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Postal Redux – Análise

No final da década de 1990 Postal apresentou-se com uma temática polémica e violenta. Pese embora o seu conceito insano e uma jogabilidade pouco afinada até para os padrões da época, tornou-se um fenómeno de popularidade enorme e um dos maiores protagonistas do debate sobre a relação dos videojogos com a violência. Mais de duas décadas volvidas eis que chega Postal Redux, uma versão atualizada e revista do original, mas nem por isso menos demente. Esta declaração já é reveladora do percurso feito pela sociedade no que diz respeito à violência nos jogos.

Além dos avanços técnicos mais que óbvios que tentam aproximar a obra aos padrões contemporâneos, a jogabilidade foi revista e foram acrescentados novas modalidades à fórmula original. O enredo mantém a sua premissa: encarnamos uma personagem assolada por distúrbios paranóicos e convencida que todas as pessoas à sua volta a querem matar. Sob esta premissa perturbadora temos de eliminar toda a gente para avançar. É de destacar a variedade de armas disponíveis mas em vez de uma introdução faseada, o jogo disponibiliza a totalidade do arsenal logo de início, o que acaba por prejudicar o interesse do jogador.

A adição do modo Rampage é bem-vinda e assemelha-se a uma experiência “arcade” onde o objetivo é uma pontuação alta. Postal encontra-se frequentemente entre um jogo divertido e o mau gosto e embora se afaste desta dicotomia algumas vezes, faltam-lhe elementos face a jogos atuais que consigam criar uma proposta divertida sem recorrer a elementos polémicos. Olhando para o jogo como um todo, esta conversão precisa de melhorias visuais e a sua jogabilidade merecia uma melhor aproximação às experiências dos nossos dias. Quanto ao conceito, mudá-lo seria desvirtuar a obra original e mantê-lo foi uma escolha acertada da parte da Running with Scissors, goste-se ou não.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
5 10 0 1
A sociedade avançou e a violência gratuita que contribuiu para o sucesso de Postal há mais de vinte anos deixou de ser suficiente para dar destaque a um jogo. Redux faz pouco para se destacar da fórmula original e responder aos padrões contemporâneos, o que o prejudica visivelmente. Uma jogabilidade pouco apurada, uma conversão pouco ambiciosa para a Nintendo Switch, e um conceito que sabe a pouco significam que não há muito em Postal Redux que seja apelativo além de um possível fator de nostalgia ou curiosidade por um jogo que é um marco da indústria, embora pelas razões erradas.
A sociedade avançou e a violência gratuita que contribuiu para o sucesso de Postal há mais de vinte anos deixou de ser suficiente para dar destaque a um jogo. Redux faz pouco para se destacar da fórmula original e responder aos padrões contemporâneos, o que o prejudica visivelmente. Uma jogabilidade pouco apurada, uma conversão pouco ambiciosa para a Nintendo Switch, e um conceito que sabe a pouco significam que não há muito em Postal Redux que seja apelativo além de um possível fator de nostalgia ou curiosidade por um jogo que é um marco da indústria, embora pelas razões erradas.
5/10
Total Score

Pontos positivos

  • Melhorias face ao original
  • Novo modo Rampage

Pontos negativos

  • Conversão medíocre
  • Jogabilidade sofrível

Sérgio Mota

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.

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