Grindstone – Análise

Existem muitas razões para gostar da Nintendo Switch mas há uma que certamente se encontra num lugar cimeiro para muitos jogadores (eu próprio incluído), não fosse essa a razão para a consola ter recebido o nome que recebeu: pode ser usada como consola portátil. A Switch funciona quase como um ponto de ligação entre o segmento das consolas portáteis, os dispositivos móveis e as consolas domésticas, aproveitando assim o melhor de cada mundo, sejam jogos de peso com gráficos estrondosos como aqueles jogos mais simples e perfeitos para os transportes públicos nas viagens para o trabalho.

Grindstone entra claramente na segunda categoria. Esta obra da Capybara Games é um jogo de “puzzles” fascinante que, apesar de à primeira vista parecer semelhante a Candy Crush e afins, nada tem a ver. E pelas melhores razões. Não há como enganar: Grindstone é diversão pura, uma das melhores experiências em que pus as mãos nos últimos tempos. O conceito é bastante simples: traçar um caminho entre inimigos coloridos que se encontram colocados ao longo de uma grelha e de maneira a eliminar os ditos cujos. Por norma, é preciso matar um determinado número de inimigos para completar o nível mas só podemos escolher as criaturas de uma determinada cor. A mecânica é simples mas à medida que fazemos cadeias maiores de inimigos, desbloqueamos pedras preciosas que permitem mudar a cor das criaturas a meio do trajeto, permitindo criar combinações ainda mais longas. Por vezes há obstáculos com que temos de lidar, onde se incluem pedras gigantes, pântanos, sepulturas, bombas, entre muitos outros, mas a sensação de ver Jorj, a nossa personagem, a matar filas de monstros uns atrás dos outros é muito gratificante, e a sensação sai reforçada pela vibração dos Joy-Con ao fazê-lo.

Mesmo com uma premissa tão simples, a variedade em Grindstone é notável: cenários, missões, inimigos, “bosses”, itens e outro tipo de surpresas que, volta e meia, vão surgindo pelo jogo. É realmente uma obra de uma envergadura gigantesca e uma vez que estamos a falar em dezenas de níveis, alguns de dificuldade considerável, isto significa horas e horas de experiência, e tudo tão aliciante que torna impossível largar a Switch. O jogo é tão bom que só é possível apontar-lhe um único ponto negativo: a falta de uma opção para recomeçar o nível. A solução é sair do nível e voltar a entrar, o que não é nada prático, e teria sido melhor se tivesse sido incluída uma opção nesse sentido. É algo que se nota em particular nos níveis mais difíceis, onde seria uma ajuda preciosa.

Quanto ao resto da experiência, seja a nível de jogabilidade, variedade, inovação, originalidade, efeitos e banda sonora, animações, fluidez… está tudo feito de forma magistral, o que confere imensa personalidade ao jogo, que não deixará ninguém indiferente. Como se não fosse suficiente, cada nível tem ainda uma série de bónus para desbloquear, os bónus são importantes não só para construir novas armas e equipamento mas também para avançar de mundo para mundo.

Todos sabemos como a grande maioria dos jogos oriundos dos dispositivos móveis têm táticas agressivas para com o jogador e por isso mesmo, é perfeitamente compreensível que fiquemos um pouco de pé atrás sempre que nos deparamos com um jogo dessas origens – de qualquer das formas, é possível embarcar em Grindstone sem qualquer preocupação. É uma experiência original, bem feita e sobretudo, divertida, capaz de proporcionar uma bela recompensa a quem decida pôr de lado o preconceito face a jogos vindos de dispositivos móveis.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
Grindstone foi uma valente surpresa. Num mercado saturado de jogos com origem em dispositivos móveis algo repetitivos, o jogo de "puzzles" da Capybara Games destaca-se claramente dos seus pares e apresenta uma jogabilidade divertida e viciante, com imensos níveis e uma longevidade gigantesca!
Grindstone foi uma valente surpresa. Num mercado saturado de jogos com origem em dispositivos móveis algo repetitivos, o jogo de "puzzles" da Capybara Games destaca-se claramente dos seus pares e apresenta uma jogabilidade divertida e viciante, com imensos níveis e uma longevidade gigantesca!
9/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Sem microtransações
  • Jogabilidade viciante
  • Longevidade mutíssimo boa
  • Original e inovador

Pontos negativos

  • Falta de opção para reiniciar nível

Jorge Salgado

Chegou tarde ao mundo da Nintendo mas o problema agora é tirá-lo de lá. Ainda anda com a sua 3DS de um lado para o outro, e é provável que isso não deixe de acontecer até daqui a 50 anos.