Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition – Análise
Xenoblade Chronicles 2 chegou à Nintendo Switch em 2017 poucos meses depois do lançamento da consola e tornou-se rapidamente num dos maiores exemplos da ambição da Monolith Soft. O mundo enorme, a quantidade de sistemas e uma campanha capaz de durar mais de uma centena de horas contrastavam com algumas limitações técnicas, sobretudo no ecrã da consola. Quase nove anos depois, a Nintendo Switch 2 Edition traz-nos de volta a Alrest com a promessa de resolver esses problemas e trazer conteúdo suficiente para justificar esta nova viagem.

O mundo de Alrest encontra-se coberto por um oceano de nuvens onde os últimos vestígios da civilização vivem sobre os corpos de criaturas gigantes conhecidas como Titãs. À medida que estes seres envelhecem e morrem, o espaço habitável torna-se cada vez mais escasso, agravando conflitos políticos, religiosos e militares. É neste contexto que conhecemos Rex, um jovem salvador que aceita participar numa missão aparentemente simples e acaba ligado a Pyra, uma Blade lendária que tenta chegar a Elysium, o mítico paraíso situado no topo da World Tree. A viagem começa com uma estrutura relativamente convencional, mas ganha uma dimensão progressivamente mais ambiciosa. O enredo explora a relação entre humanos e Blades, o medo da perda, a procura de um propósito e as consequências de um mundo construído sobre recursos cada vez mais limitados. Algumas das revelações surgem tarde, mas ajudam a reinterpretar acontecimentos anteriores e estabelecem ligações importantes com o restante universo da série.
Rex cumpre bem o papel de protagonista otimista e determinado, embora demore a ganhar profundidade. Pyra e Mythra assumem um lugar mais interessante, não só pelo poder que representam mas pela forma como lidam com a culpa, o medo e as consequências da sua própria existência. O resto do grupo também se encontra muito bem construído. Nia, Tora, Mòrag e Zeke trazem personalidades distintas, e ajudam a equilibrar os momentos mais dramáticos com uma componente mais descontraída. Os antagonistas são personagens incontornáveis. Jin e Malos começam por parecer relativamente simples, mas as suas motivações ganham contexto e tornam-se muito mais compreensíveis. O jogo não procura justificar as suas ações, mas consegue mostrar de onde nasce o ressentimento e como a relação entre Drivers e Blades pode produzir consequências muito diferentes.

Cada Titã funciona como uma região com identidade própria, ecossistemas distintos e culturas moldadas pelas condições. Gormott tem planícies vastas e uma natureza exuberante; Uraya desenvolve-se no interior de uma criatura colossal; e Mor Ardain mostra uma sociedade industrial instalada sobre um Titã em declínio. Esta variedade mantém o interessa da exploração e dá credibilidade a Alrest enquanto mundo vivo. Os mapas são amplos, verticais e cheios de caminhos alternativos, monstros, espaços secretos e pontos de interesse. Nem sempre é fácil perceber como chegar a um objetivo, sobretudo nas regiões com níveis sobrepostos, e o sistema de navegação continua a causar alguma confusão. Ainda assim, explorar sem seguir diretamente o marcador costuma ser recompensado com novos locais, inimigos únicos, tesouros e missões.
O sistema de combate pode de início parecer passivo. As personagens atacam automaticamente enquanto o jogador escolhe Arts, muda de Blade e posiciona-se de forma adequada, mas os cancelamentos de ataques mudam essa impressão. O verdadeiro objetivo passa por combinar efeitos enquanto criamos esferas elementais nos inimigos e as destruímos durante um Chain Attack. Quando todos estes sistemas funcionam em conjunto, o combate ganha um ritmo próprio e permite construir sequências impressionantes. Há uma profundidade considerável na escolha dos Drivers, Blades, equipamentos e elementos, recompensando quem estiver disposto a compreender as múltiplas camadas. O problema é que Xenoblade Chronicles 2 explica mal muitas destas mecânicas. Os sistemas são apresentados gradualmente ao longo de horas em tutoriais extensos que nem sempre destacam o mais importante. Algumas possibilidades essenciais só ficam disponíveis bastante tarde, o que faze o início parecer mais lento e limitado do que o jogo realmente é. A Nintendo Switch 2 Edition mantém esta estrutura praticamente intacta e continua sem uma introdução mais clara para novos jogadores. As Blades são obtidas principalmente através de Core Crystals com resultados aleatórios, o que pode obrigar a ações muito repetitivas para as Blades mais raras. Cada percurso é diferente, mas algumas das melhores personagens podem acabar nas mãos do Driver menos adequado. No jogo original, as Field Skills estavam na origem de muitas frustrações, em que alguns obstáculos exigiam capacidades específicas a equipar as Blades necessárias, mesmo quando não faziam parte da equipa utilizada em combate. Na Nintendo Switch 2 Edition basta possuir as Blades e ter desenvolvido as habilidades exigidas, deixando de ser necessário alterar constantemente a equipa. A mudança é pequena mas melhora significativamente a exploração e põe fim a muitas interrupções desnecessárias.

