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King’s Bounty II – Análise

King’s Bounty II é a sequela de um dos RPG de estratégia por turnos que mais influenciou a sua época. Volvidas três décadas, o género sofreu uma evolução significativa, o que deixou no ar muita expectativa sobre a forma como este regresso iria integrar os padrões contemporâneos e onde as influências das séries Witcher, Fire Emblem, entre outras são cada vez mais visíveis.    

O jogo começa de forma segura, seguindo os moldes habituais de um RPG de estratégia: escolha inicial de uma personagem, e sistema de classes. O impacto desta escolha na jogabilidade torna-se evidente à medida que o jogo avança, mas não é completamente determinante. A aventura inicia-se após a nossa personagem sair do cativeiro, levando-nos por um mundo repleto de pontos de interesse para satisfazer a curiosidade do jogador. O enredo funciona como o verdadeiro motor do jogo e embora o início seja lento, é cativante e tem algumas surpresas positivas pelo meio. Os tutoriais são competentes, nunca se tornam demasiado intrusivos e cingem-se ao fundamental, deixando muita margem ao jogador para explorar. O sistema de combate assenta num esquema por turnos. A complexidade estratégica é grande e a variedade de batalhões que podemos recrutar ao longo da campanha é surpreendente. A superioridade numérica é difícil de contrariar e constitui um verdadeiro desafio que obriga o jogador a desenvolver as suas capacidades no que diz respeito ao combate, sendo esta a verdadeira razão para investir em missões secundárias. A morte permanente faz do combate um confronto sério que obriga o jogador a pensar muito bem no que vai fazer.

A longevidade é bastante saudável. A campanha principal pode com muita facilidade chegar à centena de horas, somando a isto tudo missões secundárias e muito mais por explorar e descobrir. A direção artística e apresentação encontram-se algo datadas e representam um dos maiores problemas do jogo. A baixa resolução torna algumas partes do combate mais difíceis, principalmente no ecrã mais pequeno da Switch Lite. A exploração do mundo é apresentada de forma razoável, e é possível apreciar o que de melhor este universo tem para nos dar mas encontra-se também muita margem para melhorias. O desempenho face ao que já foi apontado é obviamente problemático, e torna-se mais visível quando há demasiadas coisas a acontecer em simultâneo. Já a banda sonora acompanha bem o jogo, com alguns pontos menos positivos nas vocalizações, o que se compreende dada a quantidade incrível de diálogos aqui presentes.  

Mesmo tendo todas as críticas em consideração, estamos a falar de um excelente jogo, uma obra que consegue a proeza de se adaptar aos padrões mais recentes e sem comprometer o material de origem. Infelizmente a sua conversão para esta plataforma fica muito aquém do que se espera de um jogo desta dimensão.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
6 10 0 1
King's Bounty II faz um excelente trabalho em aproximar a sua fórmula inicial dos padrões contemporâneos, ao mesmo tempo que respeita as suas origens. A ambição acaba por embater nas capacidades da Nintendo Switch, que não permitem explorar todos os recursos do jogo ao máximo e de forma competente. Se a versatilidade da plataforma é benéfica num jogo de longevidade tão prolongada, este formato torna bastante difícil recomendá-lo.
King's Bounty II faz um excelente trabalho em aproximar a sua fórmula inicial dos padrões contemporâneos, ao mesmo tempo que respeita as suas origens. A ambição acaba por embater nas capacidades da Nintendo Switch, que não permitem explorar todos os recursos do jogo ao máximo e de forma competente. Se a versatilidade da plataforma é benéfica num jogo de longevidade tão prolongada, este formato torna bastante difícil recomendá-lo.
6/10
Total Score

Pontos positivos

  • Sistema de combate bem elaborado
  • Mundo vasto
  • Imensas missões secundárias

Pontos negativos

  • Desempenho inconsistente
  • Alguns elementos visuais problemáticos no ecrã da Switch

Sérgio Mota

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.

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