Moero Crystal H – Análise

Com uma temática questionável e mecânicas que dão um passo atrás, Moero Crystal H é o título mais recente da Idea Factory para a Nintendo Switch. O protagonista, conhecido como Zenox, é um humano que visita uma cidade onde vivem monstros e vê-se falsamente acusado de ter roubado o sagrado Sutiã da Escuridão. Após esclarecer o desentendimento na catedral que Zenox visitava quando o roubo ocorreu, descobrimos que o equilíbrio do mundo é baseado no poder equivalente do Sutiã da Escuridão e das Cuecas da Luz. Com esse equilíbro em risco cabe a Zenox e a Luanna, guardiã da catedral, juntamente com Otton, uma lontra depravada que leva as Cuecas da Luz na cabeça, encetar uma jornada para recuperar o Sutiã da Escuridão e trazer a paz de volta ao mundo.

Muito deste mundo serve obviamente para trazer humor e tornar ridícula a situação constrangedora em que as personagens se encontram. Moero Crystal H é um “dungeon crawler” semelhante a Mary Skelter (igualemente da Idea Factory) e conta com muitos dos mesmos sistemas. O combate é feito por turnos à base de encontros aleatórios e os membros do nosso grupo são compostos por outras Monster Girls que encontramos no decorrer da viagem. Moero Crystal H começa então a tornar-se um pouco embaraçoso para quem não se sente muito bem com esta temática, já que a forma como se recrutam raparigas para o nosso lado é bastante fora do normal. O método é algo que já se encontrava (em parte) em Mary Skelter, com a mecânica de “esfregar” as personagens para lhes baixar a guarda e depois utilizar o poder das Cuecas da Luz para as purificar do mal. Esta explicação parece saída de uma obra absurda, mas a verdade é que tudo isto acontece pelo menos na primeira hora de jogo.

Fora todo este visual quase explícito, muito do que se vê em Moero Crystal H deriva do que se encontrava no título anterior da Idea Factory, desde os efeitos sonoros ao combate, mas com uma falta de atenção visível no que toca ao desempenho em certos menus e com ainda menos interatividade da parte do jogador no que toca a interagir com a masmorra. Embora existam objetos interativos na masmorra, não há uma utilidade única para cada personagem que ajude a ultrapassar obstáculos como se via em Mary Skelter, o que torna toda a exploração um pouco mais aborrecida. Felizmente as masmorras têm uma apresentação única e embora o enredo não seja nada de especial, sempre contribui para o ambiente em que nos situamos.

O combate por turnos também tem algumas mecânicas interessantes, como combinar ataques consecutivos do mesmo elemento, dando lugar a uma combinação entre as duas personagens com efeitos únicos para cada elemento. Embora Zenox não seja um combatente também participa ativamente ao ser o único membro capaz de utilizar itens. Ao armazenar energia, Zenox pode aumentar a potência dos ataques de uma rapariga em cada turno e facilitar algumas combinações e estratégias.

Fora das masmorras, a cidade serve de ponto central onde podemos comprar itens, mudar de classes, e interagir com os membros do nosso grupo, o que contribui para reforçar as relações e possibilita também que melhorem as suas habilidades passivas. Cada membro do grupo tem os seus aposentos e estes também podem ser melhorados, o que lhes permite ganhar mais experiência passiva e contribui para o desenvolvimento de relações.

Ao contrário das masmorras, que se apresentam em 3D, as personagens são exibidas em 2D. A sua apresentação é esteticamente coerente e inclui algumas animações Live2D acompanhadas de vozes para todas as personagens, o que é sempre um bom toque, especialmente com a quantidade de membros que podemos acrescentar ao nosso grupo. A qualidade das vocalizações também é bastante boa. 

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
Moero Crystal H não é um "dungeon crawler" revolucionário e o seu conceito inicial pode afastar muitos fãs daqueles jogos mas quem não se sentir apegado a isso tem aqui um jogo bastante competente, ainda que possam acabar por questionar os seus valores, sobretudo se o jogarem diante de outras pessoas.
Moero Crystal H não é um "dungeon crawler" revolucionário e o seu conceito inicial pode afastar muitos fãs daqueles jogos mas quem não se sentir apegado a isso tem aqui um jogo bastante competente, ainda que possam acabar por questionar os seus valores, sobretudo se o jogarem diante de outras pessoas.
7/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Combate estratégico e profundo
  • Ambientes ricos e variados
  • Variedade imensa de personagens

Pontos negativos

  • Bastante sexualizado
  • Desempenho questionável nos menus

André Reis

O chicote que mantém a máquina a funcionar. Entusiasta pela indústria e com um gosto variado, mas com um especial amor por JRPG, nunca deixa escapar uma boa promoção e por consequência tem uma coleção maior do que alguma vez poderá ter tempo para a terminar.

Subscrever
Notificar de
0 Comentários
Ver todos os comentários