Override 2: Super Mech League – Análise

O universo dos “mechas”, veículos robotizados de grandes dimensões, é muito popular no Japão. O percurso começou na animação e alargou-se a outros formatos, um deles os videojogos. Há uma grande variedade de ofertas, nem todas bem recebidas. Override 2: Super Mech League encaixa infelizmente nesta última. Não reinventa nada e também não prima por oferecer algo de novo a não ser mais do mesmo. A Modus Studios Brazil volta à carga com uma sequela que necessitava de um pouco mais de conteúdo e de publicidade.

Comecemos por esclarecer que, ao contrário do jogo de 2018, Override 2 não dispõe de qualquer conteúdo para um só jogador. Ou seja, não tem aquilo que convencionalmente chamamos de “modo história”, “modo principal”, ou algo mais palpável do que as modalidades para multijogador. Muito provavelmente e durante o processo de desenvolvimento desta sequela, a equipa deve ter obtido alguma informação que os incentivou a deixar aquela componente de fora. Não deixa de ser um ponto negativo e algo a criticar.

Em vez disso o enredo (se assim o podemos chamar) desenrola-se muito ao de leve através dos modos multijogador: mais concretamente, o modo League. Aqui aprende-se que após os eventos do primeiro jogo, os robôs foram convertidos em máquinas de combate para serem usadas num desporto competitivo mundial. Este elemento narrativo (e mais um ou outro) é transmitido pela operadora Zoe, um elemento de exposição que nada mais faz além de apresentar várias linhas de diálogo, algumas vocalizadas. Pouco mais há para descobrir além disto, o que faz deste mundo de Override 2 algo vazio.

No campo da jogabilidade, que será o ponto mais relevante do jogo, os modos de combate são poucos e muito parecidos com os dos seus pares: Training, Versus e League. O último contém combates a solo, dois contra dois e todos contra todos. Os objetivos dentro destes combates podem mudar, desde sobrevivência a outros de contornos diferentes. Pelo menos à medida que estes combates são terminados, são desbloqueadas outras modalidades e possibilidades de desbloquear mais lutadores, assim como elementos cosméticos através de uma moeda de troca específica.

Nos combates propriamente ditos tudo segue um certo padrão: murros, pontapés, combinações de ataques, alguns especiais, um deles o mais forte de todos e capaz de alterar o jogo a nosso favor. Alguns tipos de ataques especiais são projéteis, outros têm tempos de carregamento, mas infelizmente a variedade termina aqui. É muito divertido ver o plantel de mais vinte lutadores, todos com personalidades muito próprias. No entanto, a verdade é que existe pouca variedade entre cada um nos seus estilos de luta. Uma queixa muito concreta diz respeito ao controlo dos veículos, que na Switch é afetado por um diferencial de tempo bastante grande. Talvez o propósito seja simular o controlo de uma máquina enorme, mas algo me diz que não deve ser bem assim.

Outra área em que Override 2 sofre é a grande falta de jogadores online. Após um tempo de procura bastante longo é frequente vermo-nos a combater com bots. É uma pena, pois grande parte do jogo depende da componente multijogador e sem uma comunidade online para jogar, torna-se um jogo morto. Como se isso não bastasse, os adversários controlados pelo jogo são muito simplistas e a sua estratégia esgota-se a meio do combate. O desempenho na Nintendo Switch também deixa a desejar. No ecrã da consola o ambiente visual tem bom aspeto, mas o desempenho e a nitidez sofrem bastante quando o jogo exibe quatro veículos em simultâneo. Se a meta for atingir os 30 fotogramas por segundo com uma resolução de 720p, raramente é conseguida.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
Ao contrário do que as imagens e vídeos possam sugerir, Override 2: Super Mech League é um jogo vazio, no sentido figurado e no sentido literal, onde o combate tem momentos divertidos pelo ridículo do contexto e alguns ataques especiais. O desempenho no ecrã da Switch acaba por ser sofrível e a falta de conteúdo, assim como de jogadores reais para lutar, tornam o preço de venda muito difícil de justificar. Pelo menos os veículos em questão são muito porreiros.
Ao contrário do que as imagens e vídeos possam sugerir, Override 2: Super Mech League é um jogo vazio, no sentido figurado e no sentido literal, onde o combate tem momentos divertidos pelo ridículo do contexto e alguns ataques especiais. O desempenho no ecrã da Switch acaba por ser sofrível e a falta de conteúdo, assim como de jogadores reais para lutar, tornam o preço de venda muito difícil de justificar. Pelo menos os veículos em questão são muito porreiros.
5/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Veículos carismáticos

Pontos negativos

  • Desempenho na Switch
  • Online multijogador vazio
  • Pouco conteúdo

Ulisses Domingues

Analisar um videojogo é como uma experiência gastronómica: pode correr muito bem, muito mal ou não correr de todo. Pelo menos é o que este membro da equipa acredita. No entanto, nunca deixará que a sua fome altere os critérios de análise. Pelo menos não muito.