Colt Canyon – Análise

O mundo dos “Cowboys” e “Westerns” sempre fez parte do meu imaginário. Estas temáticas marcam presença nos videojogos, sobretudo através da muitíssimo aclamada série Red Dead Redemption. O recém-chegado Colt Canyon pega nessa temática e aborda-a de uma forma completamente diferente, mas cheia de estilo. O realismo fica à porta, a experiência aqui é muito mais visceral e impiedosa. Este jogo da Retrific utiliza uma direção artística à base de “pixel art” em 2D, o que lhe confere um ambiente muito próprio. É verdade que abusa dos tons de castanho e verde, mas o uso destas cores contribui para um ambiente inóspito, típico de um mundo sem lei nem ordem, onde as animações também ajudam a transmitir uma sensação de imersão.

Sendo um jogo de tiros a 2D, Colt Canyon oferece uma estrutura simples, com níveis curtos, abertos e gerados aleatoriamente. O enredo também não complica. Na verdade, acaba por ser apenas um motivo para a ação: o parceiro do protagonista foi raptado por um gangue e temos que o salvar, nada mais. Armado apenas com meia-dúzia de munições e algumas habilidades, como a possibilidade de evitar as balas dos inimigos ou entrar em combates corpo-a-corpo, a progressão rápida do jogo mostra como Colt Canyon se expande.

Em poucos minutos descubro que ações furtivas são a melhor opção para eliminar alguns inimigos. A quantidade de munições é escassa e só retirando alguns objetos aos inimigos é que se pode minimizar essa limitação. Estudar os inimigos e destruir baús para encontrar novas armas, munições e até explosivos é meio caminho andado para atingir os objetivos. Em muitas circunstâncias, evitar confrontos é mesmo a estratégia mais sensata. Quando esses confrontos se tornam inevitáveis, Colt Canyon mostra toda a sua crueldade: sangue a jorrar pelo cenário e lutas viscerais são recorrentes. Por outro lado, a sensação e o impacto dos tiros fazem-se sentir de forma competente. A própria personagem sofre com o coice de algumas armas, o que é um pormenor interessante e a ter em conta.

O ponto-chave de Colt Canyon está na curva de dificuldade elevada e na ameaça da morte definitiva. Nas primeiras tentativas a morte é uma constante. Exige-se paciência para desbloquear armas e personagens novas (que têm pontos fortes e fracos distintos) para poder evoluir ao longo dos níveis. O resgate de reféns também traz atualizações, onde se inclui um recarregamento mais rápido ou maior velocidade de movimento, ajudando a moldar a progressão. O jogo também conta com companheiros controlados pelo computador ou em modo cooperativo local, mas desengane-se quem pense que isso simplifica alguns dos desafios, há aqui “bosses” realmente exigentes. Quem conseguir ultrapassar essa curva vai encontrar uma jogabilidade veloz, precisa e recompensadora. É uma pena que a experiência seja curta, uma tarde é suficiente para terminar o jogo. Desbloquear personagens e as conquistas dentro do jogo permitem expandir a ação por mais algum tempo.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
Colt Canyon é uma boa surpresa, fugindo do habitual jogo com inspirado por "westerns". Não é perfeito, talvez por ser demasiado curto, mas proporciona uma experiência exigente e recompensadora para quem estiver disposto a ultrapassar uma certa frustração que se encontra nos primeiros momentos. Gatilho e pensamento rápido, é tudo o que se pede.
Colt Canyon é uma boa surpresa, fugindo do habitual jogo com inspirado por "westerns". Não é perfeito, talvez por ser demasiado curto, mas proporciona uma experiência exigente e recompensadora para quem estiver disposto a ultrapassar uma certa frustração que se encontra nos primeiros momentos. Gatilho e pensamento rápido, é tudo o que se pede.
7/10
Pontuação Final

Pontos positivos

  • Exigente e visceral
  • Jogabilidade rápida e recompensadora
  • "Pixel art" em 2D cria um ambiente estimulante

Pontos negativos

  • Experiência curta
  • Pode causar alguma frustração

Nuno Nêveda

Calorias, nutrientes e Nintendo. Três palavras que definem o maior fã de F-Zero cá do sítio. Adepto de hábitos alimentares saudáveis, quando não anda atrás de uma balança, costuma estar ocupado com as notícias mais prementes e as análises mais exigentes.