Immortals Fenyx Rising – Análise

Immortals Fenyx Rising é o título mais recente da Ubisoft a aterrar na Nintendo Switch, inspirado em Breath of the Wild e na série Assassin’s Creed, com uma pitada de combate retirada de Kingdom Hearts pelo meio. Com esta mistura variada de elementos, até onde é que Immortals Fenyx Rising consegue elevar a fasquia? Depois do titã Typhon ter lançado a sua vingança sobre os deuses do Olimpo, cabe a Fenyx devolver os poderes a quatro dos deuses e salvar o seu irmão, que foi petrificado por uma maldição. A aventura é narrada por Prometeu e por Zeus, que assume um papel de narrador menos fiável.

A premissa inicial é bastante simples. Immortal Fenyx Rising desenrola-se num mundo aberto, mas estranhamente linear na sua progressão. O jogador começa numa ilha onde tem de ganhar o poder das asas de Ícaro para percorrer distâncias maiores. Após esta etapa, podemos aceder a outra secção do mapa com um ponto central para realizar melhorias no equipamento, mudar a aparência da nossa personagem, ou aumentar a resistência de Fenyx. Não existe nenhum sistema de níveis, o jogo utiliza pontos sob a forma de moedas que se encontram em “puzzles” que o jogador resolve. O equipamento também pode ser melhorado com recurso a cristais encontrados em baús, juntamente com peças novas de equipamento que nos podem dar bónus adicionais em certos atributos. Este sistema é bastante simples e acaba por conceder alguma variedade à personalização de Fenyx, mas no fim acaba por ser pouco explorado.

Immortals Fenyx Rising divide muita da sua jogabilidade entre combate, exploração e resolução de “puzzles”, com grande ênfase nesta última vertente que inclui problemas curtos e simples de resolver, bem como alguns mais longos e complexos. Muitos destes “puzzles” contam com o uso de mecânicas de física, tal como as poderosas braceletes de Héracles para mover objetos grandes, mover esferas enormes, ou controlar a trajetória da nossa flecha para acertar em alvos impossíveis de atingir de outra forma. A variedade de “puzzles” é grande e muitos são bastante criativos, embora haja casos de alguns que são mais frustrantes do que divertidos. Muitos dos “puzzles” são opcionais, encontram-se por trás de cofres que funcionam como instâncias separadas do mundo do jogo, semelhante aos santuários de Breath of the Wild. Os “puzzles” de maior dimensão e mais complexos acabam por se encontrar nos cofres obrigatórios, que acabam sempre com uma luta contra um “boss” e muitos destes trazem um nível interessante de desafio.

O combate é bastante simples na sua execução, sem muito lugar para aprofundar ao contrário de outros “hack & slash” como Devil May Cry ou Kingdom Hearts. Immortals Fenyx Rising apresenta ataques rápidos na forma de uma espada, ataques pesados na forma de um machado de duas mãos, e arco e flecha para ataques contra criaturas aladas, com possibilidade de combinação entre os três de forma a despachar inimigos com mais rapidez. Os ataques pesados têm ainda a vantagem de paralisar o adversário sob certas condições, o que dá ao jogador um compasso de tempo para eliminar um inimigo sem complicações, bem como uma forma de abrandar o tempo através de desvios perfeitos, para quem tiver os reflexos rápidos. 

Tanto para combate como para exploração, Fenyx tem à sua disposição bastantes habilidades que vai ganhando conforme avançamos no jogo, para solucionar “puzzles”, lançar inimigos ao ar, ou chegar a plataformas mais complicadas de alcançar. As habilidades dos heróis antigos são uma mais valia para tornar a travessia e o combate mais interessantes. Infelizmente, toda esta variedade de habilidades é algo desnecessária quando a variedade de inimigos não é assim tanta e o nível de desafio não é muito elevado, fora os combates contra “bosses”. Mesmo estes, tal como os inimigos em geral, são muito reciclados durante a grande maioria do jogo, apenas mudando de cor para indicar o seu grau de poder em comparação com os anteriores.

O que mais sobressai como ponto de contenção é a exploração. Com um mundo tão vasto e variado, a Ubisoft deixa ao jogador a decisão de onde ir primeiro, permitindo assim uma exploração totalmente não linear do mapa, onde o conteúdo se adapta ao ponto em que Fenyx se encontra em termos de habilidades e equipamento. As travessias pelo mapa também são bastante mais interessantes quantas mais habilidades temos ao dispor, apenas limitados pelo sistema de energia que parece desaparecer mais depressa do que gostaríamos, especialmente a trepar superfícies.

Infelizmente Immortals também sofre de problemas de desempenho na Nintendo Switch, muitas vezes não conseguindo manter trinta fotogramas por segundo na maior parte do tempo, especialmente em cenários de combate com vários inimigos, o que acaba por tornar o desvio de ataques especialmente difícil devido ao tempo lento de resposta entre premir o botão e a ação se registar no ecrã. Além disto, não é propriamente um jogo bonito na Switch, com resolução e texturas pouco impressionantes. É certamente jogável, mas até que ponto é uma experiência agradável na Switch já é algo discutível. Sem dúvida que colocar este jogo na consola é um feito, mas houve demasiados sacrifícios que tornam difícil de recomendar esta versão no seu estado atual.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
Immortals Fenyx Rising é pau para toda a obra, mas infelizmente não consegue ser excelente em nenhuma das suas categorias. O combate simplista é pouco desafiador, o mundo do jogo é vasto mas tem uma parca variedade de inimigos, e a enormidade de "puzzles" pode ser interessante de início mas acaba por abrandar o avanço do jogo, além dos problemas de desempenho na Switch que tornam Immortals um jogo muito difícil de recomendar com confiança.
Immortals Fenyx Rising é pau para toda a obra, mas infelizmente não consegue ser excelente em nenhuma das suas categorias. O combate simplista é pouco desafiador, o mundo do jogo é vasto mas tem uma parca variedade de inimigos, e a enormidade de "puzzles" pode ser interessante de início mas acaba por abrandar o avanço do jogo, além dos problemas de desempenho na Switch que tornam Immortals um jogo muito difícil de recomendar com confiança.
6/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Mundo enorme para explorar
  • Muita variedade de conteúdo
  • Conteúdo opcional aliciante

Pontos negativos

  • Desempenho insatisfatório
  • Ambiente visual aquém do esperado

André Reis

O chicote que mantém a máquina a funcionar. Entusiasta pela indústria e com um gosto variado, mas com um especial amor por JRPG, nunca deixa escapar uma boa promoção e por consequência tem uma coleção maior do que alguma vez poderá ter tempo para a terminar.