Over the Alps – Análise

Com a Suíça de 1939 como pano de fundo, esta pequena aventura coloca-nos no papel do agente Smith, um espião britânico encarregado de capturar uma importante espia nazi num tempo de incertidão onde todos pensavam que a guerra não se prolongaria mais que alguns meses.

O enredo desenrola-se de forma peculiar, através de postais escritos pelo agente Smith ou pela agente Taylor (dependendo da história escolhida) que narram as suas peripécias a um respetivo amigo de longa data. Ocasionalmente decidimos qual o rumo que o enredo toma consoante o tipo de selo com que enviamos o nosso próximo postal. Uma resposta humorística, sarcástica ou malévola pode levar o jogador a visitar novos locais ou a enfrentar perigos diferentes. No entanto, as principais diferenças entre escolhas refletem-se sobretudo no comportamento das personagens e nas futuras interações connosco, e não na trama principal (pelo menos de forma significativa), o que acaba por ser uma oportunidade desperdiçada.

Em linha com a forma como o enredo é apresentado, cada local é igualmente ilustrado como se de um postal se tratasse, retratando paisagens e cidades de forma vibrante e detalhada, algo que se destaca particularmente no ecrã da Switch. Em cada local e além das escolhas referidas existe uma segunda componente na jogabilidade: dissimulação da polícia suíça. Dada a condição das personagens do jogador, é natural que a polícia esteja sempre no nosso rasto. Consoante as nossas escolhas e decisões em cada sítio, poderemos deixar um certo número de pistas ou entraves que tornam a sua investigação mais fácil ou difícil, consoante o descuido de cada um. Infelizmente este sistema não é bem explicado ou particularmente complexo, e as consequências são igualmente irrelevantes. Mesmo que sejamos apanhados nada nos acontece para além de um raspanete da polícia e da agência que nos emprega.

O enredo não é particularmente longo e mesmo que bem redigido, a forma como se desenvolve é algo aborrecida, sem alcançar qualquer clímax. Tal como aludido anteriormente, as escolhas que fazemos pouco importam, e a ausência de um fator de perigo ou urgência acaba por não fazer favores nenhuns a ninguém tendo em conta o que o seu tema principal deve ser: espionagem e intrigas. Over The Alps para a Switch é uma conversão de um jogo desenvolvido para dispositivos móveis e mesmo sendo uma conversão competente, há certos aspetos que são incompreensíveis, como a irregularidade da salvaguarda automática que por vezes não funciona como se espera, ou a total inexistência de uma forma de salvaguarda manual ou seleção de capítulos específicos. Para um jogo que funciona com base nas escolhas do jogador, não poder revisitar situações específicas deixa muito a desejar.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
Uma estética apelativa e uma temática interessante acabam por não ser o suficiente para elevar Over The Alps ao patamar que provavelmente merecia, seja pelo seu enredo com pouco impacto ou pela falsa sensação que as escolhas tomadas transmitem ao jogador.
Uma estética apelativa e uma temática interessante acabam por não ser o suficiente para elevar Over The Alps ao patamar que provavelmente merecia, seja pelo seu enredo com pouco impacto ou pela falsa sensação que as escolhas tomadas transmitem ao jogador.
6/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Esteticamente apelativo
  • Temática interessante
  • Conceito de postais criativo

Pontos negativos

  • Enredo pouco desenvolvido
  • Escolhas inconsequentes
  • Ausência de sensação de perigo

Diogo Caeiro

Insiste diariamente na superioridade da série Metroid Prime. Habitualmente ocupado a salvar o mundo de mais um deus irado, pausando ocasionalmente para redigir a sua próxima crónica.