Going Under – Análise

Um jogo cuja descrição entra nos contornos de “roguelite dungeon crawling” e com um enredo que satiriza o sistema capitalista contemporâneo, logo aqui nota-se que quem fez esta obra quer dar-lhe um cunho irónico. Going Under, desenvolvido pela Aggro Crab, apresenta um nível de humor particular e em linha com o seu enredo, e apesar do humor ser mais dirigido a um nicho, consegue arrancar um sorriso ou outro com o avançar desta (curta) aventura para a Nintendo Switch.

O enredo transporta-nos para um universo paralelo, mais concretamente à cidade de Neo-Cascadia, onde vive Jackie. Em Neo-Cascadia é preciso dinheiro para viver, para obter dinheiro é preciso trabalhar, para trabalhar é preciso ter experiência, mas para ter experiência é preciso trabalhar. Isto deixa Jackie com apenas uma solução: estágios não remunerados. Com este fardo aos ombros e em nome de uma empresa cujas semelhanças com a gigante Amazon são mera coincidência, conhecemos os colegas e superiores que compõem este tecido empresarial. Enquanto sátira ao típico ambiente de trabalho de um estagiário, muito raramente as funções desempenhadas correspondem à realidade do que foi acordado no contrato e assim sendo, rapidamente Jackie tem de entrar numa luta até à morte contra uma série de monstros.

A sátira está muito bem representada e as mensagens são evidentes para quem as deseja entender: a faceta mais feia do capitalismo mostra as suas cabeças de hidra, cada uma representando um aspeto deplorável do sistema; trabalho não remunerado em excesso ou a entrega da privacidade por conveniências ínfimas são alguns dos aspetos que Going Under aborda. Ainda assim, quem quiser passar à frente da mensagem do jogo pode fazê-lo sem grandes problemas.

No entanto e devido à temática, todos os elementos do jogo servem para contextualizar o que encontramos pelo caminho. Todas as masmorras criadas no momento são “start-ups” que nunca singraram no mundo empresarial. Os inimigos são versões maléficas e monstruosas dos tipos de empregados numa empresa, incluindo o CEO que é sempre o alvo máximo a abater. Controlar Jackie é ilusoriamente simples: um botão que serve de ataque básico, acompanhado de uma forma rápida de evitar ataques. Ilusoriamente, porque cada arma que Jackie utiliza tem a sua habilidade própria e uma durabilidade limitada, o que significa que o combate é mais complexo que parece. Felizmente tudo pode ser utilizado como arma, nem que seja de arremesso. A juntar a isto estão várias habilidades que apesar de temporárias e limitadas à masmorra onde se encontram, podem tornar-se permanentes. É um sistema simples, divertido e nunca entediante. Mesmo assim, Going Under não reinventa os “roguelite”, já que mesmo com uma morte o jogo retém alguns elementos que permitem melhorar vários aspetos no escritório principal.

Algo que merece ser reconhecido em Going Under são as opções de acessibilidade. Cada vez mais a barreira de entrada de um jogo é melhorada para permitir que todos possam desfrutar da aventura, mas cada um à sua maneira. Apesar de não existirem níveis de dificuldade, nas opções do jogo encontram-se maneiras de adicionar vidas extra, conferir uma maior durabilidade às armas ou até baixar os pontos de vida vida dos inimigos. São mudanças cada vez mais frequentes nesta indústria e são muito bem-vindas.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
Apesar de ser uma aventura um pouco curta, Going Under é uma experiência divertida e capaz. A sua atrevida e engraçada sátira ao capitalismo, em conjunto com uma jogabilidade simples e viciante, fazem deste jogo uma recomendação a ter em conta, ainda para mais com o seu preço simpático de lançamento.
Apesar de ser uma aventura um pouco curta, Going Under é uma experiência divertida e capaz. A sua atrevida e engraçada sátira ao capitalismo, em conjunto com uma jogabilidade simples e viciante, fazem deste jogo uma recomendação a ter em conta, ainda para mais com o seu preço simpático de lançamento.
7/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Sátira interessante ao capitalismo
  • Jogabilidade simples mas viciante

Pontos negativos

  • Humor dirigido a um nicho
  • Aventura curta

Ulisses Domingues

Analisar um videojogo é como uma experiência gastronómica: pode correr muito bem, muito mal ou não correr de todo. Pelo menos é o que este membro da equipa acredita. No entanto, nunca deixará que a sua fome altere os critérios de análise. Pelo menos não muito.