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Metal Unit – Análise

A maior crítica que pode ser feita a Metal Unit incide sobre o jogo não se conseguir destacar dos seus congéneres em qualquer dimensão. Trata-se de um “roguelike” em duas dimensões que apresenta elementos transversais a jogos semelhantes e que nunca chegam a convergir para formar uma experiência coesa e distinta. O jogador encarna o papel de Joanna, uma piloto em formação e na posse de um exo-esqueleto artificial chamado M-Unit, criado para combater forças alienígenas e que concede ao seu utilizador capacidades sobre-humanas. Vamos então embarcar em missões de curta duração e que decorrem em biomas diferentes. Cada missão é composta maioritariamente por sequências de ação e plataformas, interpoladas por momentos de exposição do enredo.

O avanço ao longo de cada bioma segue as convenções habituais dos jogos “rogeulike”, o que normalmente implica perder uma e outra vez e chegar um pouco mais longe a cada tentativa. Cada um dos biomas está dividido em secções onde se encontram inimigos e/ou armadilhas e plataformas, e a ordem em que surgem é completamente arbitrária. No entanto, cada secção é estática e é inteiramente possível vivenciar momentos iguais em tentativas sequenciais, o que inevitavelmente deixa o jogador com uma sensação de repetição.

Face a outros jogos semelhantes, Metal Unit não apresenta nenhuma característica distintiva digna de destaque, com a exceção do ritmo acelerado da ação. A grande maioria dos combates resume-se a carregar nos botões de forma frenética e pouco mais. O mesmo não se pode dizer dos “bosses”, que representam um desafio bastante diferente dadas as suas habilidades e características únicas, destacando-se principalmente pelas suas dimensões muito superiores às dos inimigos comuns. São confrontos intensos e divertidos e que apenas pecam por não serem mais numerosos.

A modificação do exo-esqueleto representa a segunda vertente da jogabilidade, e é um aspeto fulcral no sucesso da nossa aventura. Os recursos encontrados ao longo do jogo têm como propósito trazer melhorias às funcionalidades do M-Unit, desde o seu arsenal à forma como se movimenta. O arsenal disponível é constituído por múltiplas armas de tipos diferentes, cada uma associada a um botão próprio. Existem ainda ataques especiais, capazes de eliminar múltiplos inimigos de uma vez só e que são perfeitos para situações menos vantajosas.

É importante realçar que apesar da simplicidade das mecânicas, Metal Unit é um jogo difícil, capaz de frustrar até os mais experientes. Como referido, é de esperar repetir os mesmos momentos uma e outra vez pelas mais variadas razões, e são necessários ajustes constantes para avançar a um ritmo aceitável. Aconselha-se explorar a fundo cada nível, dada a quantidade astronómica de armas e outros recursos, a maioria bastante útil, que facilmente passam despercebidos. Para quem não consegue aguentar o desafio, encontram-se incluídas algumas ferramentas que facilitam a experiência de uma forma não linear. Em vez de reduzir a dificuldade dos níveis, é possível modificar o exo-esqueleto com dispositivos que eliminam algumas das restrições impostas inicialmente pelo jogo, desde um número infinito de recursos à invencibilidade. É uma opção bem-vinda e que concede um maior grau de controlo ao jogador, mesmo que acabe por trivializar a experiência.

Visualmente Metal Unit é um jogo com uma apresentação inconsistente que exibe discrepâncias entre os “sprites” das personagens e os cenários, e onde a palete de cores acaba por realçar esta diferença. A seleção musical é inofensiva, composta por temas que acompanham a ação no ecrã de forma satisfatória. O mesmo não se pode dizer dos efeitos sonoros, muitas vezes pouco representativos dos ataques e movimentos. A maior falha de Metal Unit é a sua falta de destaque em relação aos seus congéneres. O combate é inconstante, a estrutura de níveis é genérica e o enredo é, na melhor das hipóteses, uma coisa que só aqui está para ocupar espaço. Mesmo assim, é de louvar a forma como se pode manipular os aspetos da jogabilidade, e os momentos de divertimento que aqui estão, particularmente nos “bosses”, são autênticos.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
6 10 0 1
Metal Unit é um jogo capaz de satisfazer os fãs mais acérrimos de jogos "roguelike" mas que não reúne as condições suficientes para apelar a um público mais alargado, e a inconsistência na execução dos elementos significa que não consegue destacar-se dos seus congéneres e apresentar-se como uma proposta acima dos seus pares.
Metal Unit é um jogo capaz de satisfazer os fãs mais acérrimos de jogos "roguelike" mas que não reúne as condições suficientes para apelar a um público mais alargado, e a inconsistência na execução dos elementos significa que não consegue destacar-se dos seus congéneres e apresentar-se como uma proposta acima dos seus pares.
6/10
Total Score

Pontos positivos

  • Modificações ao exo-esqueleto
  • "Bosses" divertidos
  • Dificuldade ajustável

Pontos negativos

  • Visualmente inconsistente
  • Estrutura de níveis medíocre
  • Enredo confuso

Diogo Caeiro

Insiste diariamente na superioridade da série Metroid Prime. Habitualmente ocupado a salvar o mundo de mais um deus irado, pausando ocasionalmente para redigir a sua próxima crónica.

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