Cathedral – Análise

Somos um cavaleiro. Numa catedral bela e labiríntica aventuramo-nos por passagens desconhecidas, onde perigos e inimigos espreitam a cada esquina e à medida que uma batida eletrizante vai tomando conta dos ouvidos. Cabe-nos a nós e à nossa fiel espada abrir caminho para poder avançar. Não nos é dada quase nenhuma informação, mas o caminho a seguir é mais ou menos óbvio, descobrindo a pouco e pouco todos os tesouros e segredos que se escondem na catedral.

Estes são os primeiros momentos de Cathedral, uma produção da Decemberborn. À primeira vista, pode parecer uma cópia de Shovel Knight e as semelhanças são de facto inegáveis: uma direção artística fantástica a fazer lembrar os 8-bit, secções de combate e de plataformas muito desafiantes e como se não fosse óbvio, um cavaleiro como protagonista. Mas será que isso é realmente importante quando o jogo é assim tão bom? Juntando plataformas, combates e “puzzles” num só título, Cathedral rapidamente se alarga, nos mais variados sentidos.   

A catedral onde começamos a aventura é apenas um de vários locais que vamos percorrer e o jogo abre-se rapidamente, dando-nos mais sítios para explorar onde se inclui uma vila que funciona como ponto nevrálgico de ligação a outros locais. De início pode passar despercebido mas se olharmos para o jogo em toda a sua plenitude, rapidamente nos apercebemos da sua enorme extensão, com vários níveis e camadas que se apoderam do nosso tempo, e ainda bem que assim é. A exploração é uma componente-chave de qualquer “Metroidvania” e embora o caminho principal do jogo seja relativamente linear, existem ainda muitos motivos para voltar aos locais visitados anteriormente para explorar cada canto e recanto deste mundo cheio de segredos (assim que tenhamos o equipamento certo, claro).

O próprio cavaleiro, que começa o jogo singelamente com uma espada e uma armadura, vai também passando por melhorias que lhe trazem novos itens, como um escudo ou arco e flecha, que serão necessários em certos locais. Em momentos posteriores, o jogo traz mudanças bem mais sofisticadas, como a capacidade de assumir o controlo de um misterioso companheiro para alcançar interruptores inacessíveis. Este é um dos vários elementos que permitem o acesso a mais pontos do mapa. Os inimigos, por sua vez, são ricos em variedade, com padrões de ataque e pontos fracos que devem ser interiorizados. Dito isto, é importante referir o nível de dificuldade – pouco exigente de início, torna-se irritantemente difícil nas secções mais avançadas, algo que será bem recebido por jogadores que procurem experiências mais complexas, quase masoquistas, e obriga a realizar saltos e/ou ataques com um “timing” perfeito. O pior de tudo é que por vezes é necessário passar secções como esta e com este nível de dificuldade de uma só vez – um verdadeiro teste à destreza e sobretudo, à paciência. Como os “checkpoints” nem sempre são generosos, ao perder é provável termos de repetir tudo de novo.

Como se percebe, Cathedral é o que acontece quando se junta Shovel Knight, Metroid e Castlevania num só jogo, e surpreende pela positiva. O jogo é realmente divertido, cheio de personalidade e humor, com desafios e “puzzles” extremamente interessantes. A sensação de descoberta é ímpar, e o jogo diz-nos a proporção de cada mundo que já visitámos para estimular a nossa motivação. Para além de belo e com uma banda sonora cativante, o jogo tem também bastante conteúdo que nos agarra durante horas: derrotar inimigos, destruir caixas, abrir baús, apanhar as cinco esferas que fazem parte do enredo, e além disso ainda há pedras preciosas para encontrar e uma missão que envolve recuperar cem livros perdidos. Cathedral não é o jogo ideal para experiências descontraídas. É aquele tipo de jogo em que temos de repetir as mesmas secções uma e outra vez até que as mãos estejam encharcadas em suor. Além disso, para quem já jogou jogos semelhantes o factor novidade perde certamente algum impacto. De qualquer das formas, continua a ser uma excelente chegada ao catálogo da Switch e um desafio que, quanto menos não seja, vai proporcionar bons momentos.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
Cathedral é um jogo de ação em plataformas extremamente bem construído que vai agradar aos fãs do género: apresenta um desenho de níveis de alta qualidade e uma jogabilidade fluida, sendo apenas prejudicado pela dificuldade pesada e por "checkpoints" pouco generosos.
Cathedral é um jogo de ação em plataformas extremamente bem construído que vai agradar aos fãs do género: apresenta um desenho de níveis de alta qualidade e uma jogabilidade fluida, sendo apenas prejudicado pela dificuldade pesada e por "checkpoints" pouco generosos.
8/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Gráficos apelativos e banda sonora eletrizante
  • Boa mistura de "puzzles", combate e exploração
  • Um mundo fervilhante e extenso

Pontos negativos

  • Dificuldade acrescida
  • Poucos "checkpoints"

Jorge Salgado

Chegou tarde ao mundo da Nintendo mas o problema agora é tirá-lo de lá. Ainda anda com a sua 3DS de um lado para o outro, e é provável que isso não deixe de acontecer até daqui a 50 anos.