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Astral Ascent – Análise

Astral Ascent é o esforço mais recente do estúdio francês Hibernian Workshop e a sua primeira produção financiada na íntegra através da plataforma Kickstarter. Depois de uma abordagem discreta ao género “roguelite” com Dark Devotion, Astral Ascent vai mais além em todos os aspetos e assume o formato de um “roguelike”, apresentando um mundo rico e variado, uma exploração intrigante, e um sistema de combate que em nada fica a dever aos colossos do género.

A aventura inicia-se com uma narração de Ayla, uma de quatro personagens jogáveis, que apresenta ao jogador o calvário em que se encontra como prisioneira no cárcere intergalático conhecido como “Garden”, resultado das tendências bélicas de uma entidade referida como “The Master” que adotou como passatempo a conquista e subjugação de planetas que não lhe pertencem. Quem se opõe à sua vontade sofre o mesmo destino de Ayla, prisão perpétua sem qualquer hipótese de saída. Netas condições, Ayla (e as restantes personagens jogáveis) decidem pôr mãos à obra, orquestrando uma forma de fugir da prisão e colocar um ponto final nos planos do seu opressor.

Astral Ascent apresenta uma estrutura composta por muitas convenções habituais nos jogos “roguelike”. A jogabilidade tem etapas diferentes que se repetem até que o jogador complete o jogo e fuja da prisão. Obviamente que isto não se consegue atingir de imediato, e vamos fazer face a obstáculos avassaladores dependendo das capacidades da nossa personagem naquele momento. A cada tentativa podemos adquirir novas habilidades e recursos que podem ser convertidos num aumento das capacidades-base para cada personagem, o que torna as tentativas futuras menos difíceis.

Existem vários biomas para completar, cada um separado tematicamente pelo seu aspeto visual e desafios. Terminado cada nível, o jogador é presenteado com escolhas sobre os níveis seguintes a enfrentar. Cada um deles é gerado de forma aleatória e oferece recompensas distintas de acordo com o grau de dificuldade. Esta escolha constante permite-nos traçar a nossa própria aventura enquanto molda cada personagem de acordo com as nossas preferências de jogabilidade. É inteiramente possível seguir um caminho focado apenas no desenvolvimento das capacidades orgânicas de cada personagem (vitalidade, ataque, etc.), ou optar por melhorar as suas técnicas e habilidades. Não existe uma única abordagem correta, cada jogador pode completar Astral Ascent da forma que lhe parecer mais apelativa. De notar que todos os recursos e melhoramentos são transversais a cada personagem, não sendo necessário começar do zero cada vez que se jogue com cada personagem pela primeira vez.

O combate é frenético, semelhante ao de Dead Cells onde os inimigos agem de forma rápida e implacável, optando muitas vezes por atacar em grupo e não de forma isolada. A maioria dos ataques é telegrafada, concedendo ao jogador um compasso de tempo para os evitar ou utilizá-los para seu benefício consoante as habilidades da personagem. A mobilidade é rápida e precisa, e várias habilidades relacionadas com o movimento permitem responder de forma criativa às investidas dos inimigos. É importante destacar também a qualidade dos “bosses”, cada um apresenta um desafio completamente distinto do que se encontra durante o percurso de cada nível. Os “bosses” têm uma apresentação única baseada nos doze signos do Zodíaco e cada um requer uma abordagem própria, sendo necessário estudá-los da melhor forma antes de começar a nossa investida, e à medida que ficam mais fracos podem desferir um ataque especial muito difícil de evitar. É impossível parar para respirar, estes “bosses” são um inimigo perfeito para as nossas personagens.

Astral Ascent usa uma direção artística “pixel art” muito viva, com ênfase na diferença de tamanho entre a nossa personagem e o ambiente à sua volta. Os cenários estão cheios de pormenor, cada bioma é um local tão rico que poderia ser um sonho. As animações são muito competentes e amplificadas por uma fluidez constante, independentemente da ação a decorrer no ecrã, quer seja no ecrã da Switch ou numa televisão. A seleção musical é variada e conta com bastantes composições serenas, adequadas ao ritmo de exploração de cada nível que se altera apenas nas sequências de combate.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
8 10 0 1
Astral Ascent não é um jogo que tenta reinventar qualquer aspeto do género, optando apenas por uma experiência que apresenta o melhor que um "roguelike" tem para oferecer. O desafio único que apresenta junta-se de forma perfeita às inúmeras abordagens que propõe ao jogador, resultando numa aventura muito divertida e que pode ser vivenciada exaustivamente sem nunca se tornar aborrecida. Trata-se de uma recomendção fácil para todos os adeptos do género.
Astral Ascent não é um jogo que tenta reinventar qualquer aspeto do género, optando apenas por uma experiência que apresenta o melhor que um "roguelike" tem para oferecer. O desafio único que apresenta junta-se de forma perfeita às inúmeras abordagens que propõe ao jogador, resultando numa aventura muito divertida e que pode ser vivenciada exaustivamente sem nunca se tornar aborrecida. Trata-se de uma recomendção fácil para todos os adeptos do género.
8/10
Total Score

Pontos positivos

  • Mobilidade espetacular
  • Desenvolvimento complexo de personagens
  • "Bosses" bem construídos

Pontos negativos

  • Pouco inovador

Diogo Caeiro

Insiste diariamente na superioridade da série Metroid Prime. Habitualmente ocupado a salvar o mundo de mais um deus irado, pausando ocasionalmente para redigir a sua próxima crónica.

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