É na apresentação que encontramos a transformação mais evidente. A versão original apresentava resoluções muito baixas no ecrã da Switch, produzindo uma imagem desfocada que não fazia justiça à direção artística. A nova edição exibe até 4K num ecrã de televisão e 1080p no ecrã da consola, acompanhada por um máximo de 60 fotogramas por segundo. Os 4K não correspondem a uma resolução interna nativa, o jogo utiliza uma resolução consideravelmente inferior e recorre à reconstrução temporal para produzir a imagem final. Alguns elementos distantes mantêm um aspeto algo desfocado e encontram-se pequenas irregularidades nas margens das personagens, vegetação e objetos em movimento. Ainda assim, a diferença é enorme. Os modelos são mais definidos, os cenários ganham maior densidade, a iluminação foi ligeiramente melhorada e as sequências cinemáticas apresentam uma qualidade muito superior. Os 60 fps também alteram a sensação de movimento e a resposta dos controlos. A exploração é mais fluida e o combate beneficia muito quando o ecrã está preenchido por inimigos, efeitos e indicadores. O desempenho não é completamente estável e algumas sequências podem provocar descidas bruscas, que podem trazer a fluidez para algo perto dos 30 fps. Não é a execução perfeita anunciada, mas representa uma evolução. Os tempos de carregamento foram reduzidos e os menus respondem mais rapidamente, algo bem-vindo num jogo onde se passa muito tempo a gerir objetos e mecânicas. No ecrã da consola a evolução é ainda mais evidente. Apesar de continuar a exibir uma resolução interna baixa, a reconstrução da imagem produz um resultado muito superior ao do original e permite finalmente apreciar Alrest sem uma camada constante de cenários desfocados.
Merc Assault é o principal conteúdo novo desta edição. Em vez de enviar as Blades para missões que decorrem automaticamente, podemos formar uma equipa de até seis elementos e controlá-las diretamente em combates de ação. É possível alternar livremente entre Blades, bloquear ataques, criar ligações entre personagens e acumular energia para executar Special Arts. Esta modalidade oferece um ritmo mais imediato do que o sistema de combate principal e permite controlar diretamente personagens que anteriormente se limitavam a acompanhar os Drivers. As primeiras missões são simples, mas o desafio aumenta e obriga a escolher a equipa com algum critério. Não substitui o combate tradicional mas funciona muito bem como atividade paralela, ajuda a desenvolver os Affinity Charts e traz uma utilização mais interessante às Blades acumuladas ao longo da campanha. MOMO da série Xenosaga junta-se ao elenco como uma nova Rare Blade completamente dobrada e acompanhada por uma missão própria. A personagem pode alternar entre as formas Real e Imaginary, mudando a afinidade entre Luz e Trevas. A sua utilidade é mais evidente durante as fases iniciais e intermédias, mas a integração foi bem conseguida e representa uma homenagem interessante ao passado da Monolith Soft. Pyra e Mythra recebem também novos visuais que podem ser desbloqueados.
A banda sonora continua a ser extraordinária e acompanha perfeitamente a diversidade de Alrest. Cada região tem uma identidade musical própria, enquanto temas como os associados aos confrontos mais importantes dão aos momentos narrativos o impacto necessário. A dobragem em inglês continua irregular, sobretudo nos primeiros capítulos, mas melhora consideravelmente com o desenvolvimento das personagens. As vocalizações em japonês continuam disponíveis como alternativa. Torna – The Golden Country merece um esclarecimento. A expansão não está incluída na Nintendo Switch 2 Edition e continua a ser vendida separadamente. Quem a possuir através do passe de expansão beneficia das melhorias técnicas ao adquirir o pacote de atualização de Xenoblade Chronicles 2. Já a versão física autónoma de Torna recebe gratuitamente capacidade para 4K e 60 fps numa televisão, e 1080p e 60 fps no ecrã da consola. O tratamento técnico é muito positivo, mas teria feito sentido reunir finalmente toda a experiência num único pacote.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Enredo ambicioso e personagens memoráveis
- Mundo vasto e cheio de personalidade
- Enorme melhoria visual e de desempenho
- Field Skills menos frustrantes, e Merc Assault faz melhor uso das Blades
- Banda sonora excecional
Pontos negativos
- Início lento e tutoriais pouco eficazes
- Aleatoriedade das Blades continua algo frustrante
- Torna – The Golden Country continua a ser vendida separadamente

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.

