Astria Ascending – Análise

Astria Ascending é um RPG que rema contra a maré. Ao juntar as mecânicas de um RPG com a exploração de um “metroidvania” e um ambiente visual em 2D que mais se assemelha ao de um jogo de ação e inspirado pelas produções da Vanillaware, Astria Ascending faz aquilo que poucos RPG fizeram, mesmo em momentos de grande popularidade.

O jogador vai encarnar Ulan, uma guerreira líder da tricentésima trigésima terceira companhia de semi-deuses, outrora mortais comuns aos quais lhes foram concedidas capacidades sobrenaturais em troca da sua vitalidade, o que reduziu a sua esperança média de vida para apenas três anos e meio aquando da atribuição das suas novas capacidades. Cada companhia é responsável por manter a paz no reino de Orchanon, o que implica lidar com potenciais ameaças. O enredo não é particularmente interessante, tratando-se de mais uma história com um bando de heróis a salvar o mundo de mais uma ameaça bastante genérica. Temas como a mortalidade, família e o sentido de dever são tratados de forma demasiado ligeira e todas as personagens, mesmo se visualmente bastante distintas e apelativas, pouco trazem à aventura além de um diálogo divertido de vez em quando. São pouco desenvolvidas, apresentadas ao jogador de forma demasiado repentina, e não têm influência na forma como o jogo se desenrola. O elenco é demasiado grande, o que é sempre difícil de gerir de forma prática quando não existe tempo ou qualidade de escrita suficiente para o desenvolver como se gostaria.

Por sua vez o combate e a exploração são mais agradáveis, cada masmorra está cheia de cantos por explorar e inimigos para vencer. Os “puzzles” que intervalam a ação são simples mas variados, todos eles concebidos com base num dos nove elmentos presentes no jogo. O combate decorre por turnos e o jogador controla até seis personagens, cada uma de uma classe especializada em funções específicas que podem ser mais ou menos eficazes dependendo do inimigo. As vulnerabilidades do inimigo podem traduzir-se em fraqueza face aos diferentes tipos de magia existentes ou a ataques e habilidades decorrentes dos diferentes tipos de armas.

Outra vertente do combate é a implementação de uma variante da mecânica Brave/Default da série Bravely Default, os pontos FP. É possível acumular até dez pontos de duas formas: não agir no turno corrente e ganhar um ponto, ou atacar diretamente a fraqueza de um inimigo. Estes pontos podem então ser gastos (quatro de uma vez no máximo) para multiplicar a potência de uma ação da personagem que os usa. Caso uma personagem seja atingida no seu ponto fraco o jogador também perde pontos FP. Isto leva a uma dinâmica interessante entre acumular ou gastar, e qual o momento certo para o fazer.

 A progressão de cada personagem não é linear. Cada classe tem um percurso diferente consoante as suas capacidades e o estilo de jogo e é possível progredir com os pontos adquiridos em cada confronto. A recompensa será maior consoante a prestação do jogador, o que leva a um maior número de opções na forma como se pretende desenvolver cada personagem. Eventualmente cada classe divide-se em três classes adicionais, o que traz consigo ainda mais opções de jogo que embora desnecessárias no decorrer da aventura, vão deliciar jogadores que adoram explorar estes sistemas a fundo.

Visualmente o jogo é deslumbrante, recheado de ilustrações criativas e cheias de pormenor, como se cada fundo e personagem fosse uma folha de ilustrações. O trabalho nas animações nota-se muito bem e todas as interações, sejam em conversas ou em momentos de ação intensa exibem um cunho muito próprio que é mais comum em grandes produções. A banda sonora tem a assinatura de Hitoshi Sakamoto, responsável por composições e arranjos de alguns jogos da série Final Fantasy. Não é muito diferente do seu estilo habitual e encaixa bem aqui, embora não apresente a sua qualidade reconhecida. Por outro lado nota-se uma grande discrepância de qualidade entre as vocalizações em japonês e em inglês e recomenda-se jogá-lo na língua original.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
7 10 0 1
Astria Ascending tem muito a seu favor, não só uma excelente apresentação visual como um combate bem executado. É uma boa proposta para os apreciadores de um RPG que não vejam problemas num enredo que precise de mais trabalho.
Astria Ascending tem muito a seu favor, não só uma excelente apresentação visual como um combate bem executado. É uma boa proposta para os apreciadores de um RPG que não vejam problemas num enredo que precise de mais trabalho.
7/10
Total Score

Pontos positivos

  • Aspeto visual deslumbrante
  • Combate divertido
  • Sistemas de progressão complexos

Pontos negativos

  • Enredo pouco desenvolvido
  • Elenco de personagens excessivo
  • Vocalizações em inglês fracas

Diogo Caeiro

Insiste diariamente na superioridade da série Metroid Prime. Habitualmente ocupado a salvar o mundo de mais um deus irado, pausando ocasionalmente para redigir a sua próxima crónica.