Nevaeh – Análise

Nevaeh é um jogo de contrastes. É muito preto no branco, se me permitem a laracha. Também é muito artístico e tenta ser profundo, mas o que salta mais à vista é o estilo em detrimento do conteúdo. Nevaeh pode ser “heaven” escrito ao contrário, pode simbolizar o inferno bíblico ou as dificuldades em jogar este jogo de plataformas.

Neste título da Alpheratz o jogador controla Girl, uma jovem que entra numa torre mágica para encontrar a luz e levá-la para a sua aldeia, que vive na escuridão. Ao libertar a borboleta da luz, a protagonista é feita prisioneira pela Rainha da Noite (lembram-se dos D’Arrasar?). Com a sua nova companheira, Girl terá de se libertar antes que a escuridão a consuma e a transforme em sombra.

Este jogo não é um Limbo, ainda que mostre alguma ambição nesse sentido. Só que em vez de uma estética mais sombria, optou por algo mais mimoso, o que acaba por destoar. Dando aquele benefício da dúvida, as coisas mais queridas podem criar algum desconforto se forem bem trabalhadas. E lembro-me de outro exemplo, a série Yomawari. Só que aqui não se sente nada. Sim, há mérito nas suas intenções, na direção artística, no enredo e até nos “puzzles”; na tentativa de quebrar barreiras, deixando os diálogos de lado para optar por uma comunicação à base de ícones. E às vezes funciona, porque é o jogador a interpretar o enredo. Mas o jogo falha num grande aspecto: em ser divertido.

Se há coisas boas, encontra-se igualmente um grande obstáculo impossível de contornar, a conclusão de que o jogo é aborrecido, desde os movimentos da personagem à quase ausência de perigo ou urgência. Basta usar a borboleta para espiar os cenários seguintes e o jogo vai passando (o que leva a outro problema: por vezes, surge um falha irritante que faz a protagonista desaparecer no cenário). Esta borboleta também é uma das partes fundamentais de Nevaeh porque o grosso dos “puzzles” requer a sua utilização e respetiva manipulação da luz e escuridão.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
O jogo brilha na sua subtileza, mas é tão súbtil que o jogador acaba por pensar que podia estar a jogar outra coisa. E quando isso acontece, é melhor sermos honestos: merecíamos melhor.
O jogo brilha na sua subtileza, mas é tão súbtil que o jogador acaba por pensar que podia estar a jogar outra coisa. E quando isso acontece, é melhor sermos honestos: merecíamos melhor.
6/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Enredo
  • Ambiente visual

Pontos negativos

  • Não é divertido

André Pereira

Tempo contado, demasiadas ocupações. Para aguentar uma crise de tenra idade, o André joga e escreve sobre jogos. É fã de RPG japoneses e de uma história de puxar à lágrima.