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Infini – Análise

Todos somos confrontados com um momento nas nossas vidas em que, por força das circunstâncias, temos de responder a algo para que não temos resposta; um verdadeiro “que faço eu agora?”. Pior ainda, foge de todas as nossas preocupações artísticas, morais e até lógicas, tornando-se sempre uma provação surreal, do mesmo modo que este jogo aborda toda a sua existência e experiência. Nunca joguei algo tão estranho e peculiar como Infini, muito menos com o objetivo de analisar.

O engenho que empurra todas as características de Infini é ser um quebra-cabeças baseado na nossa perceção com foco em Hope, a personagem principal. Em todos os níveis apresentados este avatar da Esperança desce continuamente de cima para baixo onde a nossa função é atingir um portal, evitando todos os obstáculos visíveis, para transportar esta entidade para a próxima etapa. Contudo em muitas das vezes só é possível chegar ao fim de um nível utilizando mecânicas que alteram a nossa noção do que está no ecrã. Para esse feito fazemos “zoom” para mudar o nosso campo de visão. Também é possível, por exemplo, aumentar ou diminuir a cadência do avatar, assim como desaparecer do lado direito e reaparecer do lado esquerdo do ecrã. Mais à frente, Hope tem a capacidade de descer continuamente de baixo para cima. São todas estas mecânicas que orientam a jogabilidade de Infini. De uma certa forma o conceito não é completamente novo. Jogos como Echocrome para a PlayStation 3 e PSP brincavam com a perceção do jogador a favor de concluir “puzzles”.

Observando apenas a jogabilidade, Infini apresenta momentos ‘eureka!’ excelentes. No entanto alguns deles tornam a experiência frustrante. Guiar Hope nem sempre é suave como a brisa. Há uma perfeição que se espera do jogador ao utilizar as várias mecânicas em conjunto. Pode até dar-se o caso que eu não tenha a destreza para sincronizar a personagem da forma que o jogo exige, mas fica sempre a sensação que alguns momentos são injustos. Quem queira repetir esses mesmos níveis pode fazê-lo num ecrã que os agrupa a todos. Mais tarde, pode ser interessante enfrentar o mesmo desafio, já que Infini também apresenta objetos colecionáveis relacionados com o enredo.

Enredo esse que é estranho e até um pouco pretensioso, tendo em conta a direção artística e os ideais em jogo, mas não deixa de ser um aglomerado de ideias minimamente interessantes. No entanto, o desenrolar do enredo acontece de uma forma não-linear, baralhando ainda mais qualquer tentativa de o compreender. “É mesmo assim?” ou “Que raio foi isto?”, o impacto destas perguntas, um estado perpétuo de caos, perplexidade e choque é observável do início ao fim. Tenta-se compreender então que, da mesma forma que Hope atravessa um suposto espaço infinito repleto de todas as variáveis imagináveis, o enredo parece incidir num existencialismo surreal. Objetivamente toda a história segue o avanço de Hope assim que este é ludibriado por outra entidade conhecida como War para um lugar chamado Infinity. Ao longo da aventura encontram-se conceitos, personificados por entidades que contracenam com Hope e contribuem para a confusão instalada desde o início do jogo.

Mas a verdade incómoda e incontornável é sem sombra de dúvida a direção artística usada para representar a demanda de Hope. É uma tentativa pouco ortodoxa e chocante de evocar um sentimento de desnorte no jogador. Não existe uma forma fácil de categorizar o seu aspeto, senão ser um pouco duro e cru na sua crítica; tudo em Infini parece retirado de uma lixeira, nada faz sentido e tudo está aberto à interpretação. Os ecrãs de fundo e as sequências cinemáticas, bem como as personagens, têm traços de arte abstrata dentro do contexto de arte moderna, mas ainda assim conseguem ser um pouco mais “risqué” sem chegar a ser indecente. Talvez uma comparação mais simpática e próxima de todos nós é dizer que Infini parece uma versão muito, muito estranha e macabra da série de animação Angela Anaconda. É decididamente diferente , mas o estilo aqui empregue serve para tudo menos ser apelativo.

Isto dá azo a um problema que toca duas extremidades; oito ou oitenta, amar ou odiar. De uma forma muito generalizada, os videojogos funcionam porque os jogadores dependem da ligação que estabelecem com o jogo para sentir alegria, tristeza ou outra panóplia de sentimentos. São estas emoções despoletadas pelas dimensões de um jogo que impulsionam a mente humana a definir algo como bom, mau, mediano ou indiferente. Infini é apenas confuso. A sua direção artística é estranha ou mesmo repugnante e a banda sonora acompanha este sentimento, assim como o enredo. O único elemento fora desta equação é a jogabilidade, mas nesse aspeto a Nintendo Switch tem outras ofertas semelhantes.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
5 10 0 1
No meio de tanta confusão repleta de surrealismo existencial, Infini e o protagonista Hope acabam por se perder no que o jogo deseja transmitir ao jogador. Fora a jogabilidade, frustrante por vezes, tudo o resto anda à deriva no multiverso que o jogo procura explorar. O enredo centra-se em questões filosóficas e a direção artística, reminiscente da arte abstrata dentro de um contexto moderno, nada transmite senão alguma repulsa. Infini é de facto uma experiência diferente, mas nem tudo o que é diferente é bom.
No meio de tanta confusão repleta de surrealismo existencial, Infini e o protagonista Hope acabam por se perder no que o jogo deseja transmitir ao jogador. Fora a jogabilidade, frustrante por vezes, tudo o resto anda à deriva no multiverso que o jogo procura explorar. O enredo centra-se em questões filosóficas e a direção artística, reminiscente da arte abstrata dentro de um contexto moderno, nada transmite senão alguma repulsa. Infini é de facto uma experiência diferente, mas nem tudo o que é diferente é bom.
5/10
Total Score

Pontos positivos

  • Jogabilidade e conceito

Pontos negativos

  • Direção artística aberrante
  • Níveis frustrantes

Ulisses Domingues

Analisar um videojogo é como uma experiência gastronómica: pode correr muito bem, muito mal ou não correr de todo. Pelo menos é o que este membro da equipa acredita. No entanto, nunca deixará que a sua fome altere os critérios de análise. Pelo menos não muito.

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