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Super Mario 3D All-Stars – Análise

Super Mario 3D All-Stars é a surpresa menos surpreendente graças aos típicos rumores desta nossa era digital; o segredo mais mal guardado, mas bastante aguardado! O nosso canalizador de bigode e jardineiras cumpre 35 anos de vida, mais dois do que eu – enquanto o senhor transpira vitalidade, salta, corre e percorre mundos e universos, eu ando para aqui a queixar-me das costas. Também é verdade que não consumo cogumelos nem estrelas; não tenho princesas para salvar ou vilões persistentes, tenho até uma vida bem pacata em comparação. Só que a minha vida pacata foi destabilizada quando entrei neste mundo dos jogos e conheci Super Mario Bros. para a NES (que ainda funciona!).
Bons tempos em que terminei uma viagem de bicicleta e fui levantado por uma janela, pelo meu pai, para ver o jogo a correr.

Podia usar esta janela como metáfora para o meu percurso na indústria, mas vou abordar a nostalgia de outra forma. Afinal, este lançamento é praticamente uma coleção de nostalgia digital.
Começo com uma confissão: não sou fã dos Super Mario Bros. em 2D. E agora que penso nisso, é raro gostar de outros jogos do género e não me consigo envolver nas suas malhas. Em parte, porque preciso de um enredo para me motivar a avançar e a saltar até ao fim. Falar de enredo e de jogos com o nome Mario é um pouco estranho, mas a verdade é que este existe, mesmo sendo subtil. E isso é digno de registo (um dos meus jogos favoritos é Super Mario Galaxy por essa razão!). Agora um aviso: cuidado com a nostalgia, pois pode ser madrasta. Algo fantástico há dez, vinte ou trinta e cinco anos pode ter envelhecido muito mal e levar a alguns dissabores.

É o caso de Super Mario 64 e Super Mario Sunshine. Não vou (nem posso) ignorar a importância destes jogos e as influências que tiveram em muitos outros jogos que se seguiram; as inovações, as homenagens e o refinar da fórmula em jogos recentes, mas é preciso dizê-lo: envelheceram bastante mal. Não joguei Super Mario 64 na sua consola de origem (essa experiência teve lugar na Nintendo DS) e é um jogo que pertence de tal forma ao seu tempo que não imagino outra forma (ou altura) para o jogar. A par com Super Mario Sunshine, que foi a minha estreia, os controlos acabam por ser demasiado “oito ou oitenta”, isto é: Mario parece ter vida própria, salta quando não se quer, não salta quando se quer, desliza das bermas só para me lixar a cabeça e tem tanta sensibilidade como uma palhinha num dia de vento. E a isto, junta-se uma câmara frustrante que também faz o que lhe apetece, o que leva a que se percam vidas das maneiras mais idiotas possíveis.

Mais uma vez, estes são produtos do seu tempo, quando as pessoas eram mais jovens e tinham mais… tempo para lidar com estes pormenores, aprender a ultrapassá-los e a vencer. Hoje em dia, essas crianças são adultas e enquanto algumas apreciam um desafio justo, outras querem apenas jogar para se divertir. Que é o meu caso. Ainda assim, passei Sunshine e só chorei umas dez vezes nos níveis secretos… E isto deixa-me triste, mas não surpreendido.

Os três títulos são apenas conversões diretas, não são “remakes”. Estamos a jogá-los tal como saíram na altura, apenas com algumas pinceladas nos gráficos. Fora isso, não há mudanças e isto inclui os defeitos.
Esta coleção acaba por ser a tal janela para outros tempos, mas é uma janela que precisava de ser limpa. Por outro lado, Super Mario Galaxy continua lindo de morrer, fantástico de se jogar e agora que os controlos de abanico são opcionais, está mais acessível. Meto as mãos no fogo (virtual) e digo que consegue ser melhor do que Super Mario Odyssey (já de si uma obra fantástica), desde o ambiente visual à banda sonora orquestrada, passando pelas mecânicas da gravidade, variedade de níveis e claro, o enredo. Este jogo recuperado da Wii ainda tem o seu poder e é a verdadeira razão para se adquirir esta coleção, e mais não digo. Minto, até digo mais: agradeço os toques que deram a esta versão, como o uso do ecrã táctil (viram o que fiz?). E porque não foi dado o mesmo tratamento aos outros dois jogos aqui incluídos? Sunshine podia muito bem usar o giroscópio para controlar o F.L.U.D.D…

Conclusão

Conclusão
6 10 0 1
Super Mario Bros. faz 35 anos, mas a ocasião merecia uma prenda melhor. A edição física encontra-se muito despida de elementos para celebrar; podia incluir um manual sobre a história da mascote e da marca; o cartão podia incluir os manuais digitais dos três jogos; documentários; surpresas, qualquer coisa – ou Super Mario Galaxy 2, que foi incompreensivelmente ignorado nesta coleção. Em vez disso, tivemos uma nota a dizer que esta colecção seria limitada durante um ano (tanto a versão física como a digital), depois… será que desaparecem do mapa para darem lugar aos negócios ilícitos a preço de rins?, será que vão ser vendidos em separado? Como diz Doris Day, "Que sera, sera…" A série Zelda também vai fazer 35 anos brevemente... ai mãe.
Super Mario Bros. faz 35 anos, mas a ocasião merecia uma prenda melhor. A edição física encontra-se muito despida de elementos para celebrar; podia incluir um manual sobre a história da mascote e da marca; o cartão podia incluir os manuais digitais dos três jogos; documentários; surpresas, qualquer coisa – ou Super Mario Galaxy 2, que foi incompreensivelmente ignorado nesta coleção. Em vez disso, tivemos uma nota a dizer que esta colecção seria limitada durante um ano (tanto a versão física como a digital), depois… será que desaparecem do mapa para darem lugar aos negócios ilícitos a preço de rins?, será que vão ser vendidos em separado? Como diz Doris Day, "Que sera, sera…" A série Zelda também vai fazer 35 anos brevemente... ai mãe.
6/10
Total Score

Pontos positivos

  • Oportunidade de jogar os três clássicos na Nintendo Switch
  • Super Mario Galaxy

Pontos negativos

  • Super Mario 64 e Sunshine não envelheceram bem
  • Edição de aniversário algo fraquinha
  • Não se compreende o tempo de venda limitado

André Pereira

Tempo contado, demasiadas ocupações. Para aguentar uma crise de tenra idade, o André joga e escreve sobre jogos. É fã de RPG japoneses e de uma história de puxar à lágrima.

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Denys Firmino
Denys Firmino
28 de Setembro, 2020 12:21

Desde já parabens pela analise. Nao fazia ideia que este jogo era limitado.

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