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Tales of Berseria Remastered – Análise

Tales of Berseria foi lançado em 2017 para PlayStation 4 e PC fora do Japão, e chegou numa altura em que a série da Bandai Namco procurava reafirmar a sua identidade dentro do género dos JRPG, apostando num enredo mais sombrio e num sistema de combate mais agressivo. Quase uma década depois, Tales of Berseria Remastered chega à Nintendo Switch com a missão de recuperar esse capítulo para um novo público, ao mesmo tempo que tenta modernizar a experiência sem comprometer o que a definiu.

A história continua a ser um dos seus pontos mais fortes. Ao contrário de muitos enredos mais típicos do género, aqui assumimos o papel de Velvet Crowe, uma protagonista movida por vingança num mundo onde as fronteiras entre o bem e o mal são constantemente postas em causa. Este tom mais negro distingue imediatamente Berseria de outras entradas da série. Ao longo da campanha acompanhamos um grupo de personagens com motivações muito próprias, muitas vezes em conflito entre si, o que dá origem a diálogos bem escritos e a uma dinâmica de grupo convincente. O enredo e narração não são perfeitos, e por vezes prolongam-se mais do que deviam, mas conseguem manter o interesse graças ao desenvolvimento das personagens e à forma como exploram temas como sacrifício, moralidade e liberdade.

Em termos de jogabilidade, Tales of Berseria aposta num sistema de combate em tempo real que combina acessibilidade com alguma profundidade. O sistema conhecido como “Linear Motion Battle System” foi aqui reformulado para permitir maior liberdade de movimentos e personalização de ataques. Cada botão pode ser associado a artes diferentes, criando sequências de combos adaptadas ao estilo de cada jogador. A protagonista Velvet destaca-se pela sua mecânica única que lhe permite sacrificar vida para entrar num estado mais poderoso, incentivando uma abordagem agressiva ao combate. Ao longo do jogo desbloqueamos novas habilidades, artes e opções estratégicas, o que ajuda a manter os combates interessantes mesmo ao fim de várias horas. No entanto há momentos em que o sistema pode tornar-se algo repetitivo, sobretudo em encontros com inimigos mais comuns, onde a tentação de repetir combos eficazes acaba por reduzir a variedade tática. Fora do combate, o jogo segue uma estrutura relativamente tradicional. A progressão passa por explorar áreas, completar missões principais e secundárias e interagir com personagens através dos habituais curtos diálogos opcionais que desenvolvem a personalidade do grupo e ajudam a criar momentos mais ligeiros entre os eventos principais. Estes continuam a ser um dos elementos mais característicos da série e funcionam particularmente bem aqui, equilibrando o tom mais sério do enredo.

Visualmente Tales of Berseria Remastered apresenta melhorias visíveis face à versão original, mas dentro de limites evidentes. A resolução foi aumentada e a imagem está mais limpa, sobretudo quando jogado numa televisão, mas os modelos das personagens e os cenários continuam a refletir a base da geração anterior. A direção artística mantém-se apelativa, com um estilo “anime” consistente, mas a repetição de ambientes e alguma simplicidade nos mapas tornam-se mais evidentes com o passar do tempo. Na Nintendo Switch o desempenho é globalmente estável, com o jogo a correr a 30 fotogramas por segundo na maioria das situações. No ecrã da consola a experiência mantém-se consistente e apresenta uma boa adaptação. Existem, no entanto, algumas perdas pontuais de fluidez em combates mais caóticos ou em áreas com maior densidade de efeitos, embora raramente ao ponto de comprometer a jogabilidade.

A banda sonora, composta por Motoi Sakuraba, mantém-se como um dos pilares da experiência. As composições acompanham bem o tom da história, alternando entre temas mais intensos e momentos mais atmosféricos. Embora não seja a banda sonora mais memorável da série, cumpre bem o seu papel e contribui para a imersão. A longevidade é outro dos pontos fortes. A campanha principal pode facilmente passar das 50 horas, com conteúdo adicional suficiente para prolongar ainda mais a experiência. No entanto segue um ritmo algo irregular, com momentos onde a progressão abranda e certas tarefas se tornam mais repetitivas.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
8 10 0 1
Tales of Berseria Remastered continua a ser um das capítulos mais interessantes da série, sobretudo pela sua abordagem mais sombria e foco nas personagens. A adaptação para a Nintendo Switch é competente, preservando a experiência original com melhorias visuais moderadas e um desempenho estável, mas sem reinventar o jogo. Para quem procura um JRPG clássico com um enredo forte e muitas horas de conteúdo, continua a ser uma boa proposta, mesmo que exiba algumas marcas do tempo.
Tales of Berseria Remastered continua a ser um das capítulos mais interessantes da série, sobretudo pela sua abordagem mais sombria e foco nas personagens. A adaptação para a Nintendo Switch é competente, preservando a experiência original com melhorias visuais moderadas e um desempenho estável, mas sem reinventar o jogo. Para quem procura um JRPG clássico com um enredo forte e muitas horas de conteúdo, continua a ser uma boa proposta, mesmo que exiba algumas marcas do tempo.
8/10
Total Score

Pontos positivos

  • Enredo mais maduro e bem desenvolvido
  • Sistema de combate acessível e dinâmico
  • Boa quantidade de conteúdo e longevidade

Pontos negativos

  • Estrutura e desenho de níveis algo datados
  • Sensação de repetição dos combates ao longo do tempo
  • Melhorias técnicas pouco ambiciosas

Nuno Nêveda

Calorias, nutrientes e Nintendo. Três palavras que definem o maior fã de F-Zero cá do sítio. Adepto de hábitos alimentares saudáveis, quando não anda atrás de uma balança, costuma estar ocupado com as notícias mais prementes e as análises mais exigentes.

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