num espaço (vulgo, um nível) onde realizamos ataques automáticos a intervalos regulares. O jogo começa então a enviar-nos inimigos e temos de os eliminar, não de uma forma ativa como faríamos noutros jogos, mas deixando que o nosso ataque automático regular trate das criaturas enquanto nos posicionamos de forma a evitar que elas se precipitem na nossa direção.

Ao eliminar inimigos recolhemos pontos, pontos esses que utilizamos para fazer crescer a experiência da nossa personagem. A cada subida de nível podemos receber uma arma nova – ou desenvolver uma arma que já temos – e assim aumentar o potencial do nosso ataque, expandir a nossa defesa ou receber outra capacidade, uma mecânica mais do que conhecida para os jogadores de RPGs. É assim que passados alguns minutos passamos de um ataque simples para ataques múltiplos e bem-vindos, que vão desde poças de água benta a relâmpagos aleatórios, livros sagrados na nossa órbita, dentes de alho, ou os mais convencionais chicotes e adagas.

Como se exige, a curva de aprendizagem encontra-se muito bem implementada na fase inicial do jogo. Os primeiros instantes, quando dispomos de meios muito mais limitados, podem até ser um pouco aborrecidos mas dão-nos tudo o que é preciso para sobreviver. À medida que subimos de nível e temos um autêntico arsenal de ataques que desferimos em décimas de segundo diferentes, o jogo atira-nos com hordas e hordas de inimigos mais e mais poderosos. Vampire Survivors deixa de ser um simples “roguelike” para ser um jogo de sobrevivência pura, há até quem o compare a um “bullet hell”, algo que não está necessariamente errado, e as escolhas de armas ou elementos que recebemos ao subir de nível podem fazer toda a diferença.

Para desbloquearmos mais níveis de jogo – cada um com uma estética diferente mas todos localizados em Itália – não temos de completar o nível anterior, felizmente para o jogador. Isto porque completar um nivel é uma coisa que requer muito, muito investimento em termos de tempo e concentração. Nos níveis normais, ao fim de trinta minutos de vagas de inimigos que se tornam cada vez maiores, surge um “boss” aterrador que é, imagine-se, a Morte. Quem consegue sobreviver até à chegada da Morte vai deparar-se com um desafio ainda mais duro e que se agrava com o passar do tempo. Percebe-se assim a decisão de desbloquear os níveis de acordo com o nosso avanço no nível anterior. Falando de desbloquear, se há coisa que vamos fazer e muito em Vampire Survivors é desbloquear, sejam níveis, elementos, armas, personagens (começamos com quatro personagens jogáveis, podemos chegar às quarenta e oito), modos de jogo e bónus, não há sessão que não leve a que se desbloqueie alguma coisa, e na tradição dos “roguelikes”, se é verdade que ao perdermos temos de recomeçar de início, tudo o que desbloqueámos mantém-se prontamente disponível. Incentivos não faltam.

Com tanto que se diz sobre Vampire Survivors, resta acrescentar que o seu estilo visual “pixel art” em homenagem aos 16-bit pode parecer algo vazio quando começamos mas rapidamente nos apercebemos que é uma escolha perfeita para o jogo que temos em mãos, e os únicos momentos onde se observa um ligeiríssimo decréscimo de desempenho acontecem quando o ecrã se encontra inundado de inimigos. Quando temos o tempo de observar os pormenores, entre vagas sucessivas de inimigos horrendos, apercebemo-nos imediatamente das referências a Castelvania, algo que também encontramos na banda sonora e em alguns nomes, e até num nível disponível através de um DLC e que se chama “Ode to Castlevania”. Como se não bastasse, Vampire Survivors tem ainda um modo cooperativo local que permite até quatro jogadores, e com regras bastante justas. Encontra-se também traduzido para português do Brasil, ainda que os textos assumam pouco protagonismo além de uma curtíssima explicação de cada elemento e condição para desbloquear algo.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
8 10 0 1
Uma experiência de sobrevivência num mundo inspirado em obras de terror e que se torna rapidamente em algo tão viciante que o tempo passa sem darmos por ele. É impossível jogar Vampire Survivors e não sentir vontade de continuar, nem que seja para sobreviver mais um minuto ou desbloquear algo mais. Um verdadeiro companheiro que nos dá muitos incentivos para continuar a jogar e que pode deixar o polegar esquerdo um pouco dorido.
Uma experiência de sobrevivência num mundo inspirado em obras de terror e que se torna rapidamente em algo tão viciante que o tempo passa sem darmos por ele. É impossível jogar Vampire Survivors e não sentir vontade de continuar, nem que seja para sobreviver mais um minuto ou desbloquear algo mais. Um verdadeiro companheiro que nos dá muitos incentivos para continuar a jogar e que pode deixar o polegar esquerdo um pouco dorido.
8/10
Total Score

Pontos positivos

  • Jogabilidade simples e intuitiva
  • Muitíssimo viciante
  • Cheio de incentivos e desbloqueáveis

Pontos negativos

  • Alguns requisitos são um pouco exagerados

João Dias

Apreciador de jogos de outras épocas, não diz que não a uma boa obra dos nossos tempos. Diz-se que é por ele que passam os textos antes da publicação, o que significa que é uma espécie de boss final da escrita para os outros membros da equipa.

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