Curse of the Dead Gods – Análise

Curse of the Dead Gods é um “roguelite” desenvolvido pela Passtech Games e publicado pela Focus Home Interactive que esteve em acesso antecipado no Steam durante algum tempo e tem finalmente direito ao seu lançamento 1.0 na Nintendo Switch. O jogo coloca-nos presos num templo amaldiçoado onde temos de percorrer masmorras labirínticas e resistir à corrupção dos deuses para conquistar a nossa liberdade.

A ação é a de um “hack and slash” com uma perspetiva isométrica e o jogo é alvo de inúmeras comparações ao fabuloso Hades, por bons motivos. Encontra-se uma inspiração clara no trabalho da Supergiant Games, no entanto Curse of the Dead Gods opta por uma abordagem mais centrada na jogabilidade, onde o enredo tem menos destaque. A perspetiva isométrica também traz algumas comparações estilísticas, mas é aqui que acabam as semelhanças mais visíveis.

Uma sessão habitual de Curse of the Dead Gods começa na entrada do templo, onde podemos escolher uma de três masmorras iniciais a explorar. Após vencer o “boss” na última sala, temos a oportunidade de aceder a mais conteúdo como masmorras adicionais e artefactos novos que permitem desbloquear melhoramentos ou armas mais variadas. Existe uma grande variedade de equipamentos que podemos utilizar, desde espadas e martelos a arcos e chicotes. O sistema de combate incentiva o uso mais variado possível das armas e a quantidade de monstros que enfrentamos requer abordagens diferentes para vencer. Com a possibilidade de ter até três armas diferentes ao dispor a qualquer altura, as combinações possíveis são imensas. Por outro lado, um indicador de energia impossibilita o uso ilimitado de certas armas, indicador esse partilhado com a habilidade de nos desviarmos de ataques inimigos que nos incentiva a desviarmo-nos no momento certo para recuperar pontos de energia, bem como um sistema de defesa que permite ao jogador paralisar um inimigo momentaneamente após um bloqueio no momento certo. Estes bloqueios e desvios são relativamente fáceis de realizar, pois os inimigos exibem pistas visuais claras, embora por vezes no meio de todo o caos seja complicado lembrarmo-nos de o fazer.

Outra vertente única de Curse of the Dead Gods é a forma como o jogo lida com o conceito de luz e escuridão. O jogador traz sempre consigo uma tocha que ilumina o caminho à sua volta. Para atacar os inimigos temos de pegar numa arma, tornando as imediações mais escuras. A regra inicial dita que sofremos mais danos quando estamos nas sombras, mas também há benefícios que se podem materializar sob a forma de modificações nas armas ou na mecânica principal do jogo, as maldições. As maldições incentivam o jogador a tomar decisões arriscadas. Quando falta dinheiro para uma oferenda numa das estátuas, o jogador pode fazer uma oferenda de sangue, que faz crescer a barra de corrupção. Quando esta atinge a totalidade, o jogador recebe uma maldição decidida de forma aleatória, com efeitos que podem facilitar ou dificultar a jornada. O controlo correto do indicador de corrupção é a chave para a vitória enquanto uma má gestão pode ser fatal, pois um acumular em demasia pode levar à quinta maldição, esta sempre igual e que vai drenando a vida do jogador até ficar reduzido a apenas a um ponto de vida. A mecânica das maldições coloca muito peso nas decisões do jogador, desde escolher a sala para onde vamos a seguir a qual dos melhoramentos escolher, tudo se baseia neste sistema que faz de Curse of the Dead Gods uma experiência que nos mantém atentos e ativos ao logo de todo o percurso.

Visualmente os templos são bastante semelhantes, exibindo apenas algumas diferenças de tema no cenário, mas o desenho das salas é praticamente o mesmo entre todos. O jogo corre perfeitamente na Switch, e raramente se encontram quebras para baixo dos 30 fps. Por outro lado, o texto no ecrã da Switch é bastante pequeno, o que o torna difícil de ler com facilidade mas fora esse senão, a interface funciona bastante bem quando jogado de forma portátil.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
Curse of the Dead Gods é um "roguelite" viciante, com pouca variedade no que toca ao desenho dos níveis mas o pouco que se encontra nesse aspeto acaba por o favorecer na jogabilidade. É uma experiência fantástica na Switch, juntando-se a muitos outros "roguelites" de peso, e um ótimo candidato para nos perdermos umas boas dezenas de horas a explorar os seus cantos e recantos.
Curse of the Dead Gods é um "roguelite" viciante, com pouca variedade no que toca ao desenho dos níveis mas o pouco que se encontra nesse aspeto acaba por o favorecer na jogabilidade. É uma experiência fantástica na Switch, juntando-se a muitos outros "roguelites" de peso, e um ótimo candidato para nos perdermos umas boas dezenas de horas a explorar os seus cantos e recantos.
8/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Excelente combate
  • Equilíbrio risco / recompensa

Pontos negativos

  • Pouca variedade de salas
  • Texto difícil de ler no ecrã da Switch

André Reis

O chicote que mantém a máquina a funcionar. Entusiasta pela indústria e com um gosto variado, mas com um especial amor por JRPG, nunca deixa escapar uma boa promoção e por consequência tem uma coleção maior do que alguma vez poderá ter tempo para a terminar.

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