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Advance Wars 1+2: Re-Boot Camp – Análise

Advance Wars 1+2: Re-Boot Camp é a entrada mais recente na série Advance Wars, nome que esteve ausente por mais de quinze anos desde Advance Wars: Dark Conflict para a Nintendo DS de 2008. Re-Boot Camp, tal como o nome sugere, é uma compilação de “remakes” dos dois primeiros jogos da série, com o objetivo de trazer para o panorama atual.

A fórmula clássica da série mantém-se inalterada. Cada nível representa um confronto entre exércitos comandados por duas personagens que são habitualmente apresentadas ao jogador de forma cómica e/ou extravagante. Cada personagem tem habilidades únicas capazes de conceder ao seu exército uma vantagem crucial no campo de batalha, e muitas vezes a diferença entre a vitória ou a derrota depende do momento em que as habilidades são utilizadas. Obviamente também é fundamental compreender as capacidades de cada tipo de unidade que compõe cada exército, e de que forma podem contribuir para cumprir o objetivo para cada mapa. Desde as capacidades de combate à forma como se movimentam, cada unidade tem um propósito específico, seja ocupar pontos estratégicos, desbravar território inimigo, ou reabastecer os veículos. Este acumular de informação não é uma tarefa fácil, e conjugar todos estes fatores é uma tarefa progressivamente mais complexa com o aumento da dificuldade de cada missão. Felizmente o sistema de tutoriais é robusto e flexível, e permite ao jogador familiarizar-se com as mecânicas no início de cada campanha.

É importante realçar que a qualidade da experiência nesta compilação não é constante, dada a diferença acentuada entre os dois jogos. Advance Wars: Black Hole Rising representou uma melhoria relativamente ao jogo original em todos os aspetos, e o mesmo se verifica aqui. Isto é particularmente agravante para os fãs mais antigos da série que naturalmente pretendem começar pelo segundo jogo nesta versão mas por razões difíceis de discernir, não é possível fazê-lo. Não foram feitas quaisquer adições ou alterações à jogabilidade e estrutura dos jogos, o que acaba por contribuir para este problema. Com a exceção de uma componente “online” que apenas cumpre os requisitos mínimos, nada foi feito para atualizar a experiência de forma significativa para além da apresentação. Tendo em conta o preço desta compilação, não é uma recomendação fácil para quem não saiba exatamente o que a série tem para oferecer. A ausência de um mecanismo para voltar atrás e refazer turnos (presente nos jogos mais recentes da série Fire Emblem, por exemplo) é difícil de justificar, dadas as convenções contemporâneas dos jogos de estratégia por turnos, e traria igualmente o benefício de colmatar os momentos mais difíceis dos jogos originais.

De qualquer forma, é possível argumentar que todas as melhorias no campo audiovisual dos dois jogos constituem uma razão mais que suficiente para justificar esta compilação e o seu preço elevado. Ao mesmo tempo, e embora os novos retratos e animações de cada personagem sejam adições bem-vindas, é impossível ficar indiferente à alteração do estilo visual icónico da série. Substituir os “sprites” criativos e expressivos por modelos tridimensionais aborrecidos e que não se destacam será sempre uma decisão no mínimo questionável, e uma que não é de todo condizente com as produções mais bem sucedidas da WayForward.

A prestação técnica do jogo é também um ponto de contenção, pois tendo em conta o que se pode observar no ecrã, nada justifica a incapacidade de alcançar os cobiçados sessenta fotogramas por segundo. Certas ações causam sempre uma queda arbitrária na fluidez do jogo, problema transversal quer estejamos a jogar num ecrã de televisão ou na consola. Re-Boot Camp reúne condições suficientes para ser uma boa forma de vivenciar uma série há muito sem atividade. O que é importante frisar é que só alcança este estatuto pela imensa qualidade dos seus produtos-base, e não pelo trabalho da WayForward que acaba por ser inconsistente ao longo da compilação. Se nada mais, é a prova que Advance Wars ainda tem muito para dar.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
7 10 0 1
Advance Wars 1+2: Re-Boot Camp é uma proposta interessante dentro dos jogos de estratégia por turnos e serve como uma boa introdução à série para quem nunca a tenha vivenciado. Por outro lado, é uma recomendação mais difícil para os fãs de longa data e que querem reviver as experiências originais.
Advance Wars 1+2: Re-Boot Camp é uma proposta interessante dentro dos jogos de estratégia por turnos e serve como uma boa introdução à série para quem nunca a tenha vivenciado. Por outro lado, é uma recomendação mais difícil para os fãs de longa data e que querem reviver as experiências originais.
7/10
Total Score

Pontos positivos

  • Fórmula clássica mantém-se divertida
  • Novas animações para cada personagem
  • Componente "online"

Pontos negativos

  • Novo estilo visual medíocre
  • Ausência de melhorias na jogabilidade
  • Preço elevado

Diogo Caeiro

Insiste diariamente na superioridade da série Metroid Prime. Habitualmente ocupado a salvar o mundo de mais um deus irado, pausando ocasionalmente para redigir a sua próxima crónica.