Citadelum – Análise
Citadelum chega à Nintendo Switch 2 como uma tentativa ambiciosa de transportar um jogo de construção urbana de inspiração romana, normalmente associado ao PC, para o formato de uma consola com uma vertente portátil. A premissa é simples e reconhecível: assumir a direção de uma colónia do Império Romano e fazê-la crescer através de uma gestão cuidada de recursos, planeamento urbano e satisfação das necessidades da população. No entanto, esta versão para a Nintendo Switch 2 levanta inevitavelmente expectativas, não só pelo “hardware” mas também pelo uso do Joy-Con como um rato, que tentam aproximar a experiência à que se encontraria num jogo para PC.

A base da jogabilidade assenta num ciclo bastante fácil de reconhecer para os mais habituados. Começamos com uma pequena povoação e, passo a passo, desbloqueamos novos edifícios, infraestruturas e serviços. A gestão de recursos é central: madeira, pedra, alimentos e mão-de-obra precisam de estar sempre equilibrados para evitar a estagnação ou revoltas. O jogo faz um bom trabalho a introduzir estas mecânicas de forma gradual, evitando sobrecarregar o jogador logo nas primeiras horas. Há também uma componente estratégica interessante na forma como os edifícios se influenciam entre si, obrigando a algum planeamento na organização da cidade que não pode consistir apenas na colocação aleatória de construções.

A versão Nintendo Switch 2 beneficia de uma competência técnica face ao que se espera numa consola portátil. Visualmente, o jogo apresenta uma imagem limpa e estável, com melhor definição tanto no ecrã da consola como num ecrã de televisão. A estética é funcional e clara, com edifícios romanos facilmente identificáveis e uma leitura do mapa eficaz, essencial num jogo deste tipo. Ainda assim, não é um jogo que impressione do ponto de vista artístico ou técnico, e funciona mais pela clareza do que pelo espetáculo. Em cidades maiores, continuam a acontecer abrandamentos pontuais, sobretudo quando há muitas rotas de produção ativas em simultâneo, o que revela que a otimização não é perfeita.

A interface foi claramente adaptada para o comando de uma consola, e apesar de exigir alguma habituação inicial, acaba por ser funcional. A navegação pelos menus é relativamente intuitiva, embora certas ações, como gerir múltiplos edifícios ou analisar estatísticas mais detalhadas inevitavelmente, acabem por ser mais lentas e menos precisas. Uma atualização que chegou pouco depois do lançamento permite o uso do Joy-Con como um rato e aqui, Citadelum ganha uma nova vida. A navegação pelos menus, a colocação precisa de edifícios e a gestão da cidade ao pormenor tornam-se consideravelmente mais confortáveis quando comparadas ao uso exclusivo do comando. A experiência aproxima-se bastante da que se espera de um jogo para PC, e reduz a frustração típica associada à adaptação destes jogos a controlos com um comando.
Ao longo do tempo, Citadelum revela também algumas limitações estruturais. Apesar de ter sistemas competentes, a variedade de situações e desafios não evolui de forma significativa. A componente militar e diplomática existe, mas é pouco aprofundada, e funciona mais como um complemento do que como um elemento transformador. A ausência de um enredo e narrativa fortes ou de cenários com objetivos claramente distintos faz com que o jogo dependa quase exclusivamente do prazer de otimizar números e traçados, o que pode tornar-se repetitivo a médio prazo, sobretudo para jogadores mais experientes.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Base de gestão competente e acessível
- Uso do Joy-Con como rato melhora significativamente a experiência
- Progressão gradual que facilita a aprendizagem
Pontos negativos
- Falta de profundidade a longo prazo
- Componentes militar e diplomática pouco relevantes
- Desempenho irregular em cidades mais avançadas

Calorias, nutrientes e Nintendo. Três palavras que definem o maior fã de F-Zero cá do sítio. Adepto de hábitos alimentares saudáveis, quando não anda atrás de uma balança, costuma estar ocupado com as notícias mais prementes e as análises mais exigentes.

