Breathedge – Análise

Os jogos de sobrevivência costumam ter como pano de fundo um cenário negro e de terror, temas apocalípticos onde a nossa adrenalina está constantemente no máximo. Breathedge ousa implementar o contrário e apresenta um tema “nonsense”, como se de uma paródia se tratasse às convenções de outros jogos. O nosso  protagonista é um astronauta que pretende prestar uma última homenagem ao seu falecido avô mas uma violenta explosão destrói a sua nave, incidente que está na origem desta aventura pela sobrevivência.

A jogabilidade na primeira pessoa assenta em várias mecânicas simultâneas: exploração do ambiente, apanhar elementos disponíveis, gestão de recursos vitais para o nosso protagonista como oxigénio, hidratação, etc. Sendo uma aventura espacial a variedade de cenários é difícil de implementar, mas a sua escala e variedade de elementos é nada menos que avassaladora, além de que a ausência de gravidade permite uma exploração com uma liberdade de movimentos rara.

Se o jogo goza de uma longeivdade saudável no que diz respeito à duração, a verdade é que assenta demasiado na repetição. Saímos da nave, recolhemos elementos que permitem alargar a nossa capacidade de exploração, e assim sucessivamente. O conceito repetitivo não foi devidamente acompanhado do tónico necessário para motivar o jogador a avançar, e este é um dos aspetos menos positivos a apontar. O jogo é longo mas o seu ambiente ligeiro e divertido não é suficiente para camuflar um sentimento demasiado tarefeiro.

Os mais pacientes vão encontrar um jogo bastante completo e exigente, onde a curiosidade é quase sempre recompensada. O jogo encontra-se dividido em três capítulos diferentes, e numa fase final a maior parte dos elementos de sobrevivência é posta de lado, passando a acção para um plano mais linear. É necessário muito tempo para atingir essa fase e como tal, seria de esperar que a mudança de paradigma beneficiasse o jogo, quebrando a sua essência repetitiva e tarefeira. No entanto, a experiência é demasiado simples para recompensar a persistência do jogador. A conversão para a Nintendo Switch é muitíssimo competente, apesar dos tempos de carregamento serem bastante morosos. O tipo de jogo beneficia bastante da versatilidade da consola, permitindo sessões extremamente flexíveis e adaptáveis à disponibilidade do jogador.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
6 10 0 1
Esta proposta é uma autêntica paródia aos jogos de sobrevivência. Sob um manto divertido e cheio de elementos cómicos, encontramos um jogo bastante completo com todos os elementos a que o género nos habituou. Por outro lado, a sua componente repetitiva sobressai demasiado e não existem atenuantes suficientes para motivar o jogador a avançar, enquanto os mais pacientes poderão não apreciar a transição onde o jogo assume uma estrutura mais linear perto do fim.
Esta proposta é uma autêntica paródia aos jogos de sobrevivência. Sob um manto divertido e cheio de elementos cómicos, encontramos um jogo bastante completo com todos os elementos a que o género nos habituou. Por outro lado, a sua componente repetitiva sobressai demasiado e não existem atenuantes suficientes para motivar o jogador a avançar, enquanto os mais pacientes poderão não apreciar a transição onde o jogo assume uma estrutura mais linear perto do fim.
6/10
Total Score

Pontos positivos

  • Muito cómico
  • Mecânicas completas e bem implementadas
  • Enorme variedade de elementos

Pontos negativos

  • Cadência de jogo demasiado lenta e repetitiva
  • Tempos de carregamento longos
  • Mudança desenquadrada perto do final

Sérgio Mota

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.