Golden Force – Análise

O uso de direções artísticas semelhantes ao que se via em gerações passadas trouxe bastantes oportunidades a estúdios de orçamentos limitados, afinal o nível de exigência das plataformas mais recentes obriga a um esforço apenas ao alcance de algumas casas. No entanto, o fator nostálgico como ponto de atração começa a diluir-se devido a uma certa saturação do público com o uso cada vez mais frequente (mas raramente bem implementado) de um aspeto visual reminiscente das gerações de 8 e 16-bit. Golden Force é uma das raras exceções, um jogo que nos consegue fazer andar para trás no tempo e mostrar o que de melhor os videojogos tinham para nos oferecer.

A história de quatro mercenários em busca de moedas de ouro está longe de ser inspiradora ou de fazer disto uma aventura guiada pelo enredo, serve apenas para dar um móbil à ação. As personagens são variadas e a direção artística é muito próxima da de personagens conhecidas de jogos de aventuras, como Link e Shantae. A sensação de “déjà vu” é constante, em alguns momentos chega mesmo a roçar o plágio. Este jogo de ação em plataformas começa com um pequeno tutorial. A aprendizagem é rápida e bastante intuitiva para quem já tenha alguma experiência. O combate é exigente mas os “bosses” finais são um verdadeiro desafio. Estes mostram pequenas variações que levam as habilidades do jogador ao limite. Chegar ao “boss” final com a vitalidade máxima é uma prioridade, já que nos permite uma margem de erro mais folgada num desafio extremamente exigente. As melhorias ajudam a tornar o jogo mais acessível e servem de tónico para explorar os mapas com mais afinco. O nível de exigência é elevado mas justo, e apesar de se poder tornar frustrante, o divertimento é garantido.

Os pontos de salvaguarda podiam ser mais frequentes, mas a disposição é coerente com o nível de dificuldade. A jogabilidade segue este padrão, sendo que algumas plataformas exigem saltos de precisão milimétrica. O desenho de níveis é variado, seguindo os lugares-comunshabituais do género como grutas, um meio aquático, montanhas e florestas. Golden Force não se apresenta como um jogo inovador ou renovador, mas exibe uma fórmula interessante e apelativa, quer a novos jogadores como aos que conseguem facilmente reconhecer as suas inspirações.

De salientar que durante o período de escrita desta análise foram resolvidos vários problemas técnicos sob a forma de atualizações, pelo que o empenho do estúdio em tornar a experiência o mais próximo possível da sua forma ideal tem vindo a dar frutos, sem nada de negativo a assinalar neste aspeto. A versão Switch partilha todo o conteúdo com as suas versões noutras plataformas, o que aliado às características da consola faz desta a versão completa.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
Golden Force é um jogo de ação em plataformas exigente, divertido e que tem por base vários clássicos dos anos 90. A falta de algo novo é óbvia e não poucas vezes, roça o plágio, mas acaba por ser compensada por uma execução brilhante, conseguindo uma das melhores experiências dos últimos anos que se podem encontrar no género.
Golden Force é um jogo de ação em plataformas exigente, divertido e que tem por base vários clássicos dos anos 90. A falta de algo novo é óbvia e não poucas vezes, roça o plágio, mas acaba por ser compensada por uma execução brilhante, conseguindo uma das melhores experiências dos últimos anos que se podem encontrar no género.
8/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Sistema de combate
  • Desenho de níveis bem executado
  • Batalhas finais memoráveis

Pontos negativos

  • Nível de desafio pode afastar os menos experientes
  • Não traz nada de novo

Sérgio Mota

Após passar grande parte da sua infância em Hyrule e no Mushroom Kingdom dedica-se agora a explorar o vasto universo digital que o rodeia. Embora seja entusiasta de novos títulos é possível encontrá-lo frequentemente a revisitar os clássicos.