AnálisesSwitch

Fairy Tail – Análise

Uma adaptação de uma série de animação japonesa que não é um jogo de luta? Ainda por cima um RPG por turnos? Pintem-me de curioso!
Mas havia um problema: eu não conhecia nada da série, só tinha visto uns cosplays. Vai daí, fui fazer o trabalho de casa para ver de que se tratava.
Fairy Tail saiu da cabeça de Hiro Mashima e é um “shonen”, o que significa muita tareia e gritaria. Durou uns bons dez anos, passou da banda desenhada à série animada e seguimos Natsu Dragneel, um dos membros da guilda de feiticeiros conhecida por Fairy Tail. O seu objetivo é encontrar o dragão Igneel mas até lá, o bando vai passar por peripécias como noutra série qualquer.

De início, Fairy Tail pode parecer algo genérico e deslavado, com as suas personagens a cair em clichés fáceis e nos limites do “fan service”. Temos os durões, as miúdas e as criaturas estranhas; ataques vistosos, discursos e sacrifícios nobres e a vitória através do poder da amizade. Nem sequer estou a exagerar, isto surge logo na introdução do jogo. Uma personagem morreu à minha frente, mas depois de um discurso sobre o poder da amizade, o vilão foi derrotado para começar o jogo sete anos depois, com todas as personagens vivas.
Tanto a série como o jogo deviam ter como subtítulo “fetch quests”. Muitos dos episódios estão estruturados à volta da missão da semana, encontrar itens perdidos, vencer malfeitores, combater contra guildas rivais… De quando a quando, o enredo avança e atiram para lá umas conspirações e revelações. E esse sistema faz sentido aqui, porque o jogo não começa no início da série, mas a meio – após o salto temporal de sete anos. A guilda de feiticeiros está nas últimas posições da classificação e a sede está numa lástima. Há que começar por baixo e faz sentido começar nesta temporada porque os fãs já sabem o que vem aí e os novatos têm uma boa oportunidade para conhecer o mundo e o elenco.

Estas primeiras missões não são nada de especial e já as vimos em jogos melhores, mas como algumas requerem a participação de certas personagens, passamos a conhecê-las melhor e quanto mais as usarmos, mais se desenvolvem e contribuem para as batalhas. É uma situação favorável a todos e com as recompensas das missões, é possível expandir e melhorar a sede com lojas e outras divisões. Há aqui uma componente catita de gestão e de camaradagem. Ainda assim, admito que este sistema de “fetch quests” foi o que me aborreceu nos Atelier, obrigado Gust, odeio! E como disse em cima, a história lá vai avançando, mas não é muito interessante e as personagens não ajudam porque são tão… cliché. Fairy Tail consegue ser muito vistoso, mas também oco e sem substância, uma pena.
Eu podia mesmo descobrir uma série nova para além de One Piece. Ei, e um RPG por turnos de One Piece? Gust, eles são piratas, podem meter “fetch quets” à vontade, mas caprichem nessa campanha!

No entanto, dei por mim a voltar várias vezes ao jogo porque a soma das várias partes era positiva e o combate era tão viciante que dava gozo lutar contra tudo e todos. Assim que interagimos com o inimigo, começamos o combate e este fazia lembrar Radiant Historia pelo sistema de grelha, com habilidades de alcance diferente. Tenham em conta a disposição dos adversários e coordenem os ataques; além das habilidades, cada personagem pode despertar poderes latentes e se os laços forem evoluindo entre elas, podem apoiar-se uns aos outros durante as batalhas, encadeando ataques. Parte da estratégia também passa pela formação da equipa: de início só se pode ter três personagens, mas o número aumenta no decorrer do jogo. Cada personagem tem um elemento único e é vital criar uma equipa equilibrada para avançar no jogo. Não que haja partes impossíveis de passar, mas se levarem as personagens certas a determinados “bosses” é possível vencer sem grandes dificuldades. E é tudo tão rápido e intuitivo.

Repito que Fairy Tail é muito vistoso. As sequências animadas e de ação são de alta qualidade. Em vez de seguir o caminho fácil e usar a animação da série, a opção pela técnica de “cel shading” foi uma belíssima ideia e no ecrã da Switch é uma delícia. Por outro lado, se as personagens receberam bastante atenção, os cenários ficaram um pouco aquém, com menos pormenores, mais vazios e algo repetidos. A banda sonora é alegre e mexida e anda de mãos dadas com o ritmo e ambiente visual animado. Não é memorável, mas não destoa da temática. O jogo só conta com as vocalizações originais em japonês, e não há queixas em relação a isso.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
7 10 0 1
No final, o tempo que passei com Fairy Tail foi interessante. Não me deu vontade de ver a série porque tive uma amostra jeitosa no jogo, mas não senti que tivesse desperdiçado o meu tempo, pelo contrário... diverti-me. Não tive problemas por aí além, tirando aquela quebra de fluidez rara; os cenários esquecidos e a repetição de missões, mas que funcionavam no contexto da narrativa. O melhor deste jogo é que irá permitir aos fãs jogarem com as suas personagens favoritas e isso ninguém lhes tira – invejo-os e é a eles que este jogo se destina. A eles e aos fãs dos RPG da Gust.
No final, o tempo que passei com Fairy Tail foi interessante. Não me deu vontade de ver a série porque tive uma amostra jeitosa no jogo, mas não senti que tivesse desperdiçado o meu tempo, pelo contrário... diverti-me. Não tive problemas por aí além, tirando aquela quebra de fluidez rara; os cenários esquecidos e a repetição de missões, mas que funcionavam no contexto da narrativa. O melhor deste jogo é que irá permitir aos fãs jogarem com as suas personagens favoritas e isso ninguém lhes tira – invejo-os e é a eles que este jogo se destina. A eles e aos fãs dos RPG da Gust.
7/10
Total Score

Pontos positivos

  • Combate
  • Ambiente visual

Pontos negativos

  • Repetição de missões
  • História principal
  • Personagens desinteressantes

André Pereira

Tempo contado, demasiadas ocupações. Para aguentar uma crise de tenra idade, o André joga e escreve sobre jogos. É fã de RPG japoneses e de uma história de puxar à lágrima.

Privacy Overview
Starbit

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.

Strictly Necessary Cookies

Strictly Necessary Cookie should be enabled at all times so that we can save your preferences for cookie settings.