Final Fantasy VII Remake Intergrade – Análise
Final Fantasy VII Remake Intergrade chega à Nintendo Switch 2 com um peso histórico difícil de ignorar. Durante décadas Final Fantasy VII foi o símbolo maior da rutura entre a Square e a Nintendo, depois de a série ter nascido e crescido nas consolas da casa de Quioto. O lançamento original em 1997 na PlayStation marcou não só a transição da série para o 3D, mas também o afastamento definitivo da série principal do ecossistema Nintendo. Desde então, Cloud, Midgar e a Shinra regressaram apenas de forma pontual, através de “spin-offs”, “remasters” ou participações simbólicas. A chegada desta reinterpretação completa à Nintendo Switch 2 não é apenas mais uma conversão, é um regresso com significado, agora num formato capaz de acolher uma das obras mais ambiciosas da Square Enix nos últimos anos.

Ao contrário do clássico de 1997, Final Fantasy VII Remake não tenta condensar toda a história num único jogo. Esta primeira parte foca-se exclusivamente em Midgar, e alarga de forma substancial o que antes era apenas o início da aventura original. Setores inteiros ganham identidade própria, personagens secundárias recebem um maior desenvolvimento e a cidade passa a ser tratada como um espaço vivo, marcado por desigualdades sociais, opressão corporativa e tensão constante. O enredo respeita os momentos-chave do original, mas introduz alterações estruturais e novos mistérios que deixam claro que este não é um “remake” comum. Esta abordagem não é consensual, mas traz ambição e uma leitura mais moderna ao universo de Final Fantasy VII. O episódio adicional Intermission, protagonizado por Yuffie, complementa bem esta visão ao mostrar acontecimentos paralelos e ao aprofundar o contexto do conflito em Midgar.

A jogabilidade assenta num sistema de combate que combina ação em tempo real com elementos clássicos de um RPG. Os combates são dinâmicos e exigem atenção constante à posição, ao uso de habilidades e à gestão da barra ATB. Alternar entre personagens é essencial, já que cada uma tem um papel bem definido: Cloud é versátil, Tifa aposta na velocidade e combos, Barret domina o combate à distância e Aerith assume um papel mais estratégico de apoio mágico. O sistema é acessível a novos jogadores, mas traz profundidade suficiente para quem gosta de otimizar equipamentos, matérias e estratégias, sobretudo nos níveis de dificuldade mais elevados. Final Fantasy VII Remake Intergrade apresenta-se de forma surpreendentemente competente na Nintendo Switch 2. Os diferentes modos gráficos permitem optar entre maior qualidade visual ou uma experiência mais fluida. Num ecrã de televisão, a imagem é limpa e detalhada, com boa definição de personagens e cenários, enquanto no ecrã da consola a apresentação é estável e funciona sem problemas. Notam-se diferenças face a versões de consolas mais potentes, sobretudo na iluminação, densidade de efeitos e qualidade de algumas texturas em segundo plano, mas o conjunto é coeso e visualmente impressionante. O desempenho é maioritariamente estável, ainda que ocorram quebras pontuais em sequências mais exigentes, algo percetível mas que raramente prejudica a experiência.
Os tempos de carregamento saem-se melhor com o “hardware” da Switch 2, e as transições entre áreas e recomeços de combates são mais rápidas e menos intrusivas. Jogar Final Fantasy VII Remake como uma experiênca portátil, com este nível de qualidade visual e estabilidade, é um dos maiores trunfos desta versão, com uma flexibilidade que não existia aquando do lançamento original. Nem tudo é irrepreensível. Tal como noutras plataformas, o jogo sofre de algum alongamento artificial, sobretudo em missões secundárias pouco inspiradas e em secções que quebram o ritmo da aventura. A estrutura excessivamente linear de certas áreas contrasta com a ambição cinematográfica do conjunto, e algumas alterações narrativas podem não agradar aos fãs mais puristas do original. A experiência é também totalmente focada no modo a solo, sem componente multijogador ou funcionalidades online, o que limita a longevidade para além da campanha e do conteúdo adicional. O episódio Intermission encaixa particularmente bem neste formato, devido à sua duração mais curta e a um ritmo mais direto. O estilo de combate de Yuffie é mais ágil e experimental, e ajuda a renovar a jogabilidade e a introduzir ideias que viriam a ser exploradas mais tarde na série.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Enredo envolvente e reinterpretação ambiciosa do clássico
- Sistema de combate profundo e dinâmico
- Episódio Intermission traz conteúdo e variedade
- Boa adaptação técnica à Nintendo Switch 2
Pontos negativos
- Algumas secções sofrem de uma ritmo arrastado
- Compromissos visuais face a outras plataformas

Calorias, nutrientes e Nintendo. Três palavras que definem o maior fã de F-Zero cá do sítio. Adepto de hábitos alimentares saudáveis, quando não anda atrás de uma balança, costuma estar ocupado com as notícias mais prementes e as análises mais exigentes.

