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Stilstand – Análise

A atual situação pandémica relega para segundo plano algumas doenças consideradas menos urgentes face a uma urgência que exige uma resposta imediata. No entanto e num cenário de incerteza quanto ao futuro e de isolamento social forçado, a saúde mental aparece como uma preocupação cada vez maior. Stilstand é uma viagem às perturbações do foro da saúde mental, como a depressão, a ansiedade, entre outras que são apresentadas de forma original ao longo de uma história que assume a forma de uma banda desenhada interativa.

Acompanhamos a nossa personagem, tentando contrariar todas as limitações que a sua patologia acarreta na companhia de um ser imaginário representado por uma sombra. Este amigo imaginário tenta dar algum conforto e alento à nossa personagem, traçando um paralelismo entre o estado de espírito negativo que vivemos atualmente e o estado que a personagem ambiciona, mas que por enquanto não passa de uma mera sombra na sua vida.

O enredo desenrola-se de forma interativa, e se seria bastante expectável que a vida da personagem melhorasse graças à nossa influência positiva, nada está mais longe da realidade. O autor Ida Hartmann fez um trabalho excelente no seu guião, exibindo a verdadeira natureza destrutiva dos transtornos associados à saúde mental que são impossíveis de resolver de forma direta e com orientações simples. A história é muitíssimo cativante e apenas peca pela sua duração curta. Ficamos completamente imersos no percurso triste e melancólico da nossa personagem, e com vontade de o explorar em maior profundidade. Os minijogos que encontramos ao longo da aventura são variados e encaixam na perfeição no que o enredo quer transmitir.

A direção artística assenta em tonalidades de branco e preto e é recheada de muitos tons de cinzento, o que enfatiza a temática do jogo. A banda sonora faz um excelente trabalho a transmitir os estados de alma do protagonista, contribuindo de forma definitiva para o grau de profundidade que o jogo atinge.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
8 10 0 1
Numa época marcada por isolamento social forçado e diminuição da proximidade com os nossos pares, Stilstand manda uma mensagem poderosa e expõe de forma interativa os problemas do foro da saúde mental e da solidão, dotando o jogador de uma perspetiva única sobre um tema cada vez mais atual e transversal.
Numa época marcada por isolamento social forçado e diminuição da proximidade com os nossos pares, Stilstand manda uma mensagem poderosa e expõe de forma interativa os problemas do foro da saúde mental e da solidão, dotando o jogador de uma perspetiva única sobre um tema cada vez mais atual e transversal.
8/10
Total Score

Pontos positivos

  • Enredo forte e envolvente
  • Temática atual e pertinente

Pontos negativos

  • Duração curta e poucos motivos para repetir a experiência
  • Nível de interatividade aquém do esperado  

Sérgio Mota

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.

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