Bravely Default II – Análise

Bravely Default é uma série da Square Enix cuja estreia remonta a 2012 e que pretende homenagear os RPGs clássicos por turnos. O seu aspeto visual consegue realizar duas proezas, a de ganhar destaque entre as propostas contemporâneas, e exibir os alicerces do género que o tornaram popular nos anos 80 e 90. Com boa receção quer pelos jogadores quer pela crítica, é com agrado que vemos um novo capítulo da série estrear-se na Nintendo Switch.

Apesar do título numérico, Bravely Default II não se trata de uma sequela mas sim de uma aventura nova sob a mesma temática, sendo um bom ponto de entrada na série para os recém-chegados. O enredo é simples e de início bastante lento, demorando alguns capítulos até ganhar profundidade e criar um vínculo entre o jogador e os nossos protagonistas. Estes são um grupo bastante heterogéneo de quatro indivíduos que se encontram por furtuito do destino e que terão de reunir quatro cristais para salvar o mundo. Em cada povoação que visitamos desvendamos mais sobre o percurso individual e sobre o passado das nossas personagens, conseguindo um equilíbrio raro entre elas onde nunca se encontra um protagonismo individual demasiado pronunciado, o que beneficia o espírito de grupo.

A direção artística é deslumbrante e reminiscente de um conto infantil, sendo que o enredo não podia contrastar mais com essa escolha: frio, cruel e sem anseios de finais felizes. Existe muito para explorar ao longo dos cinco capítulos, inclusive um sexto capítulo para quem quiser investir mais a fundo e procurar um final alternativo. Os mapas são extensos e cheios de pormenores, mas onde o jogo mais sobressai visualmente é nas localidades. Se no mapa é possível rodar a câmara e explorar cada retalho em busca de baús de tesouro ou de inimigos mais fortes, as localidades são fixas e por vezes é difícil encontrar determinados elementos, mas nada que comprometa a jogabilidade. Ao mudar de área somos remetidos para um ecrã de carregamento que embora não se prolongue, surge com demasiada frequência. São apresentadas algumas dicas úteis nestes momentos, o que atenua a espera.

Além da história principal, existem inúmeras missões paralelas. A maior parte consiste em ir do ponto A ao ponto B ou em derrotar um determinado número de inimigos, sendo que a maioria se faz de forma passiva durante a aventura principal. É possível jogar da forma clássica ou com recurso a indicadores de percurso. As masmorras são verdadeiros labirintos e facilmente passamos horas a vaguear só para tentar perceber onde nos devemos dirigir, pelo que para os jogadores menos pacientes os indicadores de percurso representam uma verdadeira mais-valia que não prejudica a experiência.

O sistema de combate é extraordinário e mantém as características dos RPGs por turnos – inimigos com fraquezas, diferentes tipos de armamento, objetos, e magia. Com cada combate ganhamos moeda de jogo, experiência que faz as nossas personagens subir de nível, e pontos que permitem avançar na profissão da nossa personagem (ou seja, um sistema de classes). Cada classe tem características próprias e desbloqueia habilidades, e para o jogador é muito importante combinar da melhor forma as habilidades, classes e armamento disponíveis. A variedade é tão vasta que nunca nos sentimos demasiado poderosos, uma estratégia que funcione bem numa determinada área pode ser dizimada em segundos na área seguinte. O nível de desafio é elevado e sobe de forma avassaladora quando mudamos de área, numa fase inicial é necessário investir muito tempo a fortalecer as nossas personagens com combates sucessivos para ficarem aptas a progredir. Um sistema de combate automático tornaria este ‘fardo’ menos pesado , na vez deste é-nos dado um atalho para repetir as ações anteriores e é-nos permitido acelerar a velocidade da ação, que acaba por ser bastante eficaz nestes momentos. O sistema que deu nome ao jogo marca presença com a possibilidade de fazer “Default” e adotar uma postura defensiva, guardando um turno até um total de quatro, ou “Brave” e efetuar até um máximo de quatro turnos simultâneos. Este sistema é incrivelmente simples mas assegura uma maior complexidade estratégica de combate.

Por último, salientar dois jogos secundários mas que trazem mais valor à experiência. A opção de explorações marítimas sempre que a consola entra em modo repouso: quando pomos a consola de lado, a nossa personagem parte à aventura explorando os oceanos e ganha recompensas aleatórias, algumas bastante úteis. Esta opção é limitada a 12 horas e tem capacidades em rede, sendo que os prémios são melhores nesta vertente. O outro é um jogo de cartas que nos motiva a explorar o mapa em busca de novas adições ao nosso baralho, viciante por si só mas o facto de este desbloquear opções uteis para o resto da aventura como uma classe especial é verdadeiramente recompensador. Envolvendo toda esta experiência está uma banda sonora com bastantes pontos altos. A narração é igualmente competente, com algum abuso nos sotaques para garantir variedade no elenco.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
Bravely Default II celebra o que de melhor o género tinha para nos oferecer na década de 90, destacando-se de forma significativa no vasto catálogo de RPGs da Nintendo Switch. A curva de dificuldade é demasiado íngreme para os menos versados, mas os jogadores de longa data encontram aqui um desafio digno envolto numa direção artística interessante, uma banda sonora exemplar, e um enredo cheio de surpresas.
Bravely Default II celebra o que de melhor o género tinha para nos oferecer na década de 90, destacando-se de forma significativa no vasto catálogo de RPGs da Nintendo Switch. A curva de dificuldade é demasiado íngreme para os menos versados, mas os jogadores de longa data encontram aqui um desafio digno envolto numa direção artística interessante, uma banda sonora exemplar, e um enredo cheio de surpresas.
9/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Direção artística
  • Sistema de combate e de profissões

Pontos negativos

  • Início algo lento
  • Grau de desafio pouco equilibrado

Sérgio Mota

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.

